Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012












NUMÁRIA
MOEDA
ESCUDO REPUBLICANO
1911— 2001

IV

(Continuação)

Bordos de Moedas
(Exemplo)



Moedas com erros ortográficos

Portugusa


Sidney



Moeda falsificada ou viciada
Moeda falsa





Moeda verdadeira




Para se obterem moedas de nobreza notável, é necessário um elaborado trabalho de elevada qualidade técnica, que nos crie de imediato empatia, quando portamos entre mãos peças de uma beleza rara, o que não é alheio apuradas e profundas pesquisas para se alcançar o objectivo em vista e para que o mesmo seja capaz de traduzir de imediato o sentimento que se pretende retratar e perpetuar; por isso é, justo relembrar o nome de homens e mulheres como desenhadores, gravadores, pintores, arquitectos, escultores, e demais artistas plásticos que com todo o empenho empregaram toda a sua imaginação, estudo, trabalho e dedicação em prol da numismática portuguesa:

Autores
José Simões de Almeida (Sobrinho), Francisco dos Santos, Alves do Rego, João da Silva, Marcelino Norte de Almeida, Jaime Martins Barata, Euclides Vaz, Helder Baptista, José Cândido, A. Lucas, João Abel Manta, Armando Matos Simões, José Pedro Roque Gameiro Martins Barata, Dorita Castel-Branco, António M. Trigueiros, Valente de Carvalho, José Manuel Aurélio, Lagoa Henriques, Alberto Gomes, Jerónimo Cabaço, Clara Menéres, Irene Vilar, Isabel Carriço, Fernando Branco, António Marinho, Álvaro França, Alípio Pinto, Raúl de Sousa Machado, Paulo Guilherme d´Eça Leal, Jorge Vieira, Eloísa Byrne, João Duarte, Vitor Santos, José Simão, João Cutileiro, Fernando Conduto, Vítor Nogueira da Silva, Lima de Freitas, Espiga Trigo, José João de Brito, Joaquim Correia, Paula Lourenço e António Vidigal.
Gravadores
Alves do Rego, Arnaldo Lourenço Fragoso, Norte de Almeida, José Rosa, Arnaldo Fragoso e Jerónimo Cabaço.
Este trabalho consiste na apresentação das moedas por ordem crescente do seu valor, as suas características, seguindo o critério abaixo descriminado:

01-As características das moedas quanto aos metais utilizados no seu fabrico;
02-Percentagem dos metais que entram na liga das moedas;
03-Diâmetro das moedas;
04-Peso das moedas;
05-Quantidade de moeda cunhada;
06-Era da emissão das moedas;
07-Bordo das moedas;
08-Autor das moedas;
09-Pequena biografia do anverso e reverso das moedas.

FIM


Publicado no Jornal das Caldas em 15-02-2012

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012










NUMÁRIA
MOEDA
ESCUDO REPUBLICANO
1911— 2001



III


(Continuação)


Moedas falsas e viciadas
A moeda falsa ou viciada é aquela que é manuseada com o fim de alterar diversas inscrições, em especial a era, nas moedas cujas cunhagens foram de pequena monta, e por conseguinte a sua existência é muito escassa, obrigando a uma grande procura por parte dos coleccionadores, aumentado e especulando por vezes o preço de peça em causa.
São exemplo de algumas moedas com estas características:
Moeda de $01 (Um centavo) - (Bronze), do ano de 1922 - exemplares viciados.
Moeda de $02 (Dois centavos) – (Ferro), do ano de 1918 – exemplares falsos.
Moeda de $05 (Cinco centavos) – (Bronze), do ano de 1922 – exemplares viciados.
Moeda de $10 (Dez centavos) – (Bronze), do ano de 1930 – exemplares falsos.
Moeda de $20 (Vinte centavos) – (Cuproníquel), do ano de 1922 – exemplares falsos.
Moeda de $50 (Cinquenta centavos) – (Bronze - alumínio), do ano de 1925 – ex. viciados.
Moeda de 1$00 (Um escudo) – (Alpaca), do ano de 1935 – exemplares viciados.
Moeda de 10$00 (Dez escudos) – (Prata), do ano de 1942 – exemplares falsos.

