quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Numismática
Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

26ª. Moeda
50º. Aniversário do Tratado de Roma
2 Euro          
Características da moeda
 
F.C.: Apresenta no centro do campo e no círculo interior o mapa da Europa, salientando-se os países aderentes à União Europeia, e o círculo exterior apresenta-se vazio.
F.N.: Apresenta no centro do campo e no círculo interior por cima a legenda “Tratado de Roma – 50 anos” em duas linhas, mais abaixo a legenda “Europa”, acompanhando a representação do Tratado assinado pelos seis países fundadores, sobre um fundo que representa o pavimento da Piazza del Campidoglio em Roma, desenhado por Miguel Ângelo, e no campo inferior as legendas “2007” e “Portugal”, em duas linhas. O círculo exterior é completado pelas doze estrelas que representam os países criadores da moeda.
Autor: Luc Luycx e Michelangelo.
Moeda em Cuproníquel e níquel (bimetálica) com acabamento normal:
Valor facial 2 Euro; Ni; Dia 25,75 mm; Peso 8,50 g.; Bordo circular, bicolor, serrilhado com inscrição. Cunhagem 1.000.000 exemplares.
Moedas em Cuproníquel e níquel (bimetálica) com acabamento BNC. Cunhagem de 15.000 exemplares. Moedas em Cuproníquel e níquel (bimetálica) com acabamento Proof. Cunhagem de 5.000 exemplares.
O Tratado de Roma e seu desenvolvimento

 O Tratado de Roma foi o nome dado a dois Tratados: 1º)- Tratado da Comunidade Económica Europeia (CEE) e 2º)- pelo Tratado da Comunidade Europeia da Energia Atómica, em Março de 1957, sendo os seus protagonistas e fundadores (Alemanha Federal, Itália, Bélgica, França, Países Baixos e Luxemburgo), entrando em vigor no primeiro dia do ano de 1958. A assinatura deste tratado é o culminar de um processo que surge após o fim da 2ª. Guerra Mundial que deixou a Europa totalmente destruída economicamente e politicamente em relação às 2 grandes potência de então, Estados Unidos e União Soviética. Era necessário e urgente proceder de imediato à reconstrução da velha Europa e, ao mesmo tempo, muni-la de instrumentos que não viessem a permitir a repetição de uma outra guerra mundial que tivesse como palco a mesma Europa.


A C.E.E. foi uma organização internacional criada pelos países acima referenciados que tinham como finalidade estabelecer um mercado e impostos alfandegários externos comuns, uma política conjunta para a agricultura, políticas para o movimentação da mão de obra e transporte de pessoas e bens. Estas instituições fundiram-se no ano de 1965 com as da (CECA) e as da (EURATOM), devido ao tratado de Bruxelas. No ano de 1973, aderiram à C.E.E. o Reino Unido, Irlanda e Dinamarca; a Grécia no ano de 1981 e Portugal e Espanha no ano de 1986. Após a assinatura do Tratado de Maastrich no ano de 1992, a C.E.E. mudou de nome para Comunidade Europeia (C.E.), absorvendo as Comunidades, mas a (CEEA) não se fundiu com a União, mantendo a sua personalidade jurídica distinta, embora partilhe as mesmas instituições. A  Constituição Europeia de 2004 tinha como objectivo consolidar todos os tratados anteriores mas, provavelmente devido ao forte sentimento antinuclear do eleitorado europeu, o Tratado Euratom não foi ratificado de forma igual aos anteriores, permanecendo separado do texto da Constituição. O Tratado de Lisboa, assinado a 13 de Dezembro de 2007, modifica certas disposições do Tratado Euratom através do seu "Protocolo nº 2, que altera o Tratado que institui a União Europeia da Energia Atómica. Outros países se juntaram à União Europeia; assim no ano de 1995, juntaram-se a Áustria, Finlândia e Suécia; no ano de 2004, juntaram-se Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e República Checa; no ano de 2007, juntaram-se a Bulgária e a Roménia; no ano de 2013 juntou-se a Croácia.
O Tratado de Maastrich teve por principal objectivo a criação de uma nova moeda para os países da União Europeia, denominada “Euro” e que foi introduzida no primeiro dia do ano de 2002 nos seguintes países: Alemanha Federal, Itália, Bélgica, França, Países Baixos, Luxemburgo, Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda, Finlândia e Áustria, sendo estes considerados os países fundadores do Euro. Outros países aderiram posteriormente a este sistema monetário como: Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia e Malta.
Naturalmente, e após ultrapassar a crise que se vive de momento na União Europeia, novos países irão integrar o grupo dos que aderiram à moeda única e outros mais solicitarão a sua integração de pleno direito na União Europeia.

Fontes: “Wikipedia; trechos avulsos da I.N.C.M. e colecção particular do autor.

F I M

Publicado no Jornal das Caldas em 19-02-2014

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Numismática
Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

25ª. Moeda
Série Portugal Universal
Santo António
¼ de Euro

 

Anv: Apresenta no centro do campo o escudo das armas nacionais assente sobre a esfera armilar, na orla superior a legenda “República Portuguesa”, por baixo da esfera armilar o valor facial da moeda ¼ de Euro em duas linhas.

Rev: Apresenta no campo central a figura a corpo inteiro da imagem do Santo, ladeado pelas legendas “Santo António” e as eras “1195 – 1237” e “2007”.
Autor: Helder Batista.
Moeda de Ouro com acabamento à flor do cunho
Valor facial ¼ de Euro; Au: 999,9%o de toque; Dia 14 mm; Peso 1,56 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem 30.000 exemplares.

