sexta-feira, 27 de janeiro de 2012







NUMÁRIA
MOEDA
ESCUDO REPUBLICANO
1911— 2001


I


Com a proclamação da República em 5 de Outubro de 1910 muitas e profundas alterações se procederam em todos os sectores da sociedade, dando um forte cunho ao novo regime ora implementado, concorrendo para isso a criação de símbolos que foram marcantes e eternizados como, o novo Hino Nacional, uma nova Bandeira e a criação de um novo Sistema Monetário (uma nova moeda).
No ano de 1904 a moeda portuguesa apresentava em relação aos outros países da Europa uma desvalorização enorme, o que dificultava a realização de transacções comerciais com avultadas quantidades de notas envolvidas; os registos nos livros comerciais com elevado número de algarismos, o que também dificultava o exercício. Pensou-se proceder a uma modificação do sistema monetário, cuja unidade monetária seria denominada “Luso”, pois diria a toda a gente que é a moeda da antiga Lusitânia, e que a mesma seria dividida na forma decimal até aos centésimos. A conversão seria na proporção de 200 reis para um luso. Tal reforma não se veio a concretizar devido às crises económicas e financeiras que se seguiram. Após a Implantação da República e depois de elaborados estudos, foi criado o Decreto Fundador do Escudo Republicano, datado de 22 de Maio de 1911, que nos diz o seguinte:
“Além da razão apontada, outras que já tinham sido anunciadas em Outubro de 1904, na sua proposta de modificação do sistema monetário, foi adoptada como nova unidade monetária, o (Escudo) de ouro, cuja moeda conterá o mesmo peso de ouro fino que a actual moeda de 1 000 reis em ouro. O escudo dividir-se-á em 100 partes iguais, denominadas centavos, correspondendo assim um centavo a 10 reis. Como múltiplos do escudo, serão cunhadas moedas de 2, 5 e 10 escudos em ouro, as quais equivalerão às moedas de 2, 5 e 10 mil reis; como submúltiplos, moedas de prata de valor legal de 50, 20 e 10 centavos, que corresponderão às moedas de 500, 200 e 100 reis; como moedas subsidiárias de bronze níquel, de valor legal de 4, 2, 1, e 0,5 centavos, correspondentes às moedas de 40, 20, 10 e 5 reis. A conversão seria de 1 000 reis para 1 escudo”.
Para que se procedesse à cunhagem de novas moedas, era necessária uma quantidade assinalável de metais preciosos e de outras ligas para levar em frente tão arrojada mas necessária mudança; a inflação alastrava, o que dificultava e alterava a atribuição do valor da moeda; a constante procura de metais para fazer face às necessidades da indústria bélica (1ª. Guerra Mundial), que entretanto deflagrara, e em que Portugal se viu envolvido, era de máxima prioridade. Perante estas circunstâncias era confrangedor a falta de moeda subsidiária, o que levou a que os diversos Governos tomassem medidas no sentido de decretar a emissão de cédulas, de baixo valor em princípio pela Casa da Moeda, e depois, através de entidades oficiais como, Câmaras Municipais, Bancos Comerciais, Casas da Misericórdia, Hospitais, Entidades Particulares acreditadas na sociedade, etc. e por fim, até as simples mercearias de bairro se serviam de um pedaço de papel e nela inseriam determinada importância, de pequena monta, para facilitar os trocos. As primeiras moedas emitidas pela Casa da Moeda são as de valor facial de dez centavos, vinte centavos, cinquenta centavos e um escudo, em prata. As dificuldades com as cunhagens das moedas alastraram-se até ao fim da 1ª. República (1926).
Não são emitidas moedas de ouro, ao contrário do estipulado pelo decreto de 22 de Maio de 1911.
Ao longo dos 90 anos (1911-2001), foram feitas cunhagens de moeda de tipo corrente e somente a partir do ano de 1974, foi iniciada a cunhagem de moedas com acabamento especial, (moeda BNC e moeda Proof). É sobre a moeda corrente que versa este trabalho, fazendo algumas anotações aos tipos de acabamento de moedas, mais adiante.
