quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Artigo 13
Centenário da Implantação da República (1910-201


Numária - O papel-moeda

VINTE ESCUDOS

Chapa 1




Iniciamos a abordagem às notas de vinte escudos, dum total de dez, que foram emitidas pelo Banco de Portugal, ao longo destes últimos 90 anos. Recaí a primeira emissão na estampagem do retrato do ilustre poeta, romancista, autor dramático, político português, orador de nomeada, Par do Reino, Ministro e Secretário de Estado Honorário Português, Almeida Garrett.
Foi atribuída a chapa 1 a esta nota, em que nos apresenta na frente e ao centro o oval com o retrato de Garrett, ladeando-o as figuras simbólicas da Glória e da Justiça, sobre um fundo multicolor irisado impresso tipograficamente e composto de pontos, linhas ondulantes verticais e trabalho de torno geométrico em linha escura, estando estampado a talhe doce, em tons acastanhados. Em cada lado da nota, observa-se uma cabeça numismática de perfil para o centro. Este retrato é da autoria de Armando Pedroso, gravador oficial do Banco de Portugal. No verso apresenta-nos um fundo rectangular, impresso tipograficamente em cores irisadas, com uma composição em "moiré", sobressaindo um grande ornato, estampado calcograficamente, a azul, com uma aplicação de guilhoché em linha branca.
O papel foi fabricado pela Société Anonyme des Papeteries du Marais et de Sainte-Marie (França), e tem como característica principal e de segurança, vista de frente e por transparência, na parte superior direita, o desenho de uma cabeça simbolizando a Primavera, voltada para a direita, e na inferior, a meio, a legenda Banco de Portugal.
Dimensão da nota 184 x 121 mm. Foram emitidas 2 900 000 notas com as datas de 5 de Janeiro de 1915, 14 de Abril de 1915, 27 de Abril de 1917, 14 de Dezembro de 1917 e 26 de Março de 1918. A primeira emissão, 14 de Outubro de 1916: Última emissão, 12 de Novembro de 1919. Foi retirada de circulação em 24 de Junho de 1929.
Biografia:
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, vulgo Almeida Garrett, nasceu na cidade do Porto, em 4 de Fevereiro de 1799, filho do selador mor da Alfândega do Porto. Durante a segunda invasão comandada pelo Marechal Soult, a família refugiou-se nos Açores, onde possuía propriedades. Passou a adolescência na ilha Terceira. Aí recebeu uma educação esmerada a ponto de ser destinado à vida eclesiástica, na Ordem de Cristo, por incumbência do seu tio paterno, Frei Alexandre da Sagrada Família, bispo de Malaca e mais tarde de Angra. Foi também aqui que conheceu a sua companheira Luísa Castelo.
- No ano de 1816, vem para a metrópole, (Coimbra) onde se matricula no curso de direito.
- É um participante e activista na revolução liberal de 1820.
-Em 1821, publica “O Retrato de Vénus”, trabalho este que lhe veio causar imensos problemas, considerando-o materialista, ateu e imoral.
- Casa no ano de 1823 com uma jovem senhora de nome Luísa Midosi; exila-se em Inglaterra após a Vilafrancada. Aqui contactou com o movimento romântico, descobrindo a imensa obra de Shakespeare, Walter Scott e outros ilustres autores do mesmo movimento; aproveitou para visitar castelos, igrejas, abadias góticas, enfim um sem número de monumentos de diversos estilos, que vieram em tudo reflectir e influenciar toda a sua obra.
- No ano de 1824 parte para França, onde se radica até 1826. Nesse espaço de tempo escreve “Camões” em 1825, e “Dona Branca” 1826, obras estas consideradas as primeiras da literatura romântica portuguesa.
- Em 1826 regressa a Portugal, dedicando-se ao jornalismo, fundando e dirigindo o jornal diário “O Português” e o semanário “O Cronista”.
- Em 1828 e após o regresso do rei D. Miguel, é forçado a abandonar o País; neste mesmo ano em Inglaterra publica “Adozinda”.
- Nos anos de 1832 e 1833, conjuntamente com Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar, tomam parte no desembarque do Mindelo e no cêrco do Porto.
Com a vitória do Liberalismo, instala-se novamente em Portugal, após pequena estadia em Bruxelas, desempenhando o cargo de Cônsul Geral e Encarregado de Negócios.