Moedas de eixos deslocados


Moeda de eixo deslocado a 180ºgraus
Eixo vertical, - (Eixo raro












Moedas de eixos deslocados a 90ºgraus














Moedas de eixos deslocados a 45ºgraus



Alguns estados de conservação de moedas

Moeda mal conservada


Moeda muito bem conservada


Moeda Bela a Soberba


continua


Publicado no Jornal das Caldas em 08-02-2012












Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012


















NUMÁRIA

MOEDA
ESCUDO REPUBLICANO
1911— 2001

II

(Continuação)


Colecção de moedas correntes com acabamento (Proof) ou (Prova numismática) - são as moedas cunhadas sobre discos metálicos especialmente preparados com cunhos foscados e polidos, apresentando o campo espelhado e os relevos matizados.
Foram fabricadas carteiras com moedas representativas das correntes dos anos a que dizem respeito e nalguns casos introduzida uma moeda comemorativa relacionada com determinada efeméride relativa a esse ano:
Ano de 1993)- carteira composta por 7 moedas, emitidas 5 000 unidades; 02)-Ano de 1994 - carteira composta por 7 moedas, emitidas 7 000 unidades; 03)-Ano de 1995 - carteira composta por 7 moedas, emitidas 5 000 unidades; 04)-Ano de 1996 - carteira composta por 8 moedas, emitidas 5 000 unidades; 05)-Ano de 1997 - carteira composta por 9 moedas, emitidas 10 000 unidades; 06)- Ano de 1998 - carteira composta por 8 moedas, emitidas 7 800 unidades; 07)- Ano de 1999 - carteira composta por 9 moedas, emitidas 15 000 unidades; 08)-Ano de 2000 - carteira composta por 8 moedas, emitidas 5 000 unidades; e 09)-Ano de 2001 - carteira composta por 7 moedas, emitidas 10 000 unidades;
Aquando do fabrico de moeda e com o uso desmesurado dos cunhos no fabrico da mesma, estes vão sofrendo deformações desgastando-se, ou alterando a posição de um em relação ao outro, o que permite assim o surgimento de moedas com defeitos, não só na sua concessão no anverso como no reverso, com relevos pouco visíveis, ou falta de elementos na gravação. No que à posição dos cunhos diz respeito, os mesmos sofrem deslocações com o batimento em contínuo sobre o metal a cunhar, de tal forma que, os desvios sofrem deslocações que vão desde os 10 a 180 graus, tornando-se exemplares bastante procurados pela sua raridade, atingindo por vezes elevado valor, pois não se sabe a quantidade de moeda existente com estas características. São exemplo de algumas moedas com estas características:
Moedas com eixos deslocados ou desviados
Moeda de $10 (Dez centavos) - (Bronze níquel)
Ano de 1947 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; Ano de 1951 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1965 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1965 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; Ano de 1968 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; Ano de 1968 – moeda de eixo vertical 180ºgraus e Ano de 1969 – moeda de eixo vertical 180ºgraus.
Moeda de $10 (Dez centavos) - (Alumínio)
Ano de 1974 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1974 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; Ano de 1975 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; e Ano de 1976 – moeda de eixo vertical 180ºgraus.
Moeda de $20 (Vinte centavos) - (Bronze - níquel)
Ano de 1951 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1964 – moeda de eixo vertical 180ºgraus.
Moeda de $20 (Vinte centavos) – (Bronze)
Ano de 1973 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1974 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1974 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus.
Moeda de $50 (Cinquenta centavos) – (Bronze)
Ano de 1971 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; Ano de 1973 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; Ano de 1975 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; Ano de 1979 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus.
Moeda de 1$00 (Um escudo) – (Bronze)
Ano de 1975 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; Ano de 1976 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1979 – moeda de eixo vertical 180ºgraus.
Moeda de 1$00 (Um escudo) – (Latão – níquel)
Ano de 1982 – moeda de eixo vertical 180ºgraus.
Moeda de 2$50 (Dois escudos e cinquenta centavos) – (Cuproníquel)
Ano de 1964 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1973 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1974 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1974 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; Ano de 1975 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; Ano de 1975 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1976 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1977 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1982 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1983 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; Ano de 1983 – moeda de eixo vertical 180ºgraus.
Moeda de 5$00 (Cinco escudos) – (Cuproníquel)
Ano de 1975 – moeda de eixo deslocado a 90ºgraus; Ano de 1976 – moeda de eixo vertical 180ºgraus; Ano de 1981 – moeda de eixo vertical 180ºgraus.
Moeda de 25$00 (Vinte e cinco escudos) (Módulo maior) – (Cuproníquel)
Ano de 1982- moeda de eixo desviado a 90º.graus.
Ano de 1984 – moeda de eixo vertical 180ºgraus
Moeda de 100$00 (Cem escudos) – (Cobre – alumínio e níquel compõem o núcleo interno e Cuproníquel a coroa exterior) (Bimetálica).
Ano de 1991 – moeda de eixo vertical 180ºgraus;
Ano de 1992 – moeda de eixo vertical 180ºgraus.
Existem diversos bordos de moeda; bordos lisos, serrilhados, legendados, com legendas invertidas, lisos alternando com serrilha, sendo o mais comum o bordo serrilhado.
São exemplo de moedas com legenda invertida no bordo:
Moeda de 10$00 (Dez escudos) – (Cuproníquel)
Anos de 1971, 1972, 1973 e 1974.
Moeda de 50$00 (Cinquenta escudos) (Prata)
Ano de 1969 – moeda alusiva a Vasco da Gama; Ano de 1969 – moeda alusiva ao Marechal Carmona; e Ano de 1971 – moeda alusiva aos 125 anos do Banco de Portugal.
Existem moedas que apresentam erros ortográficos o que de certo modo não é de todo abonatório para a CM/INCM, tanto mais que se trata de uma Instituição com vários séculos de existência e ao longo dos quais sempre primou pelo rigor na elaboração dos seus trabalhos, obtendo significativos êxitos e inúmeros prémios a nível internacional com os seus trabalhos numismáticos:
Moeda de 100$00 (Cem escudos) - (Cobre – alumínio e níquel compõem o núcleo interno e Cuproníquel, a coroa exterior) (Bimetálica).
Ano de 1999 – moeda comemorativa do 50º. Aniversário do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). A circundar o escudo de Portugal está inscrita a legenda, “República Portugusa 1999”
Moeda de 200$00 (Duzentos escudos) - (Cuproníquel, compõe o núcleo interno, Cobre – alumínio e níquel compõem a coroa exterior) (Bimetálica).
Ano de 2000 – moeda comemorativa dos Jogos Olímpicos de Sydney. Na parte inferior da moeda e na coroa exterior está escrito “Sidney 2000”.
Classificação das moedas quanto ao seu estado de conservação
- B.C. (Bem Conservada) – Moeda bastante usada, mas que ainda contém os detalhes bem visíveis e de aspecto agradável.
- M.B.C. (Muito Bem Conservada) – Moeda circulada, que mantém todos os detalhes bem visíveis.
- Bela – Moeda muito pouco circulada, sem possuir qualquer tipo de desgaste somente nos relevos mais elevados, observando-se a olho nu.
- Sob (Soberba) – Moeda que não apresenta qualquer tipo de uso, mas pode apresentar alguns traços ou riscos devido à sua armazenagem ou abrasão.
- F.D.C. (Flor do cunho) – Moeda impecável, ausência total de mossas ou manchas, ou outro qualquer tipo de deformação.