Foram efectuadas cunhagens de moedas de 20 valores faciais e dos mais diversos metais: valores e metais: $01 (um centavo), em bronze; $02 (dois centavos), em ferro e bronze; $04 (quatro centavos), em cuproníquel; $05 (cinco centavos), em bronze; $10 (dez centavos), em prata, cuproníquel, bronze e alumínio; $20 (vinte centavos), em prata, cuproníquel e bronze; $50 (cinquenta centavos), em prata, bronze alumínio, alpaca; 1$00 (um escudo), em prata, bronze alumínio, alpaca, bronze e latão níquel; 2$50 (dois escudos e cinquenta centavos), em prata e cuproníquel; 5$00 (cinco escudos), em prata, cuproníquel e latão níquel; 10$00 (dez escudos), em prata, cuproníquel e latão níquel; 20$00 (vinte escudos), em prata e cuproníquel; 25$00 (vinte e cinco escudos), em cuproníquel; 50$00 (cinquenta escudos), em prata e cuproníquel; 100$00 (cem escudos), em prata, cuproníquel e uma outra com um núcleo interno de cobre alumínio níquel e uma coroa exterior de cuproníquel; 200$00 (duzentos escudos), com um núcleo interno de cuproníquel e uma coroa de cobre alumínio níquel e cuproníquel; 250$00 (duzentos e cinquenta escudos), em prata e cuproníquel; 500$00 (quinhentos escudos), em prata; 750$00 (setecentos e cinquenta escudos), em prata; e 1 000$00 (mil escudos), em prata. As moedas tinham os mais variados pesos e diâmetros, desde a moeda de $10 em alumínio que pesava 0,5, e com o diâmetro de 15 mm., até à moeda maior, de 1.000$00 em prata com o peso de 27 g, e um diâmetro de 40 mm.
Quanto aos bordos das moedas, existem serrilhados, lisos, serrilhados e lisos alternadamente, e com inscrições no bordo, alguns com inscrições invertidas.
As moedas com acabamento BNC (Brilhante não circulada) e Proof (Prova numismática), começaram a ser cunhadas as em Portugal no ano de 1974 e o ciclo iniciou-se com as moedas comemorativas da Revolução do 25 de Abril de 1974 com os valores faciais de 100$00 e 250$00. No tipo de moedas com acabamentos especiais, foram empregues os seguintes metais: cobre alumínio níquel e cuproníquel, (este conjunto de metais aplicados às moedas bimetálicas de 100$00 e 200$00); cuproníquel; prata; ouro e prata, (moeda lamelar), ouro, paládio e platina nas moedas de 100$00, 200$00 e 500$00; e de prata nas moedas de 1.000$00.
Na gíria popular foram dados nomes às diversas moedas que as caracterizaram para sempre como: $10 de cobre chamavam-lhe o “cruzado”; à moeda de $20 de cobre, “dois cruzados”, porque no anverso das moedas apresentavam respectivamente o número X e XX em romano e no reverso apresentava uma cruz, daí advindo o nome de moedas de cruzados; a moeda de $50 de alpaca foi baptizada com o nome de “coroa”, pois no anverso da moeda estava representado o escudo nacional entre vergônteas de louro e carvalho, que mais parecia uma coroa; à moeda de 2$50 foi-lhe dado o nome de “5 coroas” pois correspondia a cinco moedas de $50; a moeda de 10$00, comemorativa da Batalha de Ourique (1928), foi apelidada de “moeda de cavalinho”, por ter na composição do anverso a representação de um cavalo e o seu cavaleiro. Também se atribuíram outros nomes às moedas de baixo valor, “tostões”, exemplo; à moeda de $10 (um tostão), à moeda de $20 (dois tostões), à moeda de $50 (cinco tostões), à moeda de 1$00 (dez tostões) e à moeda de 2$50 (vinte e cinco tostões); já às de montante mais elevado chamavam-nas de “paus”, exemplo; à moeda de 5$00 (cinco paus), à moeda de 10$00 (dez paus), à moeda de 20$00 (vinte paus), à moeda de 50$00 (cinquenta paus), assim como a todas as outras que mais tarde apareceram com outros valores mais elevados
Ao dinheiro tanto seja expresso em notas como em moedas e consoante o montante envolvido, o povo, adjectivou-o do seguinte modo:
1)- Algum; 2)- Arame; 3)- Bagalhoça; 4)- Bago; 5)- Bagulho; 6)- Barão; 7)- Bazaruco; 8)- Bomba; 9)- Bronze; 10)- Cabedal; 11)- Cacau; 12)- Cantante; 13)- Carcanhóis; 14)- Caroço; 15)- Cascalho; 16)- Chapa; 17)- Cash; 18)- Chavo; 19)- Cheta; 20)- Cobre; 21)- Contos; 22)- Contado; 23)- Estaleca; 24)- Ganhapão; 25)- Grana; 26)- Guita; 27)- Maçaroca; 28)- Maquia; 29)- Massa; 30)- Metálico; 31)- Milho; 32)- Móni; 33)- Níquel; 34)- Nota; 35)- Onça; 36)- Ouro; 37)- Painço; 38)- Papel; 39)- Pasta; 40)- Pilim; 41)- Prata; 42)- Sonante; 43)- Tostão; 44)- Trocados; 45)- Vintém, etc...