Em Portugal desempenhou cargos políticos de nomeada; nos anos 30 a 40 distinguiu-se como o maior orador nacional. É-lhe atribuída a criação do Conservatório da Arte Dramática, da Inspecção Geral dos Teatros, do Panteão Nacional e do actual Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.
Após a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral ao governo, Almeida Garrett, abandona a vida política até 1852; no entanto, em 1850 conjuntamente com mais 50 altas personalidades, subscreve um protesto contra a proposta sobre a liberdade de imprensa, que ficou conhecida por “lei das rolhas”.
A vida de Garrett, foi tão apaixonante quanto a sua obra: Entre os anos 20 e 30 é um revolucionário; distingue-se nas décadas posteriores como um perfeito apaixonado e galanteador, tornando-se uma personagem principesca nos salões mundanos. Separa-se da sua mulher Luísa Midosi, com quem casara com apenas 14 anos de idade, passando a viver com D. Adelaide Pastor até à morte desta, em 1841. Em 1846, elege como sua musa a viscondessa da Luz, Rosa Montufar Infante, inspiradora dos êxtases românticos “Folhas Caídas”.
- No ano de 1851 e por decreto do Rei D. Pedro V, é feito Visconde.
- No ano de 1852 dirige por alguns dias a pasta dos Negócios Estrangeiros, a pedido do Duque de Saldanha, então presidente do governo.
A vasta obra literária de Garrett, no século XIX e grande parte do século XX, foi tida como das mais geniais da língua, só suplantada apenas pela obra de Camões. É considerado o autor mais representativo do romantismo em Portugal.
Obras mais emblemáticas:
Poemas - Hino Patriótico – Porto – 1820; Ao Corpo Académico – Coimbra-1821; Retrato de Vénus – Coimbra – 1821; Camões – Paris – 1825; Dona Branca ou a Conquista do Algarve – Paris – 1826; Adozinda – Londres – 1828; Lyrica de João Mínimo – Londres – 1829; Miragaia – Lisboa – 1844; Flores sem Fruto – Lisboa – 1845; Os Exilados, à Senhora Rosa Caccia – Lisboa – 1845; Folhas Caídas – Rio de Janeiro e Lisboa – 1853; Camões, com estudo de Camilo Castelo Branco – Porto – 1854.
Obras Póstumas - Dona Branca ou a Conquista do Algarve; Magriço ou Os Dez de Inglaterra; Bastardo do Fidalgo; A Anália; Roubo das Sabinas; Afonseida, ou Fundação do Império Lusitano; Poemas Dispersos.
Peças Teatrais - Catão – Coimbra – 1822; Catão – Londres – 1830; Catão – Rio de Janeiro – 1833; O Alfageme de Santarém ou A Espada do Condestável – Lisboa – 1842; Um Auto de Gil Vicente – Lisboa – 1842; Frei Luís de Sousa – 1843; Dona Filipa de Vilhena – Lisboa - 1846; Falar Verdade a Mentir – Lisboa 1846; A Sobrinha do Marquês – 1848.
Obras Póstumas – Um noivado no Dafundo – Lisboa; Átala – 1914; Lucrécia – 1914; Afonso de Albuquerque – 1914; O Amor da Pátria – 1914; La Lezione Agli Amanti – ópera bufa – 1914; Falar Verdade a Mentir – Rio de Janeiro; As Profecias do Bandarra – Lisboa; Os Namorados Extravagantes – 1974.
Romances, Cancioneiros e Contos – Bosquejo da História da Poesia e da Língua Portuguesa – Paris – 1826; Lealdade, ou a Victória da Terceira – Londres – 1829; Romanceiro e Cancioneiro Geral – Lisboa -. 1843; O Arco de Sant´Ana – Lisboa – 1845; Viagens na Minha Terra – Lisboa – 1846.
Obras Póstumas – Helena – Lisboa – 1871; Memórias de João Coradinho – Lisboa 1881; Joaninha dos Olhos Verdes – Lisboa – 1941; História Brasileira – 1956; Cancioneiros de romances – Lisboa – 1987.
Além destas obras mais significativas, deixou-nos um manancial de artigos, ensaios, biografias, folhetos, cartas, diários e discursos, além da sua participação em publicações periódicas.
Publicações Periódicas – Toucador – periódico dedicado às senhoras portuguesas; Heraclito e Democrático; Português – Diário político, literário e comercial; Cronista – Semanário de política, literatura, ciências e artes; Chaveco Liberal; Precursor; Português Constitucional; Entreacto – Jornal de Teatros; Jornal do Conservatório; Jornal das Belas Artes; Ilustração – Jornal Universal.
Almeida Garrett, faleceu em 9 de Dezembro de 1854, na cidade de Lisboa, sendo sepultado no cemitério dos Prazeres.