(continua)


Publicado no Jornal das Caldas em 01-02-2012

Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012







NUMÁRIA
MOEDA
ESCUDO REPUBLICANO
1911— 2001


I


Com a proclamação da República em 5 de Outubro de 1910 muitas e profundas alterações se procederam em todos os sectores da sociedade, dando um forte cunho ao novo regime ora implementado, concorrendo para isso a criação de símbolos que foram marcantes e eternizados como, o novo Hino Nacional, uma nova Bandeira e a criação de um novo Sistema Monetário (uma nova moeda).
No ano de 1904 a moeda portuguesa apresentava em relação aos outros países da Europa uma desvalorização enorme, o que dificultava a realização de transacções comerciais com avultadas quantidades de notas envolvidas; os registos nos livros comerciais com elevado número de algarismos, o que também dificultava o exercício. Pensou-se proceder a uma modificação do sistema monetário, cuja unidade monetária seria denominada “Luso”, pois diria a toda a gente que é a moeda da antiga Lusitânia, e que a mesma seria dividida na forma decimal até aos centésimos. A conversão seria na proporção de 200 reis para um luso. Tal reforma não se veio a concretizar devido às crises económicas e financeiras que se seguiram. Após a Implantação da República e depois de elaborados estudos, foi criado o Decreto Fundador do Escudo Republicano, datado de 22 de Maio de 1911, que nos diz o seguinte:
“Além da razão apontada, outras que já tinham sido anunciadas em Outubro de 1904, na sua proposta de modificação do sistema monetário, foi adoptada como nova unidade monetária, o (Escudo) de ouro, cuja moeda conterá o mesmo peso de ouro fino que a actual moeda de 1 000 reis em ouro. O escudo dividir-se-á em 100 partes iguais, denominadas centavos, correspondendo assim um centavo a 10 reis. Como múltiplos do escudo, serão cunhadas moedas de 2, 5 e 10 escudos em ouro, as quais equivalerão às moedas de 2, 5 e 10 mil reis; como submúltiplos, moedas de prata de valor legal de 50, 20 e 10 centavos, que corresponderão às moedas de 500, 200 e 100 reis; como moedas subsidiárias de bronze níquel, de valor legal de 4, 2, 1, e 0,5 centavos, correspondentes às moedas de 40, 20, 10 e 5 reis. A conversão seria de 1 000 reis para 1 escudo”.
Para que se procedesse à cunhagem de novas moedas, era necessária uma quantidade assinalável de metais preciosos e de outras ligas para levar em frente tão arrojada mas necessária mudança; a inflação alastrava, o que dificultava e alterava a atribuição do valor da moeda; a constante procura de metais para fazer face às necessidades da indústria bélica (1ª. Guerra Mundial), que entretanto deflagrara, e em que Portugal se viu envolvido, era de máxima prioridade. Perante estas circunstâncias era confrangedor a falta de moeda subsidiária, o que levou a que os diversos Governos tomassem medidas no sentido de decretar a emissão de cédulas, de baixo valor em princípio pela Casa da Moeda, e depois, através de entidades oficiais como, Câmaras Municipais, Bancos Comerciais, Casas da Misericórdia, Hospitais, Entidades Particulares acreditadas na sociedade, etc. e por fim, até as simples mercearias de bairro se serviam de um pedaço de papel e nela inseriam determinada importância, de pequena monta, para facilitar os trocos. As primeiras moedas emitidas pela Casa da Moeda são as de valor facial de dez centavos, vinte centavos, cinquenta centavos e um escudo, em prata. As dificuldades com as cunhagens das moedas alastraram-se até ao fim da 1ª. República (1926).
Não são emitidas moedas de ouro, ao contrário do estipulado pelo decreto de 22 de Maio de 1911.
Ao longo dos 90 anos (1911-2001), foram feitas cunhagens de moeda de tipo corrente e somente a partir do ano de 1974, foi iniciada a cunhagem de moedas com acabamento especial, (moeda BNC e moeda Proof). É sobre a moeda corrente que versa este trabalho, fazendo algumas anotações aos tipos de acabamento de moedas, mais adiante.