Foram fabricadas quatro mil quinhentos e trinta e cinco milhões setecentos e dezanove e mil seiscentas e vinte e cinco moedas correntes, que consumiram vinte e seis milhões quinhentos e cinquenta mil quinhentos e quarenta e sete quilogramas dos mais diversos metais.
O Decreto com força de Lei de 22 de Maio de 1911 previa a emissão de moedas de ouro de 10$00 com o peso de18,065 g,, 5$00 com o peso de 9,0325 g., de 2$00 com o peso de 3,613 g. e de 1$00 com o peso de 1,8063 g.
Moedas com Acabamento especial
As moedas com acabamento especial, são de dois tipos:
BNC (Brilhante não circulada) e Prova numismática (Proof).
Colecção de moedas correntes com acabamento (BNC).
BNC (Brilhante não circulada) - são as moedas cunhadas sobre discos metálicos especialmente preparados com cunhos polidos, apresentando o campo e os relevos uniformemente brilhantes.
Foram fabricadas carteiras com moedas representativas das correntes dos anos a que dizem respeito e nalguns casos introduzida uma moeda comemorativa relacionada com determinada efeméride relativa a esse ano:
01)-Ano de 1986 - carteira composta por 5 moedas, emitidas 50 000 unidades; 02)-Ano de 1987 - carteira composta por 6 moedas, emitidas 50 000 unidades; 03)-Ano de 1988 - carteira composta por 5 moedas, emitidas 20 000 unidades; 04)-Ano de 1989 - carteira composta por 6 moedas, emitidas 30 000 unidades; 05)-Ano de 1990 - carteira composta por 6 moedas, emitidas 30 000 unidades; 06)-Ano de 1991 - carteira composta por 6 moedas, emitidas 20 000 unidades; 07)-Ano de 1992 - carteira composta por 7 moedas, emitidas 20 000 unidades; 08)-Ano de 1993 - carteira composta por 7 moedas, emitidas 20 000 unidades; 09)-Ano de 1994 - carteira composta por 7 moedas, emitidas 20 000 unidades; 10)-Ano de 1995 - carteira composta por 7 moedas, emitidas 20 000 unidades; 11)-Ano de 1996 - carteira composta por 8 moedas, emitidas 15 000 unidades; 12)-Ano de 1997 - carteira composta por 9 moedas, emitidas 20 000 unidades; 13)-Ano de 1998 - carteira composta por 8 moedas, emitidas 16 500 unidades; 14)-Ano de 1999 - carteira composta por 9 moedas, emitidas 15 000 unidades; 15)-Ano de 2000 - carteira composta por 8 moedas, emitidas 10 000 unidades; e 16)- Ano de 2001- carteira composta por 7 moedas, emitidas 50 000 unidades.


(continua)