 Santo António de Lisboa ou Santo António de Pádua nasceu na cidade de Lisboa, pensa-se que no ano de 1195 e faleceu na cidade de Pádua (Itália) em Junho de 1231; o seu nome de baptismo era Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo, filho de Martim de Bulhões e de Maria Teresa Taveira Azevedo; era também conhecido por Santo António de Pádua porque aí viveu e aí faleceu, sendo que na religião católica os Santos eram conhecidos pelo nome da cidade onde faleceram.
Santo António fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (hoje Sé de Lisboa) ingressando na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora, como noviço no ano de 1211. Por este convento permaneceu cerca de três anos, tendo ingressado com a idade de 18 ou 19 anos no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde estudou Direito Canónico, Filosofia e Teologia. No ano de 1220, trocou a Regra de Santo Agostinho pela Ordem de São Francisco, recolhendo-se nos Olivais em Coimbra e mudando também o nome para António. No ano de 1221, embarcou para Marrocos em acção de evangelização, mas foi acometido de grave doença, sendo repatriado para Portugal. No regresso uma tempestade assolou a embarcação e esta arrastou o barco para as costas da Sicília. Aqui, em Itália, os seus discursos notabilizaram-no como um exímio teólogo e belíssimo pregador. No ano de 1222, dissertando para religiosos Franciscanos e Dominicanos de forma admirável, o Provincial da Ordem de imediato o destinou à evangelização. Neste mesmo ano, conheceu Francisco de Assis, sendo nomeado pregador da Ordem. Em 1225, seguiu para França, instalando-se em Toulouse como pregador, desenvolvendo as suas aptidões de orador a tal ponto que lhe foi confiada a guarda do Convento de Puy-en-Velay e a guarda da província de Limoges. Pouco depois, instalou-se em Marselha mas por pouco tempo, pois foi escolhido para Provincial da Romanha. No ano de 1226, morreu Francisco de Assis e Santo António voltou a Itália. No ano de 1228, assistiu à canonização de São Francisco. Na Basílica de São João de Latrão, em Roma, pregou diante do Papa Gregório IX. Neste mesmo ano, deslocou-se a Ferrara, Bolonha e Florença, continuando com as suas pregações. No ano de 1229, dividiu-se entre Varese, Bréscia, Milão, Verona e Mântua pregando com muita intensidade, cativando cada vez mais crentes. No ano de 1231, concluiu a redacção dos “Sermões Festivos”. Neste mesmo ano, após ter encetado contactos com o papa Gregório IX, regressou a Pádua, bastante doente, vindo a falecer a 13 de Junho de 1231 no Oratório de Arcela, tendo entre 36 a 40 anos de idade. Os seus restos mortais repousam na Basílica de Pádua, construída em sua memória. O papa Gregório IX, canonizou-o na catedral de Espoleto no ano de 1232. Foi proclamado doutor da Igreja pelo papa Pio XII, no ano de 1946. São suas atribuições – o livro, o pão, o Menino Jesus e lírio. É o padroeiro da cidade de Lisboa e da cidade de Pádua, dos pobres, das mulheres grávidas, dos casais, das pessoas que desejam encontrar objectos perdidos, dos oprimidos, etc… O dito popular, quando se faz um pedido ao Santo, assenta na seguinte frase: “Valha-me Santo António”. Foram erigidas Igrejas com o seu nome em Pádua, Roma e Lisboa. O dia 13 de Junho, data do seu falecimento, é a data da festa litúrgica e da cidade de Lisboa.

Aquando do 7º. Centenário do seu Nascimento, foram emitidos selos de diversos valores, os quais abaixo se reproduzem pelo seu significado, simplicidade e beleza.
 Aquando das Comemorações do 8º. Centenário do Nascimento do Santo, a I.N.C.M. cunhou uma moeda em prata no valor de 500$00 para celebrar a efeméride.






Bibliografia: “Wikipedia, trechos avulsos da I.N.C.M. e colecção particular do autor.

F I M
Publicado no Jornal das Caldas em  05-02-2014

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Numismática
Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro
  
24ª. Moeda
Campeonato do Mundo de Futebol
Alemanha - 2006
10 Euro
         
           
Anv: Apresenta ao centro a estilização de um anfiteatro desportivo, acompanhado pela legenda “República Portuguesa”, tendo na parte superior o Escudo Nacional assente na Esfera Armilar, e na parte inferior o valor facial da moeda em duas linhas “10 euro”.


Rev: Apresenta a estilização de uma bola em movimento, circundada pela legenda Campeonato do Mundo de Futebol”, envolvendo a legenda “Fifa Alemanha 2006”. Autor: José Teixeira.
Moeda corrente de prata:
Valor facial 10 Euro; 40 mm de diâmetro; 27 g de peso; toque 500/1000; bordo serrilhado (100.000 exemplares).
Moedas de Prata proof:
Valor facial 10 Euro; 40 mm de diâmetro; 27 g de peso; toque 925/1000; bordo serrilhado. (25.000 exemplares).

Pequeno resumo do Mundial de Futebol na Alemanha (2006)

O Campeonato do Mundo de Futebol de 2006 realizou-se na Alemanha e foi vencido pela Itália. A Alemanha foi o país sede e o único pré-classificado. Pela primeira vez na história do campeonato, o campeão do torneio anterior (no caso, o Brasil) precisou de disputar as eliminatórias para poder defender o direito de participar no torneio. Trinta e dois países participaram no Mundial de 2006, cuja final foi no dia 9 de Julho.


Os países classificados foram: Alemanha (previamente classificada como país sede), Argentina, Brasil, Paraguai, Equador, México, Estados Unidos da América, Trinidade e Tobago, Costa Rica, Portugal, Espanha, Inglaterra, França, Itália, Suíça, Suécia, República Checa, Ucrânia, Sérvia e Montenegro, Países Baixos, Croácia, Polónia, Togo, Gana, Angola, Costa do Marfim, Tunísia, Japão, Arábia Saudita, Irão, Coreia do Sul e Austrália. Facto inédito foi a participação simultânea de três países lusófonos Portugal, Angola e Brasil. Portugal participou pela quarta vez, a segunda consecutiva, numa fase final do Campeonato do Mundo de Futebol. Durante as eliminatórias, Portugal defrontou a Rússia, Eslováquia, Estónia, Letónia, Luxemburgo e Liechtenstein. Treinado pelo técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari, terminou as eliminatórias de forma invicta, com 9 vitórias e três empates. No torneio final, Portugal ganhou a Angola, Irão, México e Países Baixos. Empatou com a Inglaterra (Portugal ganhou no desempate por grandes penalidades) e perdeu depois com a França e Alemanha. Pela primeira vez desde 1966, a selecção portuguesa foi uma das semi-finalistas, tendo encerrado a competição na quarta posição. Apesar da derrota contra a Alemanha na disputa do 3º. e 4º. lugares, a Selecção Nacional foi recebida em grande pompa e festejos, com o seu desempenho comparável apenas àquele de 1966. Com este último jogo, despediram-se Luís Figo e Pauleta da Selecção Nacional; o primeiro com 33 anos e 147 internacionalizações e o segundo com os seus 47 golos com o equipamento das cores nacionais.
Resultados:
Angola (0-1) Portugal – Golo de Pauleta
Portugal (2-0) Irão – Golos de Deco e Cristiano Ronaldo
Portugal (2-1) México – Golos de Maniche e Simão Sabrosa
Resultado dos Oitavos-de-final:
Portugal (1-0) Holanda – Golo de Maniche
Resultado dos Quartos-de-final:
Portugal (0-0) Inglaterra – (3-1) em grandes penalidades, com golos de Simão, Postiga e Cristiano Ronaldo.

