quarta-feira, 13 de julho de 2016

 
LIVRO
"MILITARES FALECIDOS NA GRANDE GUERRA
(1914-1918)
COMUNIDADE INTERMUNICIPAL DO OESTE
                           
                Por: Luís Manuel Tudella                       

Após vários anos de pesquisas e investigação levadas a efeito no Arquivo Histórico Militar de Lisboa sobre o comportamento dos nossos militares que estiveram integrados no C.E.P. (Corpo Expedicionário Português) cuja actividade militar se desenrolou na Europa, na zona da Flandres, e dos militares que fizeram parte do exército português colocados  nas  ex-províncias de Angola e Moçambique, durante a 1ª. Guerra Mundial 1914-1918, Luís Tudella, publicou no início do corrente ano um trabalho denominado "Militares Falecidos na Grande Guerra (1914-1918) - Comunidade Intermunicipal do Oeste" edição do autor.

Este trabalho inicialmente foi efectuado tendo em atenção a divisão administrativa do País,  por ordem alfabética de Distritos e Concelhos. Contudo entendeu o autor reformular o trabalho, substituindo os Distritos pelas Comunidades. Os 18 distritos, correspondem actualmente a 23 Comunidades Intermunicipais e Regiões Metropolitanas.

A Comunidade Intermunicipal do Oeste foi constituída pela junção dos 6 Concelhos do sul do Distrito de Leiria; Alcobaça, Nazaré, Caldas da Rainha,  Óbidos,  Bombarral e Peniche, e pela junção dos 6 Concelhos do norte do Distrito de Lisboa; Alenquer, Cadaval, Lourinhã, Torres Vedras, Sobral do Monte Agraço e Arruda dos Vinhos.

 
 
O autor quis com este trabalho prestar uma singela homenagem aos nossos militares que por terras de África e terras de França tudo de si deram no momento mais alto das suas vidas, honrando a sua pátria para o bem da humanidade, mas por ironia do destino não puderam desfrutar dessa realidade.

Constam deste trabalho os seguintes elementos: O porquê deste trabalho; Breve historial sobre o conflito da Grande Guerra; Motivo da entrada de Portugal na Grande Guerra; Curiosidades; Relatos de alguns episódios da Grande Guerra;

Na primeira parte integram todos os militares que constituíam o C.E.P. desde a data do embarque até à data da sua morte, constando dos seguintes itens: Unidade do CEP - Unidade Territorial - Companhia - Nº. da Companhia - Posto - Nome - Nº. de Placa - Estado civil - Data de Nascimento - Filiação - Naturalidade - Data de Embarque e Data da Morte. Faz-se uma pequena resenha dos passos dados pelos militares desde o seu embarque até à data da sua morte e de mapas estatísticos.

A segunda parte diz respeito aos militares que foram mobilizados para as ex-províncias de Angola e Moçambique, para defender as fronteiras portuguesas que confinavam com as possessões alemãs e que conta dos seguintes itens: . Cronologia dos factos passados nas ex-províncias de Angola e Moçambique: Acontecimentos na ex-província de Angola; Reocupação do Humbe; Combates da Môngua;  Província de Moçambique - Constituição das 4 expedições enviadas de Portugal; Reocupação de Quionga; Tentativa da travessia do Rio Rovuma; A ofensiva das tropas portuguesas; O combate de Nevala; O combate de Negomano; O combate de Nhamacurra; A Invasão de Moçambique pelas tropas alemãs; Mapas estatísticos por ordem alfabética dos Concelhos, onde constam; o Nome do militar; Naturalidade; Posto; Nº. de Identificação; Unidade; Ramos das Forças Armadas; Local das Operações; Causas das mortes e data das mesmas; e local da sepultura.

Segundo o autor faleceram em terras de França 88 militares pertencentes a esta Comunidade: 34 em combate; 8 pela inalação de gazes, 28 por doença; 11 por causas desconhecidas; e 7 por diversos motivos. Estado civil dos militares: 13 casados e 75 solteiros. Por patentes: 1 capitão; 2 alferes; 4 - 2º. sargentos; 6 - 1ºs. cabos; 2 - 2ºs. cabos e 73 soldados. Nas ex-províncias de Angola e Moçambique faleceram 40 militares: 1 em combate; 27 por doença; 9 por causas desconhecidas; e 2 por outros motivos.

Trata-se de um trabalho inédito e de interesse cultural, para daí se poder desenvolver diversos temas.
Para quem estiver interessado em saber algo mais, junta-se o contacto do autor.
 