Foram efectuadas cunhagens de moedas de 20 valores faciais e dos mais diversos metais: valores e metais: $01 (um centavo), em bronze; $02 (dois centavos), em ferro e bronze; $04 (quatro centavos), em cuproníquel; $05 (cinco centavos), em bronze; $10 (dez centavos), em prata, cuproníquel, bronze e alumínio; $20 (vinte centavos), em prata, cuproníquel e bronze; $50 (cinquenta centavos), em prata, bronze alumínio, alpaca; 1$00 (um escudo), em prata, bronze alumínio, alpaca, bronze e latão níquel; 2$50 (dois escudos e cinquenta centavos), em prata e cuproníquel; 5$00 (cinco escudos), em prata, cuproníquel e latão níquel; 10$00 (dez escudos), em prata, cuproníquel e latão níquel; 20$00 (vinte escudos), em prata e cuproníquel; 25$00 (vinte e cinco escudos), em cuproníquel; 50$00 (cinquenta escudos), em prata e cuproníquel; 100$00 (cem escudos), em prata, cuproníquel e uma outra com um núcleo interno de cobre alumínio níquel e uma coroa exterior de cuproníquel; 200$00 (duzentos escudos), com um núcleo interno de cuproníquel e uma coroa de cobre alumínio níquel e cuproníquel; 250$00 (duzentos e cinquenta escudos), em prata e cuproníquel; 500$00 (quinhentos escudos), em prata; 750$00 (setecentos e cinquenta escudos), em prata; e 1 000$00 (mil escudos), em prata. As moedas tinham os mais variados pesos e diâmetros, desde a moeda de $10 em alumínio que pesava 0,5, e com o diâmetro de 15 mm., até à moeda maior, de 1.000$00 em prata com o peso de 27 g, e um diâmetro de 40 mm.
Quanto aos bordos das moedas, existem serrilhados, lisos, serrilhados e lisos alternadamente, e com inscrições no bordo, alguns com inscrições invertidas.
As moedas com acabamento BNC (Brilhante não circulada) e Proof (Prova numismática), começaram a ser cunhadas as em Portugal no ano de 1974 e o ciclo iniciou-se com as moedas comemorativas da Revolução do 25 de Abril de 1974 com os valores faciais de 100$00 e 250$00. No tipo de moedas com acabamentos especiais, foram empregues os seguintes metais: cobre alumínio níquel e cuproníquel, (este conjunto de metais aplicados às moedas bimetálicas de 100$00 e 200$00); cuproníquel; prata; ouro e prata, (moeda lamelar), ouro, paládio e platina nas moedas de 100$00, 200$00 e 500$00; e de prata nas moedas de 1.000$00.
Na gíria popular foram dados nomes às diversas moedas que as caracterizaram para sempre como: $10 de cobre chamavam-lhe o “cruzado”; à moeda de $20 de cobre, “dois cruzados”, porque no anverso das moedas apresentavam respectivamente o número X e XX em romano e no reverso apresentava uma cruz, daí advindo o nome de moedas de cruzados; a moeda de $50 de alpaca foi baptizada com o nome de “coroa”, pois no anverso da moeda estava representado o escudo nacional entre vergônteas de louro e carvalho, que mais parecia uma coroa; à moeda de 2$50 foi-lhe dado o nome de “5 coroas” pois correspondia a cinco moedas de $50; a moeda de 10$00, comemorativa da Batalha de Ourique (1928), foi apelidada de “moeda de cavalinho”, por ter na composição do anverso a representação de um cavalo e o seu cavaleiro. Também se atribuíram outros nomes às moedas de baixo valor, “tostões”, exemplo; à moeda de $10 (um tostão), à moeda de $20 (dois tostões), à moeda de $50 (cinco tostões), à moeda de 1$00 (dez tostões) e à moeda de 2$50 (vinte e cinco tostões); já às de montante mais elevado chamavam-nas de “paus”, exemplo; à moeda de 5$00 (cinco paus), à moeda de 10$00 (dez paus), à moeda de 20$00 (vinte paus), à moeda de 50$00 (cinquenta paus), assim como a todas as outras que mais tarde apareceram com outros valores mais elevados
Ao dinheiro tanto seja expresso em notas como em moedas e consoante o montante envolvido, o povo, adjectivou-o do seguinte modo:
1)- Algum; 2)- Arame; 3)- Bagalhoça; 4)- Bago; 5)- Bagulho; 6)- Barão; 7)- Bazaruco; 8)- Bomba; 9)- Bronze; 10)- Cabedal; 11)- Cacau; 12)- Cantante; 13)- Carcanhóis; 14)- Caroço; 15)- Cascalho; 16)- Chapa; 17)- Cash; 18)- Chavo; 19)- Cheta; 20)- Cobre; 21)- Contos; 22)- Contado; 23)- Estaleca; 24)- Ganhapão; 25)- Grana; 26)- Guita; 27)- Maçaroca; 28)- Maquia; 29)- Massa; 30)- Metálico; 31)- Milho; 32)- Móni; 33)- Níquel; 34)- Nota; 35)- Onça; 36)- Ouro; 37)- Painço; 38)- Papel; 39)- Pasta; 40)- Pilim; 41)- Prata; 42)- Sonante; 43)- Tostão; 44)- Trocados; 45)- Vintém, etc...