Resultado das Meias-finais:
Portugal (0-1) França – Golo de Zidane aos 33' de grande penalidade.
Resultado para atribuição do 3º. lugar:

Alemanha (3-1) Portugal – Golo de Gomes. Portugal acabou por ficar em 4º lugar.
Um novo ídolo emerge, de nome Cristiano Ronaldo, que a partir desse ano tem mostrado a sua classe por todo o lado, sendo considerado por muitos o melhor futebolista do Mundo, tendo ganho todos os prémios de maior gabarito do desporto.
Os jogos disputaram-se nas seguintes doze cidades alemãs: Berlim, Dortmund, Frankfurt, Gelsenkirchen, Hamburgo, Hannover, Kaiserwslautern, Colónia, Leipzig, Munique, Nuremberga e Estugarda.
Os estádios começaram a ser preparados pouco tempo depois de selecionadas as cidades que os abrigaram. Enquanto alguns foram apenas submetidos a pequenas adaptações, muitos tiveram que ser completamente reformados e outros foram construídos especialmente para o torneio. Cada estádio modernizado necessitou de um investimento entre 48 e 280 milhões de euro além disso, mais de 1,38 mil milhões de euro foram gastos para os novos estádios, uma soma astronómica.
Neste Mundial, os árbitros mostraram 293 cartões amarelos em 60 jogos e 27 vermelhos, o que é um recorde.
Em contraste com a série de cartões, houve uma escassez de golos, o que fez com que este torneio entrasse para a história tendo  o de menor número de golos marcados.
Foram marcados uma média de 2,3 golos por jogo. O único torneio com uma média mais baixa foi o de 1990, na Itália, quando 115 golos foram marcados em 52 jogos, com média de 2,21.
Por outro lado, a presença de público foi maior do que em qualquer outro Mundial, à exceção de 1994, nos Estados Unidos.
Os jogos foram vistos por cerca de 3,11 milhões de espectadores na Alemanha, perfazendo uma média de 51,7 mil por partida.
Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_do_Mundo_FIFA_de_2006: INCM - Imprensa Nacional - Casa da Moeda - www incm.pt: Diário da República Electrónico – www.dre.pt-Wikipédia-pt.wikipédia.org.: Colecção particular do autor.


F I M
Publicado no Jornal das Caldas em 29-01-2014

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Numismática

Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

23ª. Moeda
Adesão às Comunidades Europeias
Portugal - Espanha
10 Euro
                            
As características desta moeda são as seguintes:

Anv: Apresenta a superfície toda preenchida por uma esfera armilar, figurando ao centro o Escudo Nacional, inscrevendo-se, ao alto, a legenda «República Portuguesa» e, na base, a era 2006.

Rev: Apresenta no reverso, à volta do bordo superior, a legenda “Adesão às Comunidades Europeias”, apresentando por baixo, no campo da moeda, o mapa da Europa, com relevo especial de Portugal, sobrepondo-se  a identificação bem visível das datas «1986» e «2006». Na parte inferior do campo, aparece uma ponte de dois pilares com inscrição, no tabuleiro, do nome dos dois países que aderiram à Comunidade Europeia há 20 anos, «Portugal» e «Espanha». No meio dos pilares está inscrito o valor facial da moeda, «10Euro».
Autor: José Cândido.
Moeda corrente de prata:
Valor facial 10 Euro; 40 mm de diâmetro; 27 g de peso; toque 500/1000; bordo serrilhado (250.000 exemplares).
Moedas de Prata proof:
Valor facial 10 Euro; 40 mm de diâmetro; 27 g de peso; toque 925/1000; bordo serrilhado. (8.000 exemplares).