Publicado no Jornal das Caldas em 13 de Julho de 2016

segunda-feira, 11 de julho de 2016

 
Centenário da Primeira Batalha do Rovuma
(Grande Guerra 1914-1918)
A Batalha de Namiranga - Namaca
27-05-1916 - 27-05-2016
(Inserida na 2ª. Expedição ao Rovuma)
5ª. Parte
Depois da tentativa de desembarque em 23 de maio por forças da Marinha, que foi repelida com mortos e feridos, a 27 fez-se a tentativa da passagem à viva força junto à foz, com a cooperação da canhoeira Chaimite que entrou no rio fazendo fogo sobre a margem norte. O cruzador Adamastor, por falta de fundos, não pode passar a barra. Para a passagem, foram selecionados os vaus de Namaca e de Namiranga.
Uma coluna, a leste, era formada por uma Companhia de Infantaria 21, uma Companhia de Indígenas  da Companhia do Nyassa, um pelotão indígena da 20ª. Companhia de Moçambique, a 2ª. Bateria do 1º. Grupo de Metralhadoras, com material Maxim e uma Bateria de bronze, de tiro lento, de 7 cm guarnecida com pessoal da 5ª. Bateria do Grupo de Montanha Expedicionário. A segunda coluna a oeste, era formada por outra Companhia de Infantaria 21, dois pelotões indígenas da 20ª. Companhia e por uma Bateria de 7 cm. de tiro rápido, da 5ª. Bateria do Grupo de Montanha, comandada pelo Capitão Tudella.
O Tenente-Coronel Moura Mendes comandou directamente a operação junto da coluna leste. O Governador permaneceu a bordo do Adamastor.
 
 
Para objectivo de ambas as colunas foi escolhido o posto da fábrica (Ver croqui mais abaixo). O ataque simultâneo com as duas colunas, com início às 8horas, foi precedido de uma preparação de artilharia durante uma hora. A coluna leste, embarcou numa dúzia de baleeiras, quando procedia à travessia do rio, nesse local com cerca de 1.500 metros, foi alvejada por duas metralhadoras à distância de 200 metros. As perdas foram pesadas e assim o ataque malogrou-se. Face a este insucesso da coluna leste, foi dada ordem de retirar à coluna de oeste, que se encontrava já a escassos 100 metros da margem inimiga.
A coluna de oeste não teve qualquer ferido na sua acção, enquanto a coluna de este teve de parte da Marinha 3 oficiais e 30 praças mortos ou desaparecidos; e o Exército teve 4 oficias e 24 praças feridas e 2 oficiais e 6 praças prisioneiras.
O Comandante da coluna postada a oeste movido que estava em que esta missão iria ser concretizada em virtude das forças envolvidas e escalonadas no terreno, com a presença do Governador Geral e a presença do Tenente-Coronel, comandante da Expedição, viu gorados todos os esforços quando se encontrava a escassos 100 metros de atingir a outra margem, em virtude de a coluna postada a jusante ter capitulado, com a carga e ofensiva extremamente organizada e agressiva do inimigo.
O cuidado empregue na preparação das suas tropas o escalonamento no terreno, o cuidado nos lanços de precursão, as ordens transmitidas atempadamente o acompanhamento de perto de todas as operações, foram elementos determinantes, para que a operação tivesse tido um relativo êxito no que diz respeito à inexistência de baixas. Procedeu à evacuação das suas topas, seguindo o critério de quem primeiro embarcou, primeiro seria embarcado, com a protecção na evacuação pela louvável prestação de serviço da artilharia, que cobriu durante a evacuação toda a linha de fogo inimigo, acabando por calar uma metralhadora. Após colocar toda a sua coluna em local seguro, e depois de um merecido descanso, manda reuni-los afim de pessoalmente lhes dirigir palavras de grartidão, sendo incansável nos elogios que lhes tece, destacando o espírito de equipa e de sacrifício vividos durante 3 horas sobre temperaturas escaldantes e debaixo de fogo inimigo. Nota-se que o mesmo Comandante, agiu de forma a que tudo se processasse dentro de um equilíbrio sustentável, o que conseguiu, pois a preocupação constante com a integridade física das suas tropas era evidente, quando dava instruções para que o avanço fosse faseado em pequenos grupos, e que só depois de acantonados e devidamente protegidos, dava estão instruções para que outro grupo avançasse em segurança. É de notar o humanismo que evidenciou com estas decisões, o que lhe valeu não ter sofrido quaisquer baixas, feridos, mortos ou desaparecidos, o que é sempre uma honra para qualquer comandante.
Se se tivessem em conta o relatório apresentado pelo Comandante Tudella, talvez se evitasse este mau resultado.
Esta foi a primeira batalha de outras que se seguiram com maus resultados para as nossas tropas, com desfeches ainda mais pesados o que sempre se lamente.
Fontes: Reprodução de documentos extraídos  das caixas da 1ª. Guerra Mundial, na província de Moçambique, relativas ao ano de 1916 - Travessia do Rovuma - 2ª. Expedição. Arquivo Histórico e Militar de Lisboa. Documentação pertença do autor.
 