Foram fabricadas quatro mil quinhentos e trinta e cinco milhões setecentos e dezanove e mil seiscentas e vinte e cinco moedas correntes, que consumiram vinte e seis milhões quinhentos e cinquenta mil quinhentos e quarenta e sete quilogramas dos mais diversos metais.
O Decreto com força de Lei de 22 de Maio de 1911 previa a emissão de moedas de ouro de 10$00 com o peso de18,065 g,, 5$00 com o peso de 9,0325 g., de 2$00 com o peso de 3,613 g. e de 1$00 com o peso de 1,8063 g.
Moedas com Acabamento especial
As moedas com acabamento especial, são de dois tipos:
BNC (Brilhante não circulada) e Prova numismática (Proof).
Colecção de moedas correntes com acabamento (BNC).
BNC (Brilhante não circulada) - são as moedas cunhadas sobre discos metálicos especialmente preparados com cunhos polidos, apresentando o campo e os relevos uniformemente brilhantes.
Foram fabricadas carteiras com moedas representativas das correntes dos anos a que dizem respeito e nalguns casos introduzida uma moeda comemorativa relacionada com determinada efeméride relativa a esse ano:
01)-Ano de 1986 - carteira composta por 5 moedas, emitidas 50 000 unidades; 02)-Ano de 1987 - carteira composta por 6 moedas, emitidas 50 000 unidades; 03)-Ano de 1988 - carteira composta por 5 moedas, emitidas 20 000 unidades; 04)-Ano de 1989 - carteira composta por 6 moedas, emitidas 30 000 unidades; 05)-Ano de 1990 - carteira composta por 6 moedas, emitidas 30 000 unidades; 06)-Ano de 1991 - carteira composta por 6 moedas, emitidas 20 000 unidades; 07)-Ano de 1992 - carteira composta por 7 moedas, emitidas 20 000 unidades; 08)-Ano de 1993 - carteira composta por 7 moedas, emitidas 20 000 unidades; 09)-Ano de 1994 - carteira composta por 7 moedas, emitidas 20 000 unidades; 10)-Ano de 1995 - carteira composta por 7 moedas, emitidas 20 000 unidades; 11)-Ano de 1996 - carteira composta por 8 moedas, emitidas 15 000 unidades; 12)-Ano de 1997 - carteira composta por 9 moedas, emitidas 20 000 unidades; 13)-Ano de 1998 - carteira composta por 8 moedas, emitidas 16 500 unidades; 14)-Ano de 1999 - carteira composta por 9 moedas, emitidas 15 000 unidades; 15)-Ano de 2000 - carteira composta por 8 moedas, emitidas 10 000 unidades; e 16)- Ano de 2001- carteira composta por 7 moedas, emitidas 50 000 unidades.