F I M

Obra consultada “O papel-moeda em Portugal” – Banco de Portugal. Trechos avulsos. Wikipedia.
Óbidos 16 de Dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009


Artigo 12
Centenário da Implantação da República (1910-2010)


Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010
Por: Luís Manuel Tudella

DEZ ESCUDOS









Na última nota de Dez Escudos emitida pelo Banco de Portugal, foi homenageada a figura do grande escritor português do século XIX, Eça de Queirós, considerado o maior romancista e contista desse século, seguindo a escola/tradição; inicialmente enveredando pelo romantismo, e posteriormente transitando para o realismo, sendo esta última fase a mais crucial e longa da sua vida literária.
A nota apresenta-nos na frente uma vista da Igreja dos Jerónimos, em Belém e o retrato de Eça de Queirós a preto, sendo estampado calcograficamente e inclui trabalho de guilhoché em linha branca; o fundo impresso tipograficamente a encarnado claro e composto de um desenho continuo e linhas ondulantes paralelas. O verso tem uma estampagem calcográfica, a castanho escuro com motivo de guilhoché em linha branca sobre fundo amarelado, composto por pontos e linhas ondulantes oblíquas.
O trabalho da elaboração das chapas e estampagem das notas foi executado pela casa Waterlow & Sons Ltd., de Londres, e o papel de origem inglesa tem uma marca de água, observado à transparência pela frente, igual à de todas as notas estampadas por aquela firma anteriormente.
Dimensão da nota, 149 x 87 mm. Foram emitidas 10 000 000 de notas com a data de 13 de Janeiro de 1925. Foi retirada de circulação em 31 de Dezembro de 1933 conjuntamente com as notas de 5$00 e 2$50, para serem substituídas por moedas de prata com os mesmos valores das notas retiradas.
Biografia
José Maria de Eça de Queirós, vulgo Eça de Queirós, nasceu na Povoa do Varzim, numa casa da praça do Almada no dia 25 de Novembro de 1845; filho de Carolina Augusta Pereira de Eça e de José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, sendo baptizado na igreja matriz de Vila do Conde, no dia 1 de Dezembro do mesmo ano, constando do seu registo ser filho de mãe incógnita, ao que parece, ser esta a fórmula comum que se traduzia pela solução usada quando a mãe pertencia a estratos sociais elevados, como era o caso. Após seis dias da morte da avó de Eça, os pais contraíram matrimónio, pois a avó sempre se tinha oposto a este desenlace; tinha por essa altura Eça quatro anos de idade. Em virtude destes factos foi entregue a uma ama, aos cuidados de quem ficou, até passar para a casa de Verdemilho em Aradas, Aveiro, casa da sua avó paterna até à sua morte, em 3 de Novembro de 1855. Foi internado no colégio da Lapa no Porto, onde conhece Ramalho Ortigão, de onde saiu no ano de 1861, com a escolaridade obrigatória completa, com dezasseis anos de idade. Ingressa na Universidade de Coimbra no mesmo ano de 1861 onde se matriculou em direito. Durante o tempo de Coimbra conhece Antero de Quental do qual se torna amigo. Os seus primeiros trabalhos foram publicados na Gazeta de Portugal, no ano de 1866 e mais tarde coligidos em livro, publicado a título póstumo, com o nome de “Prosas Bárbaras”. Em 1866 conclui o Curso de Direito, mudando-se para Lisboa, onde se instala na casa dos pais, fazendo a sua inscrição como advogado no Supremo Tribunal de Justiça. No fim do ano parte para a cidade de Évora, onde funda e dirige um jornal bissemanário de índole oposicionista, “Diário de Évora”. Em finais de 1869 e 1870 Eça de Queirós faz uma viagem de cerca de seis meses pelo Oriente, em companhia de D. Luís de Castro, 5º. Conde de Resende, irmão daquela que viria a ser sua futura mulher, Emília de Castro, tendo assistido à inauguração do canal de Suez. Visitaram a Palestina, aproveitando notas de viagem para a compilação dos seus futuros trabalhos. No ano de 1870 e após regressar do Oriente é nomeado administrador do concelho de Leiria, onde escreve a sua primeira novela realista “O crime do Padre Amaro”, que se caracterizou por um forte ataque à igreja e à sociedade provinciana de então. No ano de 1871, é um dos participantes das Conferências do Casino, denominada a Nova Literatura ou, como Eça se lhe refere nas Farpas, a Afirmação do Realismo como Nova Expressão de Arte. Entre os anos de 1872, 1873, desenvolve uma intensa actividade diplomática, sendo nomeado cônsul, nas Antilhas Espanholas, depois em Havana. No ano de 1873, viaja por toda a América do Norte em missão oficial, regressando a Havana. No ano de 1874 regressa a Portugal onde permanece escassos meses, seguindo para o consulado de Newcastle. No ano de 1878 segue para Bristol, onde desenvolveu uma carreira diplomática exemplar passando, os anos mais produtivos da sua vida como cônsul de Portugal. Escreve por esta altura um dos trabalhos mais emblemáticos “A Capital” escrito numa prosa hábil, e realista; também são desta época as obras “Os Maias” e “O Mandarim”, este último escrito em Paris.
As suas obras ainda hoje espelham em parte a crítica à sociedade de hoje; ágil na prosa; contundente na sua crítica; realista com a naturalidade na descrição das cenas, é tão autêntico, que nos dá a percepção de estarmos a vive-las, tal é a maneira como somos absorvidos e envolvidos pela sua leitura.
As obras de Eça foram traduzidas em cerca de vinte línguas, o que demonstra a sua qualidade literária.
As obras mais emblemáticas por ordem cronológica:
1-Mistério da estrada de Sintra (1870), 2- O Crime do Padre Amaro (1875), 3- A tragédia da rua das flores (1877-78), 4- O Primo Basílio (1878), 5- O Mandarim (1880), 6- As minas de Salomão (1885), 7- A Relíquia (1887), 8- Os Maias (1888), 9- Uma campanha alegre (1890-91), 10- O Tesouro (1893), 11- A Aia (1894), 12- Correspondência de Fradique Mendes (1900), 13- A Ilustre Casa de Ramires (1900), todas estas obras foram publicadas em vida do romancista.
1-A cidade e as serras (1901), 2- Contos (1902), 3- Prosas bárbaras (1903), 4- Cartas de Inglaterra (1905), 5- Ecos de Paris (1905), 6- Cartas familiares e bilhetes de Paris (1907), 7- Notas contemporâneas (1909), 8- Últimas páginas (1912), 9- A Capital (1925), 10- O conde de Abranhos (1925), 11- Alves & Companhia (1925), 12- Correspondências (1925), 13- O Egipto (1926), 14- Cartas inéditas de Fradique Mendes (1929) e 15- Eça de Queirós entre os seus – Cartas íntimas (1949), foram obras publicadas a título póstumo.
Eça de Queirós faleceu em Paris no dia 16 de Agôsto de 1900.