Adesão de Portugal e Espanha - 1986-2006
Vinte anos
A aventura da construção europeia começou para Portugal há vinte anos. No dia 1 de Janeiro de 1986, depois de quase dez de negociações, avanços e recuos, certezas e incertezas, o nosso país tornou-se membro da Comissão Europeia. A adesão fez-se em conjunto com Espanha. Vinte anos depois, é preciso celebrar.
No total, Portugal recebeu da União Europeia, nos últimos 20 anos, 42.020 milhões de euros de Fundos Estruturais e 6.302 milhões de euros do Fundo de Coesão. Entre 2000 e 2006, 16,5% dos fundos comunitários foram canalizados para a “Economia”, 12,6% para o “Emprego, Formação e Desenvolvimento Social”, 12,4% para os “Transportes” e 9,7% para a “Agricultura”. O investimento em acessibilidades foi muito significativo. Em 1986 havia 196 quilómetros de auto-estradas; hoje há 2.091 quilómetros, que representam 16,5 % do total das infra-estruturas rodoviárias do país. No que se refere ao Produto Interno Bruto (PIB) a diferença de Portugal relativamente à média da União Europeia diminuiu: o PIB per capita (em Padrão de Poder de Compra) passou dos 54,2% em 1986 para os 68% em 2003 (UE a 15, sem os dez novos Estados Membros). Este último valor representaria, em 2003, 74% da média da UE a 25. Há 20 anos, a agricultura, a silvicultura e a pesca representavam 9,4% da economia portuguesa (Valor Acrescentado Bruto). Hoje esse valor é de 3,9%. A indústria transformadora representava 25%; hoje está nos 18,2%. Num registo inverso, o peso dos serviços subiu: de 52,5% passou para 66,9 pontos percentuais. A taxa de inflação sofreu uma clara descida; dos 11,7% passou para os 2,2%. As taxas de juro também mudaram radicalmente nos últimos 20 anos. Em 1986, Portugal registava uma taxa na ordem dos 15,8%. Em 2005 esse número desceu até aos 3,4%. A União Europeia reforçou o seu peso enquanto parceiro comercial privilegiado de Portugal. A taxa de exportações para os países da União Europeia subiu dos 57% para os 80% e a das importações passou dos 44, 9% para os 77%. Há 17 anos, as despesas dos agregados familiares com produtos alimentares, bebidas e tabaco representavam 34,3% do total dos gastos. Em 2000 (data dos últimos dados disponíveis), esse número desceu para os 21,5%. No caso dos transportes, a despesa subiu de 15,7% para os 18,3%, o mesmo se passando com as despesas relativas a habitação, água e electricidade que aumentaram dos 13,6% para os 19,8%. As despesas com tempos livres e cultura também subiram: dos 5,1% em 1986 chegaram aos 6,6% em 2003. O número de telefones fixos por 100 habitantes subiu de 15 para 42. No caso dos telemóveis, a taxa de penetração situa-se hoje nos 92,8%, sendo claramente uma das mais altas de toda a União Europeia. Desde que aderimos à União Europeia, a esperança de vida passou dos 70,3 anos para os 74,5 anos nos homens, e de 77,1 para os 81 anos, nas mulheres. - A taxa de mortalidade infantil desceu dos 15,8 para os 5,1 por cada mil crianças. Hoje, há 3,3 médicos por mil habitantes. Há 20 anos, esse número era de 2,3. A percentagem da despesa do PIB em Investigação e Desenvolvimento passou de 26,4% da média europeia para os 40,2%. Em 1986 a despesa representava 0,41 % do PIB. Em 2003, esse número subiu para os 0,78%. A meta da Agenda de Lisboa para a União Europeia situa-se nos 3%. A taxa de escolarização do ensino secundário subiu, nos últimos 16 anos, dos 17,8% para os 62,5%. No ensino superior, o número de estudantes portugueses em programas Erasmus passou de 25 alunos, em 1986, para os 3.782 alunos em 2004. Até 2004, participaram neste programa 28.139 estudantes. Há quinze anos a taxa de tratamento de águas residuais era de 34%, hoje é de 82%. Também a percentagem da população servida por Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETARS) aumentou; entre 1997 e 2003 passou de 36% para 56%. A recolha selectiva de vidro aumentou grandemente nos últimos 15 anos; passou de 12.722 toneladas para as 90.946 toneladas. No caso do cartão, a subida foi das 1.415 para as 75.692 toneladas e, no campo das embalagens, o diferencial passou das 484 toneladas para as 16.911 toneladas. O número de pessoas a fazerem turismo em Portugal (portugueses e estrangeiros) era, há 20 anos, de 5.624.370. Em 2004, esse número atingiu os 10.961.968. Há 20 anos, o saldo migratório do nosso país era claramente negativo, saíram mais 26.949 indivíduos do que aqueles que entraram. Hoje, a diferença entre os que deixam Portugal e os que escolhem o nosso país para residir já é positiva: 47.229 pessoas. - A taxa de acidentes de trabalho por cem mil trabalhadores desceu de 5,9 em 1994 para os 4,0 em 2002. Em 1990 registaram-se 305.512 acidentes, em 2001 esse número chegou aos 244.936
Comentários proferidos por iminentes políticos da época sobre o 20º.Aniversário da Adesão de Portugal e Espanha às Comunidades Europeias.

 Disse Capoulas Santos - Francamente positivo. Ninguém minimamente sensato pode avaliar de outra forma o balanço dos 20 anos de adesão de Portugal à União Europeia. Para os que têm idade para tal, basta recorrer um pouco à memória e comparar o Portugal de hoje com o de há duas décadas atrás. Não tenho quaisquer dúvidas de que, sem a integração europeia, não teria sido possível a evolução que se verificou na sociedade portuguesa tendo em conta o ponto de partida. Não apenas nas infra-estruturas físicas e equipamentos sociais como também no acesso à habitação própria e a bens de primeira necessidade como a outros indicadores de bem estar antes apenas acessíveis a um restrito número de beneficiários, para não falar do novo estatuto concedido aos nossos emigrantes e do papel de Portugal na cena internacional.
 O futuro de Portugal na UE depende, por um lado, dos próprios portugueses e da sua liderança política e, por outro, dos demais cidadãos e líderes europeus. O contexto actual é particularmente exigente para os portugueses confrontados com a necessidade de proceder urgentemente a ajustamentos estruturais sempre adiados e que corajosamente estão a ser concretizados com custos políticos e sociais elevados, em contexto de crise e de busca de rumo na Europa e num contexto mundial de globalização económica e de perigosa unipolaridade. Acredito porém no futuro da União e no reforço do seu papel no mundo, se for capaz de se manter fiel aos cada vez mais actuais valores que estiveram na sua génese: a paz, a democracia e a solidariedade.

 Disse Edite Estrela - O balanço é muito positivo. Nos últimos vinte anos, Portugal mudou muito e, quase sempre, para melhor. A qualidade de vida dos portugueses aproximou-se dos parâmetros dos países desenvolvidos. Socializou-se a educação e a cultura, tornou-se acessível a saúde e reconheceram-se os direitos das crianças e dos idosos. Graças aos fundos comunitários, o nosso país desenvolveu-se e modernizou-se. Adoptaram-se modelos de recolha e tratamento dos resíduos sólidos amigos do ambiente. Alargaram-se e aperfeiçoaram-se os sistemas de saneamento básico e de distribuição de água. Melhorou-se a rede viária e construíram-se novos equipamentos culturais, educativos, desportivos e sociais.
A Europa na sua actual complexidade difere do modelo sonhado por Jean Monnet. Os desafios do presente exigem, mais do que nunca, lideranças fortes capazes de pôr em prática a Estratégia de Lisboa, fazendo da Europa "a mais competitiva e dinâmica economia dirigida ao conhecimento em 2010". O futuro de Portugal e da Europa depende da nossa capacidade colectiva de dar prioridade à concretização dos objectivos definidos na cimeira de Lisboa em 2000 e validados em 2005.