Publicado no Jornal das Caldas em 6 de Julho de 1916 

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Centenário da Primeira Batalha do Rovuma
(Grande Guerra 1914-1918)
A Batalha de Namiranga - Namaca
27-05-1916 - 27-05-2016
(Inserida na 2ª. Expedição ao Rovuma)
4ª. Parte
RELATÓRIO
Namaca de 22 de Maio de 1916                       Urgente
Destinatário:  Ao Snr. Chefe do Estado Maior de Kionga
Remetente: Do encarregado do reconhecimento Capitão Armando Tudella
 
Por signaes combinados com Sua Exª. o Governador Geral, recebido de bordo de um dos vapores, comunico a V. Exª., que as lanchas podem entrar amanhã a barra do Rovuma, debaixo da protecção do Adamastor.
Mais me cumpre participar que as comunicações que aqui recebi dirigidas a S. Exª. o Governador Geral e ao Snr. Imediato do Adamastor foram agora entregues ao guarda marinha Salgueiro que se encarregou de lhas ir entregar.
Ass- Armando Tudella (Cap.).
Comunicado de 25 de Maio de 1916
Remetente: Armando Barreto Figueiredo Tudella – (Cap.).
Destinatário: Chefe do Estado – Maior
 
 
Relatório (13 de Maio a 25 de Maio), referente aos preparativos para reconhecimento das margens do rio, afundamento da baleeira, perda da lancha e o combate que se seguiu, com a duração de 2 horas e 35 minutos.
Por este relatório ser extremamente longo faz-se alocução generalizada do que sucedeu e ao comportamento das forças envolvidas.
O relatório teve a finalidade de expôr ao Chefe do Estado – Maior de Kionga todas as iniciativas que o Capitão Tudella tomou para poder realizar e levar a sua missão até ao fim, com o mínimo de perdas humanas, demonstrando sempre uma preocupação latente com os seus subordinados, tanto na sua defesa física, como no seu bem estar, elevando sempre o moral das forças, quando estas em situações extremamente adversas se deixavam abater.
Perdeu-se por falta de colaboração uma baleeira, apesar dos insistentes pedidos de reforço do Capitão Tudella, assim como a lancha que não chegou a atracar e que por esse motivo foi levada pela corrente por manifesta falta de equipamento para a rebocar para a margem. Apesar destas vicissitudes, o Capitão Tudella assumiu por inteiro a responsabilidade do afundamento da baleeira sem evocar a situação que viveu, não sendo correspondido pelo comando do sector no auxílio entretanto solicitado por diversas vezes.
No combate que entretanto se travou, teve sempre o cuidado de estar junto das suas forças dando ordens precisas, com as quais conseguiu repelir o inimigo na sua ofensiva, tendo sempre presente a integridade física dos seus homens.
Fez uma abordagem de tudo o que conseguiu reconhecer e deu opiniões certas para futuras incursões, no que ao terreno diz respeito, assim como às movimentações do inimigo na outra margem.
Propôs ao seu superior hierárquico louvores aos seus subordinados pelas acções em combate, deixando ao critério do mesmo a maneira como deveria recompensar alguns soldados indígenas, explicando esse motivo.
Pequena resenha dos acontecimentos anterior à batalha de Namiranga.
 Comunicado de 26 de Maio de 1916
Remetente: Armando Barreto Figueiredo Tudella – (Cap.).
Destinatário: Exmº. Snr. Tenente-Coronel Comandante das Forças Expedicionárias no Nyassa.
Exmº. Sr Tenente Coronel Comandante das Forças expedicionárias no Nyassa.
Em cumprimento do solicitado por V. Exª., em virtude do relatório por mim ontem entregue ter sido terminado apressadamente devido à ordem que recebi para partir para Namaca duas horas depois, venho dizer qual é a minha opinião, depois de estudada a margem do Rovuma e seu grau de viabilidade, que a travessia por forças regulares, não se deve efectuar a jusante de Namoto e muito principalmente de Namiranga, único ponto onde poderá ser tentada com algumas probabilidades, ainda que poucas.
Que em frente de Namaca julgo será não só ineficaz como provocará um desastre, a não ser que o inimigo seja apanhado de surpresa e esteja tão longe desse ponto que lhe seja impossível descer à margem e pôr a funcionar uma só metralhadora durante alguns poucos minutos, o que provocaria o desbaratamento completo das forças. Numa leve inspecção da margem do Rovuma bastará para corroborar o que afirmo e com o que V. Exª., concordou plenamente, dizendo-me, no entanto, que essa travessia se efectuaria, apesar disso, por tudo já estar determinado nesse sentido e feita a combinação com as forças da Marinha.
 Estanhei sinceramente que V. Exª. me tivesse pedido ontem, quando entreguei o relatório, e sobre este assunto conversei com V. Exª., para na nota dizer mais concretamente qual a minha opinião sobre o ponto ou pontos aonde julgava dever tentar-se a travessia para assim ficar mais leve a minha responsabilidade, visto que fui encarregado de uma missão, e apesar de ter sido escolhido pelo Comandante, conforme V. Exª., sabe, sem ser ouvida a minha opinião oficialmente, nem lido o meu relatório que não estava ainda completo, no qual, repito, por ter sido mandado terminar no prazo de 3 ou 4 quartos de hora não é tão claro nem quanto como eu desejaria, apesar de bem concretamente dizer que a travessia devia ser realizada em Namoto ou a montante um quanto para mim desconhecido, por o meu estudo não ter ido até ali, e que para ser tentada em Namaca só poderia ter êxito se fosse realizada depois de outra ou outras colunas o terem atravessado a montante de forma a obstarem a que o inimigo descesse a defender a margem em frente de Namaca.
Mais venho confirmar oficialmente, visto ser do conhecimento de V. Exª., por a isto ter assistido, e que entreguei uma cópia do relatório ao Chefe dos Serviços de Saúde, capitão médico Floriano Monteiro, afim de que esse defenda depois da tentativa da travessia.
 