F I M

Obra consultada O papel-moeda em Portugal – “Banco de Portugal”. Trechos avulsos.
Óbidos 15 de Outubro de 2009.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009


Artigo 11
Centenário da Implantação da República (1910-2010)



Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010
Por: Luís Manuel Tudella
DEZ ESCUDOS


À segunda nota de Dez Escudos emitida pelo Banco de Portugal, foi homenageada a figura do Marquês de Sá da Bandeira, de seu nome Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, general e estadista português; sendo um político do tempo da Monarquia Constitucional, e um dos mais destacados líderes do movimento setembrista. Destacou-se superiormente como líder do Partido Histórico, vindo mais tarde a abandoná-lo, para vir a formar o seu próprio movimento, o Partido Reformista. Foi um eminente político, vindo a desempenhar altos cargos, como Ministro da Marinha, onde tomou posse das pastas da Marinha e Colónias e Obras Públicas, assume o Ministério da Guerra, e interinamente a Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros, e por fim, pelos serviços prestados, é nomeado por cinco vezes chefe do Governo (1 836-1 837, 1 837-1 839, 1 865 e 1 868-1869), o que lhe granjeou primeiro altas condecorações militares, “Grã - cruzes da Ordem de Torres Espada” e títulos, “ Barão, Visconde e Marquês”, como governante.
Características da nota: A frente da nota é composta por dois fundos irisados a verde, lilás e amarelo, executados em guilhoché e impressos tipograficamente. Esta estampa é composta de uma faixa horizontal que serve de apoio ao medalhão que emoldura o retrato do Marquês de Sá da Bandeira. Em ambos os lados, a meio, observam-se dois ovais, cada um com a cabeça alegórica da República, de perfil para o centro.
No verso assentando sobre um fundo composto em guilhoché e impressos topograficamente em íris nas cores amarelo e rosa, sobressai o desenho principal. Este desenho apresenta-nos três figuras aladas, simbolizando a da esquerda a Poesia, e as duas da direita as Belas-Artes, Pintura e Arquitectura. No canto superior direito está estampada a cabeça de um guerreiro. A estampagem deste tipo de notas foram executados por Bradbury, Wilkinson & Cº. Ltd., de Londres, e o papel de fabrico especial, apresenta-nos à transparência, pela frente no ângulo superior direito uma cabeça de mulher, (alegórica da Vinicultura), foi manufacturado pelo papeleiro francês Perrigot-Masure, Papeteries d´ Arches (Voges). A dimensão da nota é de 167 x 107 mm., sendo emitidas 14 360 000 notas com as datas de 09 de Agosto de 1920, 31 de Agosto de 1926, 2 de Novembro de 1927 e 28 de Janeiro de 1928. A primeira emissão foi em 2 de Novembro de 1921 e a última em 17 de Junho de 1931. Foi retirada de circulação em 31 de Dezembro de 1933.
Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, vulgo Marquês de Sá da Bandeira, nasceu em Santarém em 26 de Setembro de 1795, filho de Faustino José Lopes Nogueira de Figueiredo da Silva e de Francisca Xavier de Sá Mendonça Cabral da Cunha Goldophin, vindo a falecer na cidade de Lisboa em 06 de Janeiro de 1876.
Foi uma das grandes figuras do liberalismo, apoiando-os incondicionalmente; esteve sitiado durante o cerco do Porto com outras ilustres figuras; no decorrer da guerra viria a ser ferido, tendo perdido o braço direito, no Alto da Bandeira, em Vila Nova de Gaia. Após a revolução de Setembro de 1836 e a tomada do poder pelos setembristas, torna-se ministro do Interior do novo governo. Pouco tempo após a sua tomada, uma tentativa de contra-revolução de levar ao poder a facção cartista (a Belenzada), obteve um efeito contrário ao desejado pelos revoltosos, obrigando a rainha (D. Maria II) a nomear Sá da Bandeira Primeiro Ministro (1836-1837). Após a sua tomada de posse e conjuntamente com Passos Manuel, a quem lhe fora confiada as pastas das Finanças e do Interior, foi iniciado um longo programada de reformas, visando o rápido progresso do País, declarando de imediato a abolição da escravatura nas colónias portuguesas, o que veio a ser uma tomada de posição inteligente com um profundo sentimento humanista e social. Em Portugal a escravatura já tinha sido abolida. No ano de 1837, desencadeou-se a revolta dos Marchais, contra o governo tendo sido anulada pela intervenção dinâmica do Sá da Bandeira. No ano de 1842 Costa Cabral encetou um golpe, o qual saiu vitorioso acabando com a governação setembrista. No ano de 1846 a revolta da Maria da Fonte, pôs fim ao de Costa Cabral, obrigando a rainha D. Maria II, designar novo executivo, mas desta feita presidido pelo Duque de Palmela, um cartista moderado, no qual Sá da Bandeira tomou parte, abarcando com o Ministério da Guerra. Um outro golpe, desta feita promovido pelo Duque de Saldanha, levou-o a pedir a sua exoneração. Esta tomada de atitude, acabou por originar uma nova guerra civil, a “Patuleia”, a qual teve o seu fim no ano de 1847, saindo vitoriosa a facção dos cartistas, que tiveram o apoio da rainha e de forças estrangeiras (Espanha e Reino Unido). Durante mais de dez anos Portugal viveu tempos de acalmia sendo governado pelos conservadores, até que D. Pedro V, subiu ao trono, e com ele ideias bastante progressistas. Um sistema rotativo iria caracterizar a Monarquia Constitucional, sendo protagonistas os dois maiores partidos; o Partido Regenerador, formado por antigos cartistas de raízes conservadoras, e o Partido Histórico, saído do movimento setembrista com feições mais liberais. Sá da Bandeira por esta altura toma as rédeas do Partido Histórico, assumindo um papel de proa, sendo a figura principal. Esta situação de rotativismo veio provocar frequentes dissoluções das Cortes, o que não abonava as instituições e retardava o progresso do País. Em 1865 Sá da Bandeira ascende à chefia do Governo, por escassos cinco meses, sendo a sua substituição formada por uma grande coligação constituída por Regeneradores e Históricos; Sá da Bandeira não nutria simpatia por esta resolução, acabou por se afastar do partido e formou com alguns dos seus seguidores um novo partido “O Reformista”. Voltou a ser nomeado Primeiro Ministro à frente deste partido, no período de 1868 e 1869. No ano de 1870, na sequência de mais um golpe da “Ajudada”, protagonizado novamente pelo Duque de Saldanha, que o colocou no poder. Sá da Bandeira preparou a resistência ao governo ditatorial deste, o que após três meses acabou por cair. Pela última vez Sá da Bandeira é convidado a formar governo, após o qual organizou eleições e entregou o poder ao independente António José de Ávila.
Foi uma longa vida dedicada inicialmente à vida militar, e os outros restantes (cinquenta anos) dedicados à vida política, passando e vivendo por diversas guerras civis, golpes e contra-golpes, prejudicando o desenvolvimento do País, contrário aos seus desígnios.
Pela sua actividade cívica foi galardoado ao longo da sua vida com títulos honoríficos, desde 1º. Barão, 1º. Visconde e por fim 1º. Marquês de Sá da Bandeira.
Em sua homenagem e durante os tempos coloniais foi fundada uma cidade em Angola com o nome de Sá da Bandeira, hoje esta cidade tem o nome de Lubango.