Publicado no Jornal das Caldas em 25-01-2012

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Coleccionismo
Numismática






Moeda de Ouro

Tesouros Numismáticos Portugueses

O Português de D. Manuel I






A Imprensa Nacional Casa da Moeda pôs em curso, no ano de 2009 um plano numismático extremamente ambicioso, o qual tem sido bastante admirado e sobre o qual se tem tecido os maiores elogios. A este, foi-lhe dado o nome “Tesouros Numismáticos Portugueses”, e abrange a reprodução de um conjunto de cinco moedas batidas e cunhadas em ouro, desde o inicio da nacionalidade (reinado de D. Sancho II até ao reinado de D. Maria II), que pelo seu significado foram consideradas as moedas de maior prestígio nacional, havendo uma que pelas suas qualidades atingiu o auge em toda a Europa durante dois séculos, tendo sido considerada uma moeda muito forte e de enorme impacto a nível mundial, ao ponto de ter sido batida por alguns estados e cidades integrados na Liga Hanseática.
No ano de 2009 foi cunhada a reprodução da moeda do reinado do rei D. Sancho II “O Morabitino”, com o valor facial de € 2,50, de 26,5 mm. de diâmetro, 10,37 g. de peso em ouro e com a permilagem de 99,9%.
No ano de 2010 foi cunhada a reprodução da moeda do reinado do rei D. João II “O Justo”, com o valor facial de € 5,00, de 30 mm. de diâmetro, 15,55 g. de peso em ouro e com a permilagem de 99,9%.
No presente ano foi cunhada a reprodução da moeda do reinado do rei D. Manuel “O Português”, com o valor facial de € 7,50, 33 mm. de diâmetro, 23,33 g. de peso, e com a permilagem de 99,9%, com acabamento proof e com um limite de emissão de 2.500 unidades.
Para os próximos anos de 2012 e 2013 e não havendo surpresas de maior, serão cunhadas respectivamente réplicas das moedas da dobra de “24 Escudos”, a maior moeda que se cunhou em Portugal, e uma das maiores do mundo, no reinado de D. João V, e a peça “A Degolada”, do reinado de D. Maria II, terminando com esta este ciclo.

D. Manuel I, nasceu no ano de 1469 em Alcochete e faleceu na cidade de Lisboa no ano de 1521, sendo cognominado de “O Venturoso”, ”O Bem Aventurado” ou “O Afortunado”, tanto pelos eventos felizes que o levaram ao trono, como pelos que ocorreram no seu reinado. D. Manuel, sucedeu ao seu primo direito D. João II, prosseguindo as explorações portuguesas pela costa ocidental de África, estabelecendo feitorias, de tal modo que o levou à descoberta do caminho marítimo para a Índia. Foi o primeiro rei a assumir o título de Senhor do Comércio, da Conquista e da Navegação da Arábia, Pérsia e Índia, no ano de 1521.
A riqueza começava a afluir ao reino, com a chegada do ouro proveniente da costa africana, primeiro da Mina (São Jorge da Mina, região da Guiné) e depois do Monomotapa (era o soberano que reinava na bacia do rio Zambeze), o ouro era proveniente das zonas auríferas de Butua (Transval), Mokaranga (Rodésia) e Mata-belé (zona compreendida entre os rios Limpopo e Zambeze).
A descoberta do caminho marítimo para a Índia tinha como objectivo primordial a instalação de uma carreira de comércio de especiarias; valendo-se dos recursos do ouro da Mina, D. Manuel, mandou lavrar as moedas “O Português” de ouro, que se caracterizou como sendo a maior e mais pesada moeda europeia da época com o valor de 10 cruzados de ouro, equivalente a 3.900 reais e com o peso de 35,5 gramas de ouro maciço, a qual foi considerada a moeda mais representativa da expansão portuguesa, fazendo-a acompanhar na armada de Vasco da Gama, a fim de servir para troca com a aquisição de bens ou especiarias, ou como gratificações de serviços prestados e também como ofertas do soberano português a outros soberanos.
A propósito desta escreveu no ano de 1566 Damião de Góis na Crónica do Felicíssimo Rei D. Manuel: “(… mãdou lavrar no ano de mil quatroçetos, noventa e nove, Portugueses douro, de dez cruzados de valor cada hum de vinte e quatro quilates, que hera a mesma lei dos cruzados, hus quaes Portugueses tinham de hua parte de cunhos há cruz da ordem de christus, e hum letreiro que dizia, In hoc signo vinçes, e da outra parte tinham ho scudo das armas do regno com sua coroa., e dous letreiros, hum na grafilla de fora aho redor que dizia, primus Emanuel Rex Portugalie, Algarbiorum citra, e vlara in Africa, e dominus Guinae, e outro letreiro aho redor das armas que dizia, conquista nauegação, comerçio AEtiopiae, Arabie, Persiae,Indiae)”.
Esta moeda foi batida na cidade de Lisboa, Porto, Goa, Cochim e Malaca, tal o prestígio e o poder liberatório que alcançou, continuando a ser batida no reinado de D. João III e também na Liga Hanseática, (A Liga Hanseática foi uma aliança de cidades mercantis que estabeleceram e mantiveram um monopólio comercial sobre quase todo o norte da Europa e Báltico, desde a Idade Média, séc. XII até à idade Idade Moderna, séc. XVII).