Disse Ilda de Figueiredo - É um balanço difícil de fazer em poucas palavras. Durante 20 anos muita coisa mudou em Portugal. Temos mais infra-estruturas (auto-estradas, estádios de futebol, pontes, novos equipamentos, mais habitação e saneamento básico), mas temos menos indústrias, menos pesca, menos agricultores e uma enorme dependência do exterior. Neste momento, vivemos uma das maiores crises económico-sociais após a revolução do 25 de Abril de 1974, com estagnação/recessão económica, crescimento do desemprego, das desigualdades sociais e da pobreza e exclusão social. É certo que nem tudo é culpa da adesão à CEE/União Europeia. Mas é em nome das políticas mercado interno, da moeda única, do Pacto de Estabilidade, da Estratégia de Lisboa, da PAC e da Política Comum de Pescas, das liberalizações e privatizações, que os governos portugueses têm posto em prática as políticas que estão na origem da grave situação que se vive no País.

Nota: Estes dados estatísticos são referentes ao ano de 2006. (Ano do 20º. Aniversário da Adesão de Portugal e Espanha à Comunidade Europeia).

Fontes: INE, Eurostat, Direcção-Geral do Desenvolvimento Regional. 2006: Vinte anos da adesão de Portugal à EU -1986-2006. Informação avulsa da I.N.C.M. Colecção particular do autor.

F I M
Publicado no Jornal das Caldas de 22-01-2014

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Numismática

Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

22ª. Moeda
150 Anos da Primeira Linha Férrea
Lisboa - Carregado
8 Euro
  As características desta moeda são as seguintes:

Anv: Apresenta no campo a bandeira nacional ondulante, possuindo por baixo o valor facial da moeda “€ 8”, orlada na base com a legenda “República Portuguesa”.

 Rev: Apresenta por fundo a estilização de uma linha de caminho de ferro ladeado à esquerda pelo brasão da cidade de Lisboa e à direita pelo da cidade do Carregado, circundados pela legenda “150 Anos da Primeira Linha Férrea Lisboa Carregado, 1856-2006”.
Autor: Hélder Baptista.
Moeda corrente de prata:
Valor facial 8 Euro; 36 mm de diâmetro; 21 g de peso; toque 500/1000; bordo, serrilhado (100.000 exemplares).
Moedas de Prata proof:
Valor facial 10 Euro; 36 mm de diâmetro; 31,10 g de peso; toque 925/1000; bordo, serrilhado. (15.000 exemplares).

Historial

Em 28 de Outubro de 1856, inaugurou-se o caminho de ferro de Portugal, com a 1ª linha férrea de Lisboa ao Carregado.

Desta inauguração, transcrevo uma passagem do livro de memórias da Marquesa de Rio Maior (que à data era ainda criança):
”Vou narrar o que me lembra do solene dia da inauguração que, enfim, chegou. Minha mãe não quis ir ao banquete do Carregado. Mas foi comigo para um cerro fronteiro à estação de Alhandra ver a passagem do comboio (….). Finalmente, avistámos ao longe um fumozinho branco, na frente de uma fita escura que lembrava uma serpente a avançar devagarinho. Era o comboio? Quando se aproximou, vimos que trazia menos carruagens do que supúnhamos. O comboio parou por um momento na estação, de onde se ergueram girândolas estrondosas de foguetes (...).Só no dia seguinte ouvimos o meu pai contar as várias peripécias dessa jornada de inauguração. A máquina (...) não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram; e fora as largando pelo caminho. Creio que se o Carregado fosse mais longe e a manter-se uma tal proporção, chegava lá a máquina sozinha ou parte dela. (...) Meu pai passou para a carruagem real, na qual chegou ao Carregado, onde assistiu aos festejos e comeu lautamente, porque o banquete era farto ".



Com esta inauguração, a máquina a vapor substituiu as faluas do Tejo, e, igualmente, os serviços regulares das carreiras da mala-posta, o que foi uma evolução enorme nos meios de transporte de pessoas e bens, tornando-o mais célere e seguro.



Pequena resenha da construção das linhas de caminho de ferro, desde a inauguração no ano de 1856, até à abertura da exploração da linha de caminho de ferro de Torres Vedras a Leiria, no ano de 1887.


28-10-1856 Inauguração do troço entre Lisboa e Carregado, na Linha do Leste.
01-02-1861 Abertura à exploração dos troços entre o Barreiro e Vendas Novas, na Linha do Sul e do troço entre Pinhal Novo e Setúbal, na Linha do Sado.1861 A bitola da via da Linha do Leste é alterada de 1,44 m para 1,67 m.08-06-1863 Abertura à exploração do troço entre Estarreja e Gaia, na Linha do Norte.14-09-1863 Abertura à exploração do troço entre Casa Branca e Évora, na Linha de Évora.24-09-1863 Abertura à exploração da Linha de Lisboa à fronteira. Conclusão da Linha de Leste.1864 A bitola da via da Linha do Sul é alterada de 1,44m para 1,67m.01-05-1865 Inauguração da estação principal das Linhas do Leste e Norte, Lisboa-Santa Apolónia. 02-07-1873 Inauguração da Linha de Sintra. 05-01-1875-O início da construção da Ponte Maria Pia sobre o Rio Douro, na Linha do Norte. 21-05-1875 Abertura à exploração do troço entre Campanhã e Nine, na Linha do Minho e do Ramal de Braga.22-06-1875 A Companhia Real decide substituir os carris de ferro por carris de aço.30-07-1875 Abertura à exploração do troço entre Ermesinde e Penafiel, na Linha do Douro.04-11-1877 Inauguração da Ponte Maria Pia sobre o Rio Douro, na Linha do Norte.05-11-1877 Abertura à exploração do troço entre Gaia e Campanhã, na Linha do Norte. 04-04-1880 Abertura à exploração do troço entre Régua e Ferrão, na Linha do Douro.01-06-1880 Abertura à exploração do troço entre Ferrão e Pinhão, na Linha do Douro.06-06-1880Abertura à exploração do Ramal de Cáceres.01-07-1882 Abertura à exploração da Linha da Beira Alta, entre Figueira da Foz e a fronteira de Vilar Formoso.03-08-1882 Inauguração oficial da Linha da Beira Alta.06-08-1882Abertura à exploração do troço entre Segadães e Valença, na Linha do Minho.12-10-1882 Contrato entre o Governo e o “Sindicato Portuense” (conjunto de bancos do Porto), para a construção da linha férrea de Salamanca a Barca de Alva e de Salamanca a Vilar Formoso.01-09-1883 Abertura à exploração do troço entre Pinhão e Tua, na Linha do Douro.31-12-1883 Abertura à exploração do troço entre Trofa e Vizela, na Linha de Guimarães.14-04-1884 Abertura à exploração do troço entre Vizela e Guimarães, na Linha de Guimarães.1885 Abertura à exploração da segunda  via do troço entre Campolide e Cacém, na Linha do Oeste.1886 Inauguração da Ponte Internacional de Valença.25-03-1886 Abertura à exploração do Ramal Internacional entre Valença e a fronteira.10-01-1887 Abertura à exploração do troço entre Tua e Pocinho, na Linha do Douro.02-04-1887 Abertura à exploração do troço entre Alcântara-Terra e Cacém, na Linha do Oeste, e do Ramal de Sintra (Cacém e Sintra).21-05-1887 Abertura à exploração do troço entre Cacém e Torres Vedras, na Linha do Oeste.
Início das obras de construção do Túnel do Rossio. 01-08-18771 Abertura à exploração do troço Torres Vedras a Leiria, na Linha do Oeste.