F I M

Obra consultada O papel-moeda em Portugal – “Banco de Portugal”. Trechos avulsos.
Óbidos, 13 de Outubro 2009.

Publicado no Jornal das Caldas em 18-11-2009








quarta-feira, 14 de outubro de 2009



Artigo 10
Centenário da Implantação da República
(1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010
Por: Luís Manuel Tudella



DEZ ESCUDOS


A primeira nota emitida pelo Banco de Portugal, com o valor de Dez Escudos, tem como ilustração na sua frente a figura de Afonso de Albuquerque, o mais ilustre e temido homem de guerra português do século XVI, ficando conhecido como “O Grande”, “César do Oriente”, “Leão dos Mares” e “O Terrível”; e um quadro representativo da conquista da Índia. O verso da nota tem como ilustração a gravura de uma cabeça simbolizando a República e no grupo central uma outra gravura simbolizando os rios Tejo e Douro.
Características da nota: Os desenhos que se apresentam na frente da nota, foram fornecidos pelo Banco de Portugal, têm uma cor azul e foram estampados por processo calcográfico. O fundo em guilhoché é impresso em íris verde claro ao centro, esbatendo em sépia claro para os lados. O verso também com estampagem calcográfica, a sépia, com trabalho geométrico, sobre fundo de técnica tipográfica impresso em íris, sépia claro ao centro, esbatendo em amarelo escuro para os lados.
A firma estampadora foi a Bradbury, Wilkinson & Cº. Ltd. de Londres. O papel foi fabricado por Perrigot-Masure, Papeteries d’ Arches (Vosges), tendo como marca de água, à direita, e visto à transparência pela frente, uma cabeça com capacete, de perfil para a esquerda.
A dimensão da nota é de 153x95 mm. Foram emitidas 9 060 000 notas, com datas de 21 de Outubro de 1917 e 7 de Julho de 1920. A primeira emissão, foi efectuada a 30 de Julho de 1920 e a última a 24 de Dezembro de 1926. Foram retiradas de circulação em 24 de Junho de 1929.
Mas quem foi este marinheiro, soldado, escritor (Cartas ao rei), estadista e prestigioso diplomata?
Afonso de Albuquerque, nasceu em Alhandra no ano de 1462, segundo filho de Gonçalo de Albuquerque, senhor da Vila Verde dos Francos, e de D. Leonor de Meneses, esta filha do conde da Atouguia, Álvaro Gonçalves de Ataíde, sendo educado na corte de D. Afonso V. O seu pai desempenhava um importante cargo na corte, sendo descendente por via natural da família real portuguesa, por conseguinte era um fidalgo da mais nobre linhagem. A sua instrução foi direccionada para as matemáticas e para o latim clássico.
Adquiriu experiência militar durante os 10 anos que serviu no norte de África:
- No ano de 1471 esteve presente nas conquistas de Arzila e Tânger: no seu regresso foi nomeado estribeiro - mor do príncipe D. João II.
- No ano de 1476, acompanhou o rei D. João II, nas guerras contra Castela, tendo participado na batalha de Toro.
- Em 1480 fez parte integrante da esquadra enviada em socorro de D. Fernando II, rei de Aragão, Sícilia e Nápoles, para combater e reprimir o furor turco de avançar sobre a península itálica, culminando com a vitória cristã no ano de 1481.
- Em 1489 esteve na expedição para defender a fortaleza da Graciosa.
- No ano de 1490 fez parte da guarda de D. João II, tendo regressado a Arzila, pelo ano de 1495.
Todas estas expedições granjearam-lhe prestígio, experiências, técnicas de guerra e de marinhar, conhecimentos e relações com outro tipo de gente, os quais foram o seu sustentáculo para a obtenção dos seus gloriosos feitos para o reino de Portugal.
- Em Abril 1503, Afonso de Albuquerque parte para a Índia, com um parente, tendo cada um no seu comando três naus. Participam em diversas batalhas, obtendo vitórias sobre vitórias, as quais garantiram a segurança e continuação no trono ao rei de Cochim. Obtiveram como paga do auxílio prestado a permissão de construir uma fortaleza em Cochim, sendo esta, considerado o marco fundamental para o inicio da expansão do Império no Oriente.
- Em Julho de 1504, regressa ao reino “cheio de glórias e não tanto de despojos”, onde foi recebido pelo rei D. Manuel I. Nos dois anos que se seguem, são feitos relatos permonorarizados de toda a sua façanha e glória alcançada pelos mares além África.
- No ano de 1506 o rei D. Manuel I, incorpora-o numa armada, dando-lhe o comando de esquadra composta por cinco naus, chefiada por Tristão da Cunha e composta por 16 naus com destino à Índia e com a missão secreta de substituir o vice-rei Francisco de Almeida, após términos do seu mandato, daí a dois anos.