No seu apogeu a Liga Hanseática contava com cerca de 90 cidades do mar do Norte e do mar Báltico, entre elas: Lubeck, Hamburgo Amsterdão, Bergen, Bordéus, Bruges, Colônia, Cracóvia, Groningen, Hildesheim, Londres, Nantes, Novgorod, Praga, Reval, Riga, Rostock, Stralsund, Toruń, Varsóvia, Wismar, Antuérpia e Coprnhaga.
É a demonstração real que estas espécies áureas de indubitável valor, penetraram na Europa Central e Setentrional onde pagavam todos os produtos exportados pelos portos dessa zona, mas em especial pelo porto de Antuérpia. Serviram também para pagar acordos diplomáticos, baseados em casamentos régios, estabelecidos com o Sacro Império Romano Germânico.
Estas moedas foram copiadas e cunhadas em diversos estados e cidades da Europa, desde 1570 a 1640, ficando na história como “Os Portugaloser”.

A moeda “O Português” de D. Manuel I
Características: O Português tinha o valor de 10 Cruzados em ouro, media 35,2 mm de diâmetro e pesava 35,22 g.

Anverso: As legendas, (Manuel I, Rei de Portugal e dos Algarves, daquém e além mar em África, Senhor da Guiné, da conquista e navegação e comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia), em duas linhas. Ao centro as armas do Reino, entre dois aneletes.

Reverso:
A legenda (Com este sinal vencerás). Ao centro a cruz de Cristo com um ponto ao meio, tendo no braço superior três pontos.
O valor actual desta moeda encontrando-se em bom estado de conservação, e segundo Javier Salgado, especialista e estudioso nesta matéria, oscila entre os 60.000 a 70.000 €uro, podendo atingir valores muito mais elevados em função do seu estado de conservação.


Bibliografia: Moedas de Prestígio Internacional - Banco de Portugal; Moedas de Ouro de Portugal dos séculos V a XX de Javier S. Salgado e Colecção particular do autor.

Óbidos, 2 de Dezembro de 2011.


Publicado no Jornal das Caldas em 18-01-2012.


F I M

sexta-feira, 21 de outubro de 2011




Artigo 75
Centenário da Implantação da República
(1910-2010)
Numária

O Papel-moeda



DEZ MIL ESCUDOS
Infante D. Henrique






Chapa 2


A efígie do Infante D. Henrique (1394-1460), um dos vultos mais notáveis da história da civilização europeia, foi a personalidade escolhida para figurar nesta nota. A parte da frente da nota apresenta sobre o lado esquerdo a marca de água e uma faixa de cor castanha com o número 10000; ao centro as armas de Portugal; e à direita a efígie do Infante com a heráldica dos Lencastre. No verso, a nota apresenta sobre o lado esquerdo uma versão da iluminura da Crónica da Guiné de Gomes Eanes de Zurara; ao centro uma caravela de velas içadas e a cruz de Cristo; sobre o lado esquerdo a respectiva marca de água. A maqueta é de autoria de Luís Filipe de Abreu, com trabalhos preliminares de De La Rue Giori SA da Suíça, e a impressão e estampagem das notas ficaram a cargo da firma inglesa, Thomas De La Rue & Cº. Ltd.. Tem como marca de água quando vista à transparência pela frente a efígie do Infante D. Henrique.
Dimensões da nota 156 x 75 mm. Foram emitidas 56 675 103 notas com a data da primeira emissão de 2 de Maio de 1996 e a última emissão datada de 12 de Fevereiro de 1998. Foram retiradas de circulação em 28 de Fevereiro de 2002.

Ver a biografia inserida na chapa 6 da nota de quinhentos escudos.

F I M

Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal.
Óbidos – Outubro 2010.

Publicado no Jornal das Caldas em 19-10-2011.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011



Artigo 73
Centenário da Implantação da República
(1910-2010)
Numária
O Papel-moeda