Fontes:
Colecção particular do autor.

Dezembro de 2013.

FIM


Publicado no Jornal das Caldas em 15-01-2014

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Numismática

Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

21ª. Moeda
Personagens Europeias
D. Henrique – O Navegador
8 Euro
          
           
Anv: Apresenta no campo o valor facial da moeda “8 Euro”, circundado pela legenda “República Portuguesa”, o escudo português e o símbolo da U.E.
 Rev: Apresenta por fundo e ao centro a figura estilizada do Infante D. Henrique, circundada pela legenda “2006-D. Henrique o Navegador – Personalidades Europeias”.
Autor: João Cutileiro.
Moeda corrente de prata:
Valor facial 8 Euro; 36 mm de diâmetro; 21 g de peso; toque 500/1000; bordo, serrilhado (85.000 exemplares).
Moedas de Prata proof:
Valor facial 8 Euro; 36 mm de diâmetro; 31,10 g de peso; toque 925/1000; bordo, serrilhado. (10.000 exemplares).

Resenha histórica


Um dos vultos mais notáveis da história da civilização europeia e do mundo ocidental, o infante D. Henrique foi o escolhido para dar a estampa a esta moeda.
Biografia:
O Infante D. Henrique nasceu na cidade do Porto a 4 de Março de 1394, recebendo o nome do seu tio-avô Henrique de Lencastre, que viria a ser o futuro rei Henrique IV de Inglaterra. Era o quinto filho de D. João I e de Dona Filipa de Lencastre, recebendo destes conjuntamente com os seus irmãos uma esmerada educação, a qual ficou conhecida como a “Ínclita Geração dos Altos Infantes”. No ano de 1414, com apenas vinte anos, convenceu o pai levar a efeito uma campanha para a conquista de Ceuta. No ano de 1415, procedeu-se à conquista da cidade de Ceuta, assegurando logo de início ao reino de Portugal o controlo das rotas marítimas do comércio entre o Atlântico e o Levante. Neste mesmo ano, foi armado cavaleiro, recebendo os títulos de Duque de Viseu e Senhor da Covilhã. No ano de 1416, foi-lhe encarregue o governo da cidade de Ceuta. No ano de 1418, a cidade de Ceuta sofreu o primeiro cerco, imposto pelo conjunto das forças dos reis de Fez e Granada. D. João, um dos irmãos mais novos do infante, e o próprio D. Henrique foram em socorro da cidade o que lhes granjeou uma vitória, pondo de imediato termo ao cerco. Tentou atacar Gibraltar, mas as condições atmosféricas não o permitiram, impedindo-o de desembarcar. Regressou a Ceuta onde recebeu ordens de D. João I para abandonar esse empreendimento, pelo que tornou a Portugal no ano de 1419. Neste mesmo ano, montou uma armada de corso “pirataria, pilhagem”, que actuava estrategicamente no estreito de Gibraltar partindo da cidade de Ceuta. Com estas acções, permitiu que muitos dos seus homens obtivessem larga experiência náutica e de habituação à vida marítima, servindo-se deles para mais tarde os levar para outras viagens com destinos desconhecidos. Entre os anos 1419 e 1420, alguns dos seus escudeiros, João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, desembarcaram nas ilhas do arquipélago da Madeira, já conhecidas dos portugueses desde do século anterior. Aqui, iniciaram o desenvolvimento do arquipélago com a cultura de cereais que vieram minimizar a escassez deste produto que afligia Portugal. No ano de 1420, D. Henrique foi nomeado dirigente da Ordem de Cristo, sucedânea da Ordem dos Templários, cargo que exerceu durante toda a sua vida. Pelo ano de 1427, alguns dos seus navegadores (Gonçalo Velho) chegaram até aquele que é hoje o arquipélago dos Açores, procedendo de imediato à sua colonização. No ano de 1433, o arquipélago da Madeira foi doado ao infante D. Henrique pelo seu irmão D. Duarte, que entretanto subira ao trono por morte do pai. Na Europa de então, o ponto conhecido mais meridional da costa africana era o Cabo Bojador. No ano de 1434, Gil Eanes foi o primeiro europeu a passá-lo, eliminando de vez os mitos, os medos e as lendas que se contavam acerca do mesmo. No ano de 1437, foi o principal dinamizador e organizador da conquista de Fez, a qual se saldou num fracasso militar enorme, já que o seu irmão mais novo, D. Fernando, mais tarde cognominado “O Infante Santo”, foi feito prisioneiro durante 11 anos, até aí falecer. Por morte do seu irmão D. Duarte, auxiliou o seu irmão D. Pedro na regência durante a menoridade do sobrinho D. Afonso V. No ano de 1441, e com a evolução de novas técnicas de marear, as embarcações foram também de certo modo acompanhando a evolução: surgiu a caravela, uma embarcação de maior porte e com três a cinco velas que permitia um melhor manuseamento e maior velocidade. Neste ano de 1441, Nuno Tristão e Antão Gonçalves atingiram o Cabo Branco. No ano de 1443, chegaram à Baía de Arguim, e aqui procederam à construção de um forte que ficou concluído no ano de 1448. O navegador Dinis Dias chegou ao rio Senegal no ano de 1444, entrando em território guineense; assim os limites sul do grande deserto do Sahara foram ultrapassados, o que permitiu ao Infante D. Henrique cumprir um dos seus objectivos: desviar as rotas do comércio do deserto e aceder às riquezas na África Meridional. No ano de 1446, cerca de quatro dezenas de embarcações levantaram âncora de Lagos com destino à costa meridional africana.