- No ano seguinte, em 1507, e após diversos ataques bem sucedidos a cidades árabes da costa oriental, Afonso de Albuquerque, separa-se da armada, levando consigo uma frota de sete naus e quinhentos homens, rumo a Ormuz, no Golfo Pérsico, centro nevrálgico do comércio do oriente. Nesse trajecto conquistou as cidades de Curiate, Mascate e Corfacão, submetendo-as ao seu domínio. No último quadrimestre do ano, Setembro do mesmo ano, chega a Ormuz, tomando posse da ilha, onde iniciou a construção do forte de Nossa Senhora da Vitória. Entretanto com a deserção de oficiais e demais elementos da armada não conseguiu manter a posição, abandonando-a, no ano de 1508, regressando com outra determinação no ano de 1515.
- Em finais do ano de 1508, com o reforço da sua esquadra, chega a Cochim, na costa de Malabar, onde revelou para o que vinha, mostrando as credenciais do rei D. Manuel I, que o nomeia Governador da Índia em substituição do Vice-Rei D. Francisco de Almeida. Este estava rodeado dos oficiais e demais guarnição que tinham desertado de Ormuz, recusou-se a reconhecer as credenciais, dando ordem de prisão, a qual foi acatada por Afonso de Albuquerque, ficando este a aguardar novas indicações do reino.
- Em Fevereiro de 1509, Francisco de Almeida, ainda tomou parte da batalha de Diu, como vingança da morte do seu filho Lourenço de Almeida em circunstâncias trágicas e dramáticas. Esta vitória foi determinante para assegurar o domínio do Índico, durante mais de cem anos. Em finais do ano de 1509, D. Manuel enviara uma numerosa armada para defesa dos seus direitos, sendo chefiada pelo Marechal D. Fernando Coutinho, o mais alto dignitário do reino que alguma vez se tinha deslocado ao Índico. Após a partida de D. Francisco de Almeida, Francisco de Albuquerque assume a governação do estado da Índia com toda a energia e determinação, como segundo Governador até à sua morte.
- No ano de 1510, tomou Goa ao turco Hidalcão.
- Em 1511 conquista Malaca, abrindo aos portugueses o acesso às especiarias das ilhas Molucas e ao comércio com a China.
- No ano de 1513 partiu para o estreito de Bab-el-Mandebe, tentando tomar Áden, sem obter o êxito pretendido.
- A partir do ano de 1514, dedica-se mais à administração e diplomacia, concluindo a paz com Calecute, recebendo embaixadas reais indianas, consolida a posse de Goa e seu embelezamento, onde fez jus ao matrimónio entre portugueses e mulheres indianas, procurando criar uma raça luso - indiana.
- No ano de 1515 com a construção da fortaleza de Ormuz, concluiu o seu plano de domínio de pontos nevrálgicos, que permitiram o controlo marítimo e o monopólio comercial da Índia.
O seu prestígio atingira o auge, sendo alvo de admiração e respeito por todo o mundo ocidental de então, sendo “Chamado o Grande pelas heróicas façanhas com que encheu de admiração a Europa e de pasmo e terror a Ásia”.
Como em tudo na vida a inveja, a calúnia, as intrigas e demais defeitos da sociedade, determinaram o fim doloroso deste notável Senhor do XV, onde os seus inimigos na corte em Portugal influenciavam negativamente a postura do rei D. Manuel I contra ele. Talvez a sua conduta por vezes imprudente e tirânica, tivesse servido as intenções dos seus maiores inimigos.
- Em 16 de Dezembro de 1515, após o regresso de Ormuz, à entrada do porto de Goa, cruzou-se com o navio vindo de Portugal que trazia a notícia da sua substituição pelo seu inimigo principal Lopo Soares de Albergaria. O golpe foi rude demais, vindo a falecer no mar com um profundo desgosto. Antes de falecer escreve uma carta ao rei, onde lhe é atribuída a seguinte frase de “Mal com el-rei por amor dos homens, mal com os homens por amor de el-rei”.
O seu corpo jaz em local desconhecido, talvez em Goa, na Índia. Segundo uma versão foi amortalhado com o manto da Ordem militar de Santiago, de que era comendador, e sepultado na igreja de Nossa Senhora da Serra em Goa, que edificara em agradecimento do sucesso da conquista de Malaca. Passados que foram mais de cinquenta anos, foi trasladado para o convento de Nossa Senhora da Graça dos Religiosos Eremitas de Santo Agostinho, no ano de 1566 com toda a pompa e demais honrarias.
Deixou um descendente de nome Braz, mais tarde mudou de nome para Albuquerque. Foi capitão de um navio que conduziu a infanta D. Beatriz quando foi casar com o duque de Sabóia. Ligou-se pelo matrimónio a uma das mais ilustres famílias da Corte, D. Maria de Noronha, filha de D. António de Noronha, 1ºconde Linhares.
FIM

-Obra consultada O papel-moeda em Portugal – “Banco de Portugal”. Trechos avulsos.
Óbidos, 15 de Setembro de 2009.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009


Artigo 09
Centenário da Implantação da República

Numária
O Papel-moeda (1910-2010)