CINCO MIL ESCUDOS

Vasco da Gama



Chapa 3



Esta chapa que deu origem a última nota de valor de cinco mil escudos, apresenta na frente sobe o lado esquerdo a marca de água e uma faixa vertical em tons verdes com o número 5000; ao centro a cruz de Cristo sobre a esfera armilar; e no lado direito a efígie de Vasco da Gama. No verso apresenta sobre o lado esquerdo uma representação do encontro de Vasco da Gama com o Samorim de Calecute; ao centro uma pimenteira, uma nau com as velas içadas com a cruz de Cristo e o brasão de armas do Conde da Vidigueira; sobre o lado direito a respectiva marca de água. As notas têm como base a tonalidade da cor esverdeada. A maqueta é de autoria de Luís Filipe de Abreu e a impressão das notas ficou a cargo da firma Thomas De La Rue & Cº. Ltd., de Inglaterra, com trabalhos preliminares da firma Suíça de De La Rue Giori, SA. Dimensões da nota 147 x 75 mm. Foram emitidas 228 931 555 notas, cuja primeira emissão é datada de 5 de Janeiro de 1995 e a última de 2 de Julho de 1998. Foram retiradas de circulação em 28 de Fevereiro de 2002.

Ver a biografia inserida na chapa 2 da nota de quinhentos escudos.

F I M

Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal.
Óbidos – Outubro 2010.Publicado no Jornaldas Caldas de 05-10-2011.



Artigo 74
Centenário da Implantação da República
(1910-2010)
Numária
O Papel-moeda


DEZ MIL ESCUDOS
Egas Moniz






Chapa 1

A primeira nota de dez mil escudos tem como motivo principal na sua frente e do lado esquerdo o número 10000 e o escudo nacional; ao centro a representação do cérebro humano e retrato do Professor Egas Moniz; no lado direito apresenta-nos a marca de água. No verso da nota pode-se observar no lado esquerdo a respectiva marca de água; ao centro a reprodução da medalha relativa ao Prémio Nobel e uma alegoria da vida e da morte. Esta nota foi executada em tons de amarelo - torrado, e de amarelo claro. Tem como marca de água quando vista à transparência pela frente o retrato do Professor Egas Moniz. A maqueta é de autoria de Luís Filipe Abreu e a impressão e estampagem das notas foram efectuadas pela firma canadiana British American Bank Note, Inc. Dimensões da nota 173 x 80 mm. Foram emitidas 53 993 000 de notas. A primeira emissão foi a 15 de Maio de 1989 e a última emissão a 16 de Maio de 1991. Foram retiradas de circulação no ano de 1996.
António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz, mais conhecido pelo nome de Egas Moniz, nasceu em Avanca, a 29 de Novembro de 1874, filho de Fernando de Pina Resende de Abreu Freire e de sua mulher Maria do Rosário Oliveira de Almeida Sousa, no seio de uma família aristocrata. Foi médico, neurologista, investigador, professor, político e escritor. Após completar os seus estudos primários, ingressou no Colégio de S. Fiel, onde concluiu o Curso Liceal. Formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra, onde iniciou a sua actividade profissional como lente, leccionando as cadeiras de anatomia e fisiologia. No ano de 1911 foi transferido para Universidade de Lisboa, onde foi ocupar a cadeira de neurologista como professor catedrático Foi o fundador do Partido Republicano Centrista, dissidente do Partido Evolucionista. Apoiou o regime de Sidónio Pais durante o qual, exerceu as funções de Embaixador de Portugal em Madrid, no ano de 1917 e Ministro dos Negócios Estrangeiros em 1918. Presidiu à delegação portuguesa à Conferência da Paz em Paris, no mesmo ano. Jubilou-se em Fevereiro do ano de 1944. Egas Moniz contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da medicina ao conseguir pela primeira vez dar visibilidade às artérias do cérebro. A Angiografia Cerebral que descobriu após longas experiências com raio X, tornou possível localizar neoplasias, aneurismas, hemorragias e outras mal formações no cérebro humano, abrindo assim novos caminhos para a cirurgia cerebral. Foi o primeiro português a ser distinguido com o prémio Nobel de Medicina no ano de 1949, partilhando com outro notável investigador Walter Rudolf Hess, fruto deste trabalho. Ao seu trabalho foi dado continuidade, ao ser fundado no ano de 1950 no Hospital Júlio de Matos, o Centro de Estudos de Egas Moniz, onde foi Presidente. No ano de 1957 foi transferido para o serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria. Foi autor de diversas obras: “Vida Sexual”; “A Neurologia na Guerra”, “Alterações Anátomo - Patológicas na Difteria”; “Júlio Dinis e a Sua Obra”. Faleceu na cidade de Lisboa a 13 de Dezembro de 1955.

F I M

Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal”. Banco de Portugal. Lello Universal. Wikipedia.org/António Egas Moniz.
Óbidos – Outubro de 2010Publicado no Jornal das Caldas em 12-10-2011.