 Em 1450, descobriu-se o arquipélago de Cabo Verde. Foi, por esta época, encomendada a Fra Mauro, um monge veneziano a elaboração de um mapa - mundo do velho continente e onde reflectisse a costa meridional africana. No ano de 1452, chegou o primeiro ouro da costa africana em quantidade tal que permitiu a cunhagem dos primeiros cruzados nesse metal. Pelo ano de 1460, e com a continuidade de forte implementação e entusiasmo incutido pelo Infante, Pêro de Sintra chegou à Serra Leoa. D. Henrique ficou conhecido para a história como o Infante de Sagres ou o Navegador, sendo-lhe atribuída a responsabilidade de ter sido o obreiro e iniciador das descobertas. Segundo Gomes Eanes de Zurara, na crónica do descobrimento e conquista da Guiné, dizia que as expedições organizadas e realizadas pelo Infante tinham cinco motivações: 1- conhecer a terra além Canárias e do cabo Bojador; 2- trazer ao reino mercadorias (riqueza); 3- saber até onde chegava o poder muçulmano; e 4- a expansão da fé Cristã. D. Henrique faleceu no ano de 1460, deixando um legado enorme às gerações vindouras, as quais souberam servir-se dele, para mais tarde descobrirem o caminho marítimo para Índia, o Brasil, e os mares da China e Japão.
F I M
Bibliografia: Wikipedia.org.J.wiki/Infante D. Henrique. Trechos avulsos. História de Portugal Manuel Pinheiro Chagas. Colecção particular do autor. Documentação avulsa da I.N.C.M..
Óbidos, Dezembro de 2013.

Publicado no Jornal das Caldas em 08-01-2014

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Numismática
Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro 
20ª. Moeda
Património Mundial da Humanidade
Paisagem Cultural de Sintra
5 Euro



Anv: Apresenta na orla superior a legenda “República Portuguesa”, ao centro o escudo nacional assenta na esfera armilar com a era da cunhagem da moeda à esquerda. Por baixo apresenta a representação esquemática da linha da muralha do Castelo dos Mouros na crista da serra.

Rev: Apresenta na orla superior a legenda “Paisagem Cultural de Sintra”, na inferior a legenda “Património Mundial da UNESCO” e o respectivo símbolo. Apresenta ao centro e em primeiro plano a paisagem de telhados e chaminés do Palácio da Vila, e uma araucária evocando a flor exótica da região; em segundo plano sobressaí o Castelo de Sintra no topo da serra. 
Autora: Eloísa Byrne.
Moeda corrente de prata:
Valor facial 5 Euro; 30 mm de diâmetro; 14 g de peso; toque 500/1000; bordo, serrilhado (100.000 exemplares).
Moedas de Prata proof:
Valor facial 5 Euro; 30 mm de diâmetro; 14 g de peso; toque 925/1000; bordo, serrilhado. (10.000 exemplares).

Resenha histórica
Os mais antigos testemunhos de ocupação humana foram localizados num cume da vertente Norte da Serra de Sintra, apelidada de Penha Verde, compondo-se por abundantes utensílios de tipo microlaminar. Testemunho de uma ocupação do Neolítico é o sítio de ar livre de São Pedro de Canaferrim, junto à Capela do Castelo dos Mouros. Ocupação testemunhada pela presença de cerâmicas decoradas — incisas, impressas e com aplicações — associadas a uma indústria lítica talhada em sílex, datada do início do V milénio a.C. A originalidade deste sítio, enquadrado em termos cronológico-culturais na corrente circum-mediterrânica, consiste na sua implantação na paisagem, em plena montanha. Vestígios vários da Idade do Bronze Atlântico surgiram em diversos locais da Serra de Sintra, quer a nível de habitats (Parque das Merendas, junto à Vila), quer em contextos votivos (Monte do Sereno). Do Bronze Final ou período Orientalizante, séculos IX-VI a.C, de novo e intensamente virado para a Bacia Mediterrânica, existe um importante e vasto povoado localizado sob o Castelo dos Mouro. Ao tempo do Império Romano, toda a região de Sintra se inscreveu no vasto territorium da civitas olisiponense, à qual César cerca de 49 a.C. ou, mais provavelmente, Otaviano cerca de 30 a.C., concedeu o invejável estatuto de Municipium Civium Romanorum. Sob a actual Vila de Sintra detectaram-se vestígios romanos avulsos, que sugerem a presença de um habitat ocupado desde os séculos II/I a.C.- V d.C.. Uma via ligaria este aglomerado à zona rural a sudeste da Serra onde entroncaria na estrada para Olisipo.
Após a Invasão muçulmana do século VIII, a região de Sintra foi ocupada, tendo a povoação recebido o nome de as-Shantara e sido erguida a primitiva fortificação da penedia, entre o século VIII e o IX, para controlar estrategicamente as vias terrestres que ligavam Sintra a Mafra, Cascais e Lisboa.


Durante o domínio muçulmano surgem os primeiros textos que referem explicitamente a Vila de Sintra (Xintara ou Shantara em árabe). Sintra é apresentada no século X pelo geógrafo Al-Bacr, fixada por Al-Munim Al-Himiari, como «uma das vilas que dependem de Lisboa no Andaluz, nas proximidades do mar. Sintra «uma das regiões onde as maçãs são mais abundantes (...) e atingem uma tal espessura que algumas chegam a ter quatro palmos de circunferência» (Al-Bacr), Lisboa. Al-Usbuna, que foi durante o período de ocupação muçulmana um importante centro económico de tal dimensão que o cruzado Osberno, à data da reconquista, se lhe referiu como «o mais opulento centro comercial de toda a África e de uma grande parte da Europa». Principal núcleo urbano e económico logo a seguir a Lisboa, a Vila de Sintra e o seu Castelo, foram durante o século XI, várias vezes assolados pelos exércitos cristãos. O rei Afonso VI de Leão, na sequência da queda do califado de Córdova numa desunião dos muçulmanas da Península e da decisão do rei de Badajoz Al Mutawakkil de se colocar sob sua proteção face à ameaça almorávida, após um período de hesitação entre 1090 e 1091, recebeu deste, na Primavera de 1093 as cidades de Santarém, de Lisboa e o Castelo de Sintra. Afonso VI tomou posse das ditas cidades e do castelo de Sintra entre 30 de Abril e 8 de Maio de 1093.