CINCO ESCUDOS






A última nota de (Cinco escudos) emitida pelo Banco de Portugal, tem como ilustração na sua frente a imagem de D. Álvaro Vaz de Almada, brilhante cavaleiro do século XV.
Características: As chapas e estampagens foram executadas nas oficinas de Waterlow & Sons Ltd., de Londres. Na frente os desenhos são estampados por processo calcográfico; o fundo de técnica tipográfica é constituído por desenhos geométricos e linhas oblíquas paralelas a duas cores, amarelo e lilás, tendo como figura central a imagem de Álvaro Vaz de Almada. O verso é estampado calcograficamente, a azul-escuro, sobre fundo esverdeado, de pontos e linhas oblíquas paralelas. A figura central é composta pelo escudo nacional assente sobre a esfera armilar ladeada de vergônteas de oliveira. Dimensão da nota é de 140x82 mm. Foram emitidas 11 999 999 notas com a data de 13-01-1925. A primeira emissão é datada de 21-05-1929 e a última de 05-05-1932, sendo retirada de circulação em 31-12-1933.
Mas quem foi este notável cavaleiro?
- Álvaro Vaz de Almada, nasceu no ano de 1390, e faleceu no dia 20-05-1449. Foi um cavaleiro de nomeada distinguindo-se superiormente nas suas acções, o que lhe granjeou a concessão de altas condecorações e títulos.
- Foi o primeiro conde de Abranches, à portuguesa, (Avranches no original francês), como se reconhece na carta do título nobiliárquico criado pelo Rei Henrique VI de Inglaterra em 04-05-1445, em favor de D. Álvaro. Segundo Fernandes Mendes no “Portugal História – Dinastia de Aviz”, este D. Álvaro Vaz de Almada, com tal bravura se bateu pelos britânicos contra os franceses, na Guerra dos 100 anos pela posse das suas terras na Normandia, que o rei o fez nomear Cavaleiro da Ordem da Jarreteira; “trata-se de uma ordem militar que foi criada por Eduardo III de Inglaterra, considerada a mais importante comenda do sistema honorífico do Reino Unido”, com o fim de realçar os enormes esforços de guerra, nas diversas cruzadas para a conquista da Terra Santa.
Segundo o mito, foi um dos “Doze de Inglaterra”; cavaleiros portugueses, que responderam ao pedido solicitado pelas damas, (entre eles o D. Álvaro Vaz de Almada) para que estes tomassem a defesa da sua honra, batendo-se em torneio contra os cavaleiros britânicos, pois estes, tinham-nas ofendido e ultrajado, segundo consta, pelas duvidosas condutas sociais, saindo estes derrotados no torneio.
- É o último a usar o título medieval de Rico – Homem em Portugal, tendo exercido o cargo de Capitão - Mor de Lisboa.
- Foi um fiel seguidor das ideias do infante D. Pedro, especialmente, quando este era alvo de constantes ataques e afrontas que lhe eram dirigidas pelos seus adversários, querendo denegrir a sua imagem; não podendo tolerar mais estas agressividades e afrontas, e querendo demonstrar a rectidão das suas atitudes e procedimentos, marcham para sul partindo de Coimbra, onde mais adiante se deparam com as tropas do rei D. Afonso V, tendo-se travado uma batalha, ficando conhecida pela batalha de Alfarrobeira, onde ambos faleceram em 20-05-1449.
- D. Álvaro Vaz de Almada foi casado primeiramente com Isabel da Cunha, e depois com Catarina de Castro, donde proveio uma geração de seis filhos:
- D. João de Abranches; - Dona Isabel da Cunha; - Dona Leonor da Cunha; - Dona Violante da Cunha; - Dona Brites da Cunha; e D. Fernando de Almada, 2º.e último conde Abranches, casado com Dona Constança de Noronha.


Obra consultada – “O papel-moeda em Portugal” – Banco de Portugal. Trechos avulsos.
Óbidos, 15 de Julho de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Artigo 08
Centenário da Implantação da República (1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010

CINCO ESCUDOS


Frente

Verso


Esta nota de Cinco Escudos foi elaborada sem possuir na parte da frente qualquer figura da nossa
história, monumento, ou outro elemento relevante, ao contrário das outras; no entanto estão representadas duas figuras alegóricas, ambas relacionadas com a agricultura. No verso está representada uma gravura com a vista do Palácio da Bolsa do Porto.
Características: As chapas e estampagens destas notas estiveram a cargo da casa Bradbury, Wilkinson & Co. Ltd. de Londres. Na parte da frente apresenta-nos duas figuras alegóricas e os demais componentes a verde-escuro são estampados calcográficamente; o fundo é policromado em íris em duplex. O verso da nota tem uma estampagem calcográfica a azul-escuro, em fundo irisado; ao centro apresenta-nos uma gravura com a vista do Palácio da Bolsa do Porto, da autoria do gravador do Banco de Portugal Armando Pedroso. O papel é do fabrico dos papeleiros franceses Société Anonyme des Papeteries du Marais et de Sainte-Marie, tem como marca de água, uma cabeça alegórica no canto superior direito. A dimensão da nota é de 147x96 mm. Desconhece-se a quantidade de notas emitidas.
Entendeu o Banco de Portugal depois de ouvir o Conselho de Administração, proceder à destruição destas notas, alegando que existiam cerca de 12 000 000 de igual valor, cuja circulação ainda não tinha sido autorizada, não podendo esta nota ser colocada no circuito, devido essencialmente ao seu aspecto, acabamento e tonalidades muito más; em suma, notas de fraca qualidade. Estas notas eram datadas de 10-11-1924.
O Palácio da Bolsa, ou o Palácio da Associação Comercial do Porto, fica situado na zona nobre da cidade do Porto. O inicio da sua construção é datado de Outubro de 1842, ficando concluído, após 80 anos, já em pleno século XX, no ano de 1909. Ao longo da sua construção teve como responsáveis, 4 arquitectos principais, dezenas de mestres dos mais diversos ofícios. O Palácio caracteriza-se por uma mistura de estilos arquitectónicos, apresentando todo o edifício no seu esplendor, traços do neoclássico oitocentista e arquitectura toscana. De destacar entre os diversos salões que o compõe o Salão Árabe, pelos estuques do século XIX, legendados a ouro com os caracteres arábicos que se espelham nas paredes e no tecto.
É este o salão nobre por excelência das altas individualidades que visitam “A Invicta”, “A Sempre Leal e Nobre Cidade do Porto”.