Artigo 72
Centenário da Implantação da República
(1910-2010)
Numária
O Papel-moeda




CINCO MIL ESCUDOS
Antero de Quental






Chapa 2

À segunda nota de cinco mil escudos foi evocada a figura do escritor e poeta de grande influência no movimento da Geração de 70, Antero de Quental (1842-1891). A frente da nota é composta pela efígie do poeta ladeada pelo lado esquerdo por um conjunto de desenhos, que nos permitem deduzir que se tratam de aves, representativas do sentido de liberdade e o escudo, e do lado direito pela marca de água. O verso apresenta-nos um desenho simbolizando o esforço conjugado para a Liberdade e o Trabalho na parte central da nota, na parte esquerda um conjunto de desenhos evocando a liberdade, como na frente, e junto à margem a marca de água. As notas possuem uma coloração que vai do verde-claro ao castanho. A maqueta é de autoria de Luís Filipe Abreu, e a impressão das notas é da autoria da firma Thomas De La Rue & Cº. Ltd., de Inglaterra. Tem como marca de água quando vista à transparência pela frente a efígie do epigrafado. Dimensões da nota 177 x 70 mm. Foram emitidas 49 644 000 notas cuja primeira emissão são de 7 de Agosto de 1987 e a última emissão de 20 de Junho de 1989. Foram retiradas de circulação no ano de 1991.
Antero Tarquínio de Quental nasceu a 18 de Abril de 1842 em Ponta Delgada, nos Açores, filho de Fernando de Quental e de sua mulher Ana Guilhermina da Maia. Foi um dos pensadores mais profundos do seu tempo; os seus versos exprimem a ansiedade da sua alma perante os problemas eternos da Natureza. Iniciou os seus estudos na cidade onde nasceu, mudando-se para Coimbra com dezasseis anos de idade, estudando direito e manifestando as primeiras ideias socialistas. Dedicou-se essencialmente à poesia, à filosofia e por fim à política. Publicou no ano de 1861 os primeiros sonetos. Em 1865 publicou as “Odes Modernas”. Neste mesmo ano iniciou a Questão Coimbrã, em que Antero e outros poetas foram alvo de acérrimos ataques, por parte de António Feliciano de Castilho, por instigarem a revolução intelectual, respondendo Antero com a publicação dos opúsculos “Bom Senso e Bom Gosto”, e a “Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais”. No ano de 1866 veio residir para Lisboa, onde experimentou a vida de operário, trabalhando como tipógrafo. Em 1867 foi para Paris onde exerceu também a profissão de tipógrafo. Regressou a Lisboa no ano de 1868, onde formou o Cenáculo, de que fizeram parte, altos vultos da cultura portuguesa de então, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão e Eça de Queirós. Foi um dos fundadores do Partido Socialista Português. Fundou o jornal a “República”, com Oliveira Martins, no ano de 1869.
Editou no ano de 1872, juntamente com José Fontana a revista “O Pensamento Social”. Fez a reedição das “Odes Modernas”, no ano de 1875. Em 1879 mudou-se para a cidade do Porto, e aqui no ano seguinte, adoptou as duas filhas de um amigo que tinha falecido. Por razões de saúde e a conselho de seu médico, veio viver para Vila do Conde, no ano de 1881, onde fixou residência até ao ano de 1891, com pequenas ausências aos Açores e Lisboa; segundo o próprio, considerou que foi o melhor período da sua vida, servindo-lhe de inspiração os passeios que dava junto às praias, os banhos de sol que tomou com a voluptuosidade que só são apanágio dos poetas e dos lagartos adoradores da luz. No ano de 1886 foram publicados os “Sonetos Completos”. No ano seguinte regressou a Vila do Conde. Em 1890 fez parte daqueles que se insurgiram contra o ultimato inglês de 11 de Janeiro, aceitando presidir à Liga Patriótica do Norte. Em 1891regressou à cidade de Lisboa, instalando-se em casa de sua irmã, Ana de Quental; era portador de Transtorno Bipolar, provocando um enorme estado de depressão. Nesse mesmo ano regressou a Ponta Delgada, suicidando-se com dois tiros a 11 de Setembro de 1891.


F I M

Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal”. Lello Universal. Wikipedia.org/Antero de Quental.
Óbidos – Outubro de 2010.