Lisboa foi, pouco depois da entrega a Afonso VI, reconquistada pelos almorávidas, assim como Sintra, só resistindo Santarém devido aos esforços de D. Henrique de Borgonha, nomeado conde de Portucale em 1096, em substituição de Raimundo de Borgonha. É neste contexto de manutenção da fronteira do Tejo que, em Julho de 1109, o conde D. Henrique reconquista o Castelo de Sintra. Esta fortificação foi ainda alvo de surtidas esporádicas. Só após a conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, em 1147, Sintra - cuja guarnição do castelo se entrega ao rei em Novembro — é definitivamente integrada no espaço cristão, no contexto da conquista de Almada e Palmela o que logo após a tomada de posse do Castelo, D. Afonso Henriques aí funda a igreja de São Pedro de Canaferrim. Em 9 de Janeiro de 1154, D. Afonso Henriques outorga Carta de Foral à Vila de Sintra com as respetivas regalias. A Carta de Foral estabelece o Concelho de Sintra, cujo termo passa a abranger um vasto território.


D. Afonso Henriques doou ao mestre da Ordem do Templo, D. Gualdim Pais, várias casas e herdades no termo de Sintra e casas de morada nas proximidades do Paço. O Mosteiro de São Vicente de Lisboa detinha, em 1216, uma vinha na várzea de Colares e, em 1218, herdades em Queluz e Barota. Entre os anos de 1223 e 1245, o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça possuía vários privilégios nesta área. A Ordem Militar de Santiago possuía, em 1260, uma herdade na Arrifana, a qual aforou nesse ano. Durante a fase de estruturação do poder régio que se prolongou até ao reinado de D. Dinis (1279-1325), Sintra soube assimilar, no âmbito de uma tradição secular, cristãos e mouros. A grande epidemia de peste negra que durante o século XIV dizimou um quarto da população europeia chegou a Sintra em 1348, causando um elevado número de mortes.
Durante o período dos descobrimentos marítimos, ficaram ligados os nomes de alguns naturais de Sintra, como Gonçalo de Sintra, escudeiro da Casa do Infante D. Henrique. Gomes Eanes de Zurara, na Crónica da Guiné, registou os feitos deste Gonçalo de Sintra no Capítulo XXVII, «Como o Infante mandou Gonçalo de Sintra à Guiné, e por que guisa foi morto», assim como João de Barros na Década I de “Ásia” (Cap. IX). A Pedro de Sintra e a Soeiro da Costa se deve o limite máximo de descobrimento da costa atlântica de África na data que mediou entre a morte do Infante D. Henrique em 1460 e o arrendamento desta exploração costeira a Fernão Gomes por D. Afonso. Na transição do Século XV para o Século XVI, D. Manuel I (1495-1521) transformou e enriqueceu a Vila, a Serra e o seu termo com uma nova e vasta campanha de obras no Paço da Vila: da reconstrução da velha igreja gótica de São Martinho; construção do Mosteiro de Nossa Senhora da Pena (1511), no pico mais alto da serra, entregue à Ordem de São Jerónimo.

O Palácio de Seteais foi construído no Século XVIII para o cônsul holandês Daniel Gildemeester numa porção de terra cedida pelo marquês de Pombal.
O terramoto de 1755, causou na Vila de Sintra e no seu termo avultados estragos e numerosos mortos. Foi nesta segunda metade do Século XVIII que decorreram no Paço da Vila obras de restauro. O rei-consorte, D. Fernando II, comprou o Mosteiro da Pena e uma vasta área adjacente. No terceiro quartel do século XVIII e, praticamente em todo o Século XIX, o espírito romântico dos viajantes estrangeiros e da aristocracia portuguesa redescobriram a magia de Sintra e dos seus lugares, mas sobretudo o exotismo da sua paisagem e do seu clima. Aqui chegou, no Verão de 1787, William Beckford, hóspede do 5° marquês de Marialva, estribeiro-mor do reino, residente na sua propriedade de Seteais e foi aqui que a ainda princesa D. Carlota Joaquina, mulher do regente D. João, comprou, no princípio do século XIX, a Quinta e o Palácio do Ramalhão.
Entre 1791 e 1793, Gerard Devisme construiu na sua extensa Quinta de Monserrate o palacete neo-gótico cujo desenho se supõe-se ser da autoria de um arquitecto inglês. O grande empreendimento artístico deste Século em Sintra é, sem dúvida, o Palácio da Pena, obra marcante do romantismo português, iniciativa do rei-consorte D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II (1834-1853). O Palácio Nacional da Pena, uma das melhores expressões do Romantismo arquitectónico do Século XIX no mundo, foi construído cerca de 30 anos antes do carismático Castelo de Neuschwanstein, de Luís da Baviera.
No princípio do Século XX, Sintra foi um reconhecido lugar de veraneio e residência de aristocratas e de milionários. De entre estes, Carvalho Monteiro, detentor de uma considerável fortuna que lhe valeu a alcunha de "Monteiro dos Milhões", fez construir perto da Vila, na quinta que comprara à baronesa da Regaleira, um luxuoso palacete de arquitectura neo manuelina. O Palácio da Regaleira é rodeado de luxuriantes jardins, lagos, grutas e construções enigmáticas, que ocultam significados alquímicos.
Entre a segunda metade do século XIX e os primeiros decénios do século XX, Sintra tornou-se um lugar privilegiado para artistas: músicos como Viana da Mota e Alfredo Keil; pintores como João Cristino da Silva, autor de uma das mais célebres telas do romantismo português: escritores como Eça de Queiróz ou Ramalho Ortigão, todos eles aqui residiram, trabalharam ou procuraram inspiração.
Por todos estes motivos a cidade de Sintra e toda a sua envolvente foi considerada Património Mundial da Humanidade, com o nome de Paisagem Cultural de Sintra.

Crédito:pt.wikipedia.org/wiki/Sintra‎-www.sintraromantica.net/‎ - www. portugalvirtual.pt › Portugal › Turismo - Documentação avulsa da I.N.C.M. - e colecção particular do autor.
Óbidos, 10 de Novembro de 2013
 F I M

Publicado no Jornal das Caldas em 27.11.2013