FIM


Obra consultada – “O papel-moeda em Portugal” – Banco de Portugal. Trechos avulsos.
Óbidos, 30 de Junho de 2009.

Artigo 07
Centenário da Implantação da República (1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010


CINCO ESCUDOS




Frente

Verso

Entendeu o Banco de Portugal atribuir a imagem do Dr. João das Regras, iminente português do século XIV, à sua segunda nota de 5$00, recordando
e perpetuando, aquele que teve um papel preponderante e decisivo na resolução da crise de 1383-1385, sendo quase desconhecido da maioria de todos nós.
Na frente a nota apresenta-nos o retrato de João das Regras, gravação do professor José de Lacerda, e todo o conjunto em tons escuros que o emoldura. O fundo, impresso em cores esbatidas é composto por linhas ondulantes. Sobre a direita uma cabeça numismática simbolizando a República. O verso tem uma estampagem a azul-escuro, apresentando-nos uma gravura do Convento da Batalha de autoria de Armando Pedroso. As chapas foram efectuadas nas oficinas de Bradbury,Wilkinson & Co. Ltd, de Londres, onde se procedeu também à respectiva impressão. O papel foi fabricado pelos papeleiros Perrigot-Masure, Papeteries d´Arches. Dimensão da nota é de 146 x 96 mm. Foram emitidas 19 800 000 notas datadas de 10-07-1920, 02-12-1921, 14-06-1922, 08-08-1922 e 13-01-1925. A primeira emissão é datada de 10-05-1921 e a última em 01-09-1927. Retirada de circulação em 07-04-1931.
Excerto biográfico de João das Regras:
- João das Aregas ou João das Regras, nasceu na cidade de Lisboa, entre os anos de 1340 e 1345, oriundo de famílias nobres. Recebeu esmerada educação de Álvaro Pais, rico burguês, natural de Lisboa, que casou em segundas núpcias com sua mãe, desempenhando este, as funções de chanceler de D. Pedro I e de D. Fernando.
João das Regras, formou-se em Leis na prestigiada Universidade de Bolonha; regressado a Portugal torna-se professor na Universidade de Lisboa, onde alguns anos depois desempenhou o cargo de “encarregado” ou “protector”, idêntico ao cargo de hoje de reitor, por carta régia de 25-10-1400.
Teve um papel de grande relevo nas Cortes de Coimbra de 1385, demonstrando que, após a morte de D. Fernando, o trono se encontrava vago, e que nenhum dos pretendentes era considerado herdeiro legítimo. Assim, a inteligente intervenção de João das Regras foi decisiva para a eleição do Mestre de Avis para rei de Portugal, argumentando as nulidades dos outros pretendentes, como abaixo se descreve:
- A Dona Beatriz, filha do falecido rei de Portugal (D. Fernando), é negada pelo jurisconsulto, quaisquer direitos por nulidade do casamento de D. Fernando com Dona Leonor de Teles, que era já casada com o fidalgo João Lourenço da Cunha quando o rei a desposou; por incerteza quanto à paternidade de D. Fernando, dado o comportamento pouco singular de Dona Leonor de Teles; por ter contraído casamento com o rei D. João I de Castela, seu parente, (A mãe de D. João I de Castela, era tia avó de Dona Beatriz), sem a dispensa do papa legítimo Urbano IV, em vez do anti-papa Clemente VII:
- A D. João I, rei de Castela, por ser herege, o direito de ser rei de Portugal, pois reconhecendo o anti-papa, fora excomungado pelo legítimo; pelo parentesco com o falecido rei D. Fernando que se dava pela linha feminina (as mães eram irmãs), o que pelo direito hispânico da época não dava direitos de sucessão.
- Aos infantes D. Dinis e D. João, filhos de el-rei D. Pedro I e de Inês de Castro, portanto meios irmãos de D. Fernando, não poderiam ter direito ao trono por serem ilegítimos, pois nunca se consumara o casamento de D. Pedro com Dona Inês de Castro; além desta circunstância, manifestaram-se e tomaram posições contra Portugal, aliando-se a Henrique II e a D. João I de Castela.
Por esta hábil e astuta estratégia, entendeu que deveria caber ao povo a escolha de um novo rei, enumerando as qualidades que deveria possuir, as quais, segundo se veio a provar, recaíram na pessoa do Mestre de Avis.
O novo rei D. João I, como reconhecimento e gratidão, concedeu-lhe muitas mercês, fazendo-o cavaleiro da sua casa; senhor das vilas de Castelo Rodrigo, Tarouca, Cascais e seu termo; do reguengo de Oeiras; das dizimas das sentenças condenatórias de Évora; da jurisdição da Lourinhã; das rendas da portagem de Beja e por fim nomeou-o Chanceler-mor do reino e seu especial Conselheiro.
Faleceu na cidade de Lisboa a 3 de Maio de 1404, sendo sepultado no Convento de S. Domingos.

FIM

Obra consultada – “O papel-moeda em Portugal” – Banco de Portugal. Trechos avulsos.
Óbidos, 21 de Junho de 2009.