segunda-feira, 13 de abril de 2015

 
 
Numismática

Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

 
 
55ª. Moeda
Tesouros Numismáticos
“O Justo de D. João II”
5 Euro               
Características da moeda
Anv: Apresenta no centro do campo o novo escudo, tornando as quinas pendentes e fixando em sete o numero de castelos o qual quis simbolizar na Europa um novo Portugal,  poderoso e próspero.  Na parte exterior junto à orla e envolvendo toda a moeda, a legenda "República Portuguesa : 2010 + 5 €".
Rev: Apresenta no campo central a figura do monarca sentado de frente no trono, simbolizando a concentração de todo o seu poder, orlado pela legenda "IVSTVS:VT:DALMA.FLOREBIT".  
Autor: José Viriato.
Moedas de Cuproníquel com acabamento normal:
Valor facial 5 Euro; Dia. 30 mm; Peso 14 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem 150.000 exemplares.
Moedas de Ouro proof:
Valor facial 5 Euro; Au: 999/1000 de toque; Dia. 30 mm; Peso 15,55 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem de 2.500 exemplares.
D. João II de Portugal nasceu no Paço das Alcáçovas, no Castelo de São Jorge. Era filho do rei D. Afonso V de Portugal e de Isabel de Coimbra, princesa de Portugal. D. João II sucedeu ao seu pai após a sua morte no ano de 1481. Como príncipe, D. João II acompanhou o seu pai nas campanhas em África e aí foi armado cavaleiro pelo seu pai, depois da tomada de Arzila, a 21 de Agosto de 1471. No início desse ano, a 22 de Janeiro, em Setúbal, casou com D. Leonor de Viseu, princesa de Portugal e sua prima direita, filha do infante D. Fernando. Fruto desta união, nasceu em 1475 o infante D. Afonso. Em 1474 assumiu a direcção da política da expansão enquanto o seu pai travava luta com os castelhanos e, a 25 de Abril do ano seguinte, assumiu a regência do reino que, por ir socorrer o pai a Espanha, passara para o encargo de D. Leonor. Participou, na célebre batalha de Toro.
Dom João II de Portugal sucedeu ao seu pai após a sua abdicação. Concentrou então o poder em si, retirando-o à aristocracia. Nas conspirações que se seguiram, suprimiu o poder da casa de Bragança e apunhalou pelas suas próprias mãos o seu primo Diogo, Duque de Viseu. Governando desde então sem oposição, D. João II foi um grande defensor da política de exploração atlântica, dando prioridade à busca de um caminho marítimo para a Índia. Após ordenar as viagens de Bartolomeu Dias e de Pêro da Covilhã, foi D. João II que delineou o projecto da primeira viagem.
Nesta altura iniciaram-se conspirações, mas o rei adoptou uma posição de mero observador. Cartas de reclamação e pedidos de intervenção foram trocadas entre o duque de Bragança e os reis católicos de Espanha. O escrivão da sua Fazenda em Vila Viçosa e um mensageiro entregaram ao rei correspondência comprometedora com os Reis Católicos em 1483. Foi o próprio monarca quem prendeu o duque de Bragança, no fim de uma conversa a sós, em Évora. Foi julgado ao longo de 22 dias, numa sala à volta de uma mesa onde se encontravam  juízes, fidalgos e cavaleiros, com o rei sentado no topo e, em algumas sessões, com o réu a seu lado. A votação, iniciada com um discurso do monarca, consumiu dois dias e terminou com a condenação do duque à morte. No dia seguinte, 20 de Junho de 1483, o duque foi executado "degolado" na praça de Évora, diante do povo.
No ano seguinte, o duque de Viseu, D. Diogo, primo e cunhado de João II (irmão da rainha D. Leonor), concebeu um plano para apunhalar o soberano na praia, em Setúbal. Um dos envolvidos avisou o monarca, inviabilizando o plano dos conspiradores. Mandou então chamar ao palácio o duque e apunhalou-o pessoalmente. Depois de eliminar o cunhado, o rei enviou dois emissários à mãe do duque, comunicando o ocorrido. Chamou ainda um irmão do falecido, D. Manuel, e explicou-lhe que tinha esfaqueado o duque porque ele "o quisera matar", prometendo-lhe que, se o príncipe D. Afonso viesse a falecer, e não tivesse mais nenhum filho legítimo, ficaria ele, D. Manuel, como herdeiro de todos os seus reinos e senhorios. [
No Natal de 1489, o rei D. João II enviou uma carta aos Corregedores de Justiça, Vereadores e Procuradores que ficaria para a história do reino e da numismática. O seu objectivo resume-se em duas palavras: fama e respeito. Pretendia alcançá-lo com uma moeda de ouro "de peso de dois cruzados cada peça e daquele mesmo toque e fineza e que tenha nome de "Justos" e por cunho de uma parte o escudo de nossas armas com a coroa em cima dele e da outra parte de nós armado." Nasceu assim o "Justo", uma moeda de prestígio "nobre e rica", batida em pequenas quantidade e destinada a projectar o poder do rei e de Portugal. São raros os exemplares que chegaram até aos nossos dias e foi só em 1999 que se descobriu um "Justo".
Fontes:  pt.wikipedia.org/wiki/João_II_de_Portugal; http://arlloufill.com/pages/o-justo#sthash.2tAftQu1.dpuf; I.N.C.M.; colecção particular do autor.
Publicado no Jornal das Caldas em 8 de Abril de 2015
 
FIM


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