(continua)


Publicado no Jornal das Caldas em 25-01-2012

Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Coleccionismo
Numismática






Moeda de Ouro

Tesouros Numismáticos Portugueses

O Português de D. Manuel I






A Imprensa Nacional Casa da Moeda pôs em curso, no ano de 2009 um plano numismático extremamente ambicioso, o qual tem sido bastante admirado e sobre o qual se tem tecido os maiores elogios. A este, foi-lhe dado o nome “Tesouros Numismáticos Portugueses”, e abrange a reprodução de um conjunto de cinco moedas batidas e cunhadas em ouro, desde o inicio da nacionalidade (reinado de D. Sancho II até ao reinado de D. Maria II), que pelo seu significado foram consideradas as moedas de maior prestígio nacional, havendo uma que pelas suas qualidades atingiu o auge em toda a Europa durante dois séculos, tendo sido considerada uma moeda muito forte e de enorme impacto a nível mundial, ao ponto de ter sido batida por alguns estados e cidades integrados na Liga Hanseática.
No ano de 2009 foi cunhada a reprodução da moeda do reinado do rei D. Sancho II “O Morabitino”, com o valor facial de € 2,50, de 26,5 mm. de diâmetro, 10,37 g. de peso em ouro e com a permilagem de 99,9%.
No ano de 2010 foi cunhada a reprodução da moeda do reinado do rei D. João II “O Justo”, com o valor facial de € 5,00, de 30 mm. de diâmetro, 15,55 g. de peso em ouro e com a permilagem de 99,9%.
No presente ano foi cunhada a reprodução da moeda do reinado do rei D. Manuel “O Português”, com o valor facial de € 7,50, 33 mm. de diâmetro, 23,33 g. de peso, e com a permilagem de 99,9%, com acabamento proof e com um limite de emissão de 2.500 unidades.
Para os próximos anos de 2012 e 2013 e não havendo surpresas de maior, serão cunhadas respectivamente réplicas das moedas da dobra de “24 Escudos”, a maior moeda que se cunhou em Portugal, e uma das maiores do mundo, no reinado de D. João V, e a peça “A Degolada”, do reinado de D. Maria II, terminando com esta este ciclo.