Publicado no Jornal das Caldas em 28-09-2011.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011







Artigo 71
Centenário da Implantação da República
(1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
CINCO MIL ESCUDOS
António Sérgio






Chapa 1




A imagem do escritor António Sérgio (1883-1969) e outros elementos são os motivos salientes desta nota de Cinco mil escudos. O trabalho de elaboração das chapas e estampagem das notas foi da autoria da firma inglesa Thomas De La Rue & Cº. Ltd., Basingstoke, Hampshire, e as maquetas de autoria do arquitecto João de Sousa Araújo. A frente é composta por uma estampagem calcográfica, executada pelo sistema Giori, a três cores, com trabalho de guilhoché em linha branca e linha cheia e aplicações em “moiré”, onde se destaca sobre o lado esquerdo o retrato de António Sérgio. O fundo impresso em “offset”, apresenta um desenho geométrico, disposto em zona de cores definidas. O verso tem uma estampagem calcográfica a duas cores sobre fundo irisado de técnica idêntica à da frente da nota, apresentando a figura de corpo completo de António Sérgio em movimento, e no canto inferior direito três pequenos círculos destinados a possibilitar aos cegos a leitura por tacto. O papel de fabrico inglês, tem como marca de água, quando visto à transparência pela frente e do lado direito o retrato de António Sérgio e observa-se um filete de segurança de traço descontinuo. Dimensões da nota 170 x 75 mm. Foram emitidas 13 166 000 notas com as datas de 10 de Setembro de 1980 e 27 de Janeiro de 1981. Primeira emissão, 25 de Fevereiro de 1981. Foram retiradas de circulação a 30 de Novembro de 1992.
António Sérgio nasceu a 3 de Setembro de 1883 na antiga possessão portuguesa de Damão, na Índia, destacando-se como um pensador, escritor e importante intelectual. Viveu alguns anos em África onde foi influenciado pelo contacto de várias culturas. Estudou no Colégio Militar, completando o curso da Marinha de Guerra, na sequência do qual viaja para Cabo Verde e depois Macau. Aquando da implantação da República abandonou a Marinha, debruçando-se sobre o progresso económico e moral de Portugal e não tanto na questão política. A sua acção centrou-se essencialmente na problemática da Educação, pois o século XIX em Portugal foi caracterizado por reformas que raramente passaram dos textos legislativos ou declarações de intenções. António Sérgio foi Ministro da Instrução Pública durante dois meses e dez dias, no governo de Álvaro de Castro. A sua actividade cultural foi muito criativa: fundou a revista “Pela Grei”; foi colaborador da revista “Águia”, conjuntamente com Fernando Pessoa e Teixeira de Pascoais; escreveu artigos para a revista “Seara Nova”, onde contactou com Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, etc…; foi director da “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”; foi dele que partiu a ideia do Cooperativismo, que se viria a revelar uma das suas obras mais significativas, nomeadamente ao nível das cooperativas de habitação; fundou a Junta Propulsora dos Estudos; criou o ensino para deficientes; fundou o Instituto Português do Cancro; e escreveu uma imensa obra teórica em grande parte compilada nos “Ensaios”. Exerceu a docência nomeadamente na Universidade de Santiago de Compostela, influenciando personagens como o arquitecto Raul Lino, o psiquiatra Barahona Fernandes, o pedagogo Rui Grácio, sendo considerado como um Educador de Gerações. Combateu o ensino baseado na memória e treinou as crianças no exercício da democracia, vendo a escola como um modelo para a sociedade. Homem de pensamento livre e democrata por convicção, António Sérgio foi preso em 1910, 1933, 1935, 1948 e 1958. Foi na prisão que encontrou a verdadeira “União Nacional” de oposição à ditadura militar, e, depois, a Salazar, ao Estado Novo e ao fascismo. Foi considerado uma das grandes figuras mentais do Portugal contemporâneo e autor de vasta e valiosa obra como: Notas sobre Antero de Quental; Educação Cívica; Considerações Histórico - Pedagógicas; Educação Profissional; O Seiscentismo; História de Portugal; Ensaios em oito volumes onde revela inigualável poder de análise; Diálogos de Doutrina Democrática, etc… Faleceu na cidade de Lisboa a 24 de Janeiro de 1969.

F I M

Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal”. Banco de Portugal. Wikipedia.org António Sérgio.Lello Universal.
Outubro de 2010.


Publicado no Jornal das Caldas em 21.09.2011