D. Manuel I, nasceu no ano de 1469 em Alcochete e faleceu na cidade de Lisboa no ano de 1521, sendo cognominado de “O Venturoso”, ”O Bem Aventurado” ou “O Afortunado”, tanto pelos eventos felizes que o levaram ao trono, como pelos que ocorreram no seu reinado. D. Manuel, sucedeu ao seu primo direito D. João II, prosseguindo as explorações portuguesas pela costa ocidental de África, estabelecendo feitorias, de tal modo que o levou à descoberta do caminho marítimo para a Índia. Foi o primeiro rei a assumir o título de Senhor do Comércio, da Conquista e da Navegação da Arábia, Pérsia e Índia, no ano de 1521.
A riqueza começava a afluir ao reino, com a chegada do ouro proveniente da costa africana, primeiro da Mina (São Jorge da Mina, região da Guiné) e depois do Monomotapa (era o soberano que reinava na bacia do rio Zambeze), o ouro era proveniente das zonas auríferas de Butua (Transval), Mokaranga (Rodésia) e Mata-belé (zona compreendida entre os rios Limpopo e Zambeze).
A descoberta do caminho marítimo para a Índia tinha como objectivo primordial a instalação de uma carreira de comércio de especiarias; valendo-se dos recursos do ouro da Mina, D. Manuel, mandou lavrar as moedas “O Português” de ouro, que se caracterizou como sendo a maior e mais pesada moeda europeia da época com o valor de 10 cruzados de ouro, equivalente a 3.900 reais e com o peso de 35,5 gramas de ouro maciço, a qual foi considerada a moeda mais representativa da expansão portuguesa, fazendo-a acompanhar na armada de Vasco da Gama, a fim de servir para troca com a aquisição de bens ou especiarias, ou como gratificações de serviços prestados e também como ofertas do soberano português a outros soberanos.
A propósito desta escreveu no ano de 1566 Damião de Góis na Crónica do Felicíssimo Rei D. Manuel: “(… mãdou lavrar no ano de mil quatroçetos, noventa e nove, Portugueses douro, de dez cruzados de valor cada hum de vinte e quatro quilates, que hera a mesma lei dos cruzados, hus quaes Portugueses tinham de hua parte de cunhos há cruz da ordem de christus, e hum letreiro que dizia, In hoc signo vinçes, e da outra parte tinham ho scudo das armas do regno com sua coroa., e dous letreiros, hum na grafilla de fora aho redor que dizia, primus Emanuel Rex Portugalie, Algarbiorum citra, e vlara in Africa, e dominus Guinae, e outro letreiro aho redor das armas que dizia, conquista nauegação, comerçio AEtiopiae, Arabie, Persiae,Indiae)”.
Esta moeda foi batida na cidade de Lisboa, Porto, Goa, Cochim e Malaca, tal o prestígio e o poder liberatório que alcançou, continuando a ser batida no reinado de D. João III e também na Liga Hanseática, (A Liga Hanseática foi uma aliança de cidades mercantis que estabeleceram e mantiveram um monopólio comercial sobre quase todo o norte da Europa e Báltico, desde a Idade Média, séc. XII até à idade Idade Moderna, séc. XVII).

No seu apogeu a Liga Hanseática contava com cerca de 90 cidades do mar do Norte e do mar Báltico, entre elas: Lubeck, Hamburgo Amsterdão, Bergen, Bordéus, Bruges, Colônia, Cracóvia, Groningen, Hildesheim, Londres, Nantes, Novgorod, Praga, Reval, Riga, Rostock, Stralsund, Toruń, Varsóvia, Wismar, Antuérpia e Coprnhaga.
É a demonstração real que estas espécies áureas de indubitável valor, penetraram na Europa Central e Setentrional onde pagavam todos os produtos exportados pelos portos dessa zona, mas em especial pelo porto de Antuérpia. Serviram também para pagar acordos diplomáticos, baseados em casamentos régios, estabelecidos com o Sacro Império Romano Germânico.
Estas moedas foram copiadas e cunhadas em diversos estados e cidades da Europa, desde 1570 a 1640, ficando na história como “Os Portugaloser”.

A moeda “O Português” de D. Manuel I
Características: O Português tinha o valor de 10 Cruzados em ouro, media 35,2 mm de diâmetro e pesava 35,22 g.

Anverso: As legendas, (Manuel I, Rei de Portugal e dos Algarves, daquém e além mar em África, Senhor da Guiné, da conquista e navegação e comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia), em duas linhas. Ao centro as armas do Reino, entre dois aneletes.

Reverso:
A legenda (Com este sinal vencerás). Ao centro a cruz de Cristo com um ponto ao meio, tendo no braço superior três pontos.
O valor actual desta moeda encontrando-se em bom estado de conservação, e segundo Javier Salgado, especialista e estudioso nesta matéria, oscila entre os 60.000 a 70.000 €uro, podendo atingir valores muito mais elevados em função do seu estado de conservação.


Bibliografia: Moedas de Prestígio Internacional - Banco de Portugal; Moedas de Ouro de Portugal dos séculos V a XX de Javier S. Salgado e Colecção particular do autor.

Óbidos, 2 de Dezembro de 2011.


Publicado no Jornal das Caldas em 18-01-2012.


F I M

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011




Artigo 75
Centenário da Implantação da República
(1910-2010)
Numária

O Papel-moeda



DEZ MIL ESCUDOS
Infante D. Henrique






Chapa 2


A efígie do Infante D. Henrique (1394-1460), um dos vultos mais notáveis da história da civilização europeia, foi a personalidade escolhida para figurar nesta nota. A parte da frente da nota apresenta sobre o lado esquerdo a marca de água e uma faixa de cor castanha com o número 10000; ao centro as armas de Portugal; e à direita a efígie do Infante com a heráldica dos Lencastre. No verso, a nota apresenta sobre o lado esquerdo uma versão da iluminura da Crónica da Guiné de Gomes Eanes de Zurara; ao centro uma caravela de velas içadas e a cruz de Cristo; sobre o lado esquerdo a respectiva marca de água. A maqueta é de autoria de Luís Filipe de Abreu, com trabalhos preliminares de De La Rue Giori SA da Suíça, e a impressão e estampagem das notas ficaram a cargo da firma inglesa, Thomas De La Rue & Cº. Ltd.. Tem como marca de água quando vista à transparência pela frente a efígie do Infante D. Henrique.
Dimensões da nota 156 x 75 mm. Foram emitidas 56 675 103 notas com a data da primeira emissão de 2 de Maio de 1996 e a última emissão datada de 12 de Fevereiro de 1998. Foram retiradas de circulação em 28 de Fevereiro de 2002.

Ver a biografia inserida na chapa 6 da nota de quinhentos escudos.

F I M

Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal.
Óbidos – Outubro 2010.

Publicado no Jornal das Caldas em 19-10-2011.

Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011



Artigo 73
Centenário da Implantação da República
(1910-2010)
Numária
O Papel-moeda

CINCO MIL ESCUDOS

Vasco da Gama



Chapa 3



Esta chapa que deu origem a última nota de valor de cinco mil escudos, apresenta na frente sobe o lado esquerdo a marca de água e uma faixa vertical em tons verdes com o número 5000; ao centro a cruz de Cristo sobre a esfera armilar; e no lado direito a efígie de Vasco da Gama. No verso apresenta sobre o lado esquerdo uma representação do encontro de Vasco da Gama com o Samorim de Calecute; ao centro uma pimenteira, uma nau com as velas içadas com a cruz de Cristo e o brasão de armas do Conde da Vidigueira; sobre o lado direito a respectiva marca de água. As notas têm como base a tonalidade da cor esverdeada. A maqueta é de autoria de Luís Filipe de Abreu e a impressão das notas ficou a cargo da firma Thomas De La Rue & Cº. Ltd., de Inglaterra, com trabalhos preliminares da firma Suíça de De La Rue Giori, SA. Dimensões da nota 147 x 75 mm. Foram emitidas 228 931 555 notas, cuja primeira emissão é datada de 5 de Janeiro de 1995 e a última de 2 de Julho de 1998. Foram retiradas de circulação em 28 de Fevereiro de 2002.

Ver a biografia inserida na chapa 2 da nota de quinhentos escudos.

F I M

Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal.
Óbidos – Outubro 2010.Publicado no Jornaldas Caldas de 05-10-2011.