Publicado no Jornal das Caldas em 22 de Junho de 2016
(Continua)
 


quarta-feira, 15 de junho de 2016

 
 
Centenário da Primeira Batalha do Rovuma
(Grande Guerra 1914-1918)
A Batalha de Namiranga - Namaca
27-05-1916 - 27-05-2016
(Inserida na 2ª. Expedição ao Rovuma)
Por: Luís Tudella
3ª. Parte
(Continuação)
 
Os Meios
A fim de assegurar a ocupação e pacificação do norte de Moçambique, havia até à fronteira e ao longo dela, alguns postos e fortificações militares com instalações precárias e de reduzidos efectivos. Serviam perfeitamente para os fins para que foram criadas, mas não constituíam um sistema de defesa capaz contra ataques de maior envergadura, vindos do exterior, constituído por tropas regulares bem organizadas e bem mais apetrechadas com armamento mais moderno e eficaz.
As condições climatéricas aconselhavam a presença de tropas autóctones. Perante o factor atrás exposto, teve que ser maciça a utilização de tropas indígenas, que precisariam de longo treino para se adaptarem aos processos de guerra utilizados.
Os auxiliares e carregadores eram na totalidade indígenas que transportavam água, munições, víveres e todos os outros artigos indispensáveis às tropas. Mas nem sempre havia lealdade, pois a etnia “maconde”, estendendo-se a uma e a outra margem do Rovuma, tanto servia indistintamente os portugueses e os alemães, colaborando com o partido que lhe parecia vir a ser o vencedor e que melhor os tratasse, (remuneração e víveres).
De salientar um pormenor, pouco conhecido, mas merecedor de referência: a diferença de posturas e atitudes de preparação para a guerra dos militares dos dois países. Os militares brancos alemães, em todas as operações, pintavam-se de preto e utilizavam fardamento que se confundia com o capim e com as tropas nativas, e só através de observação muito atenta se diferenciavam. Os portugueses, por sua vez, não se preocupavam sequer com disfarces pelo que eram perfeitamente identificáveis, em especial os graduados que exibiam os seus galões e as suas espadas muito reluzentes, o que os tornava alvos fáceis.
Enfim, posturas diferentes de encarar situações idênticas !!!
Após a ocupação do triângulo de Quionga pelas forças militares da 1ª. expedição, montaram-se cinco postos ao longo do Rio Rovuma: Nhica, Nachinamoca, Namoto, Namiranga e Namaca. Na antiga fronteira mantiveram-se os antigos postos de Pundanhar, Nangadi, Mocimboa do Rovuma, Matiú, Negomano, Unde, Maziúa, Macalogi, Matomone e Chivinde, já no Lago Niassa.
A 2ª. Expedição embarcou para Moçambique em Outubro de 1915 no vapor Moçambique, onde seguia a bordo o novo Governador Geral, Dr. Álvaro de Castro. Foi seu Comandante, o Major de Artilharia José Luís de Moura Mendes e Chefe do Estado - Maior, o Capitão de Infantaria Liberato Damião Ribeiro Pinto.
 
 
                                                        Armando Barreto Figueiredo Tudella
À 2ª. expedição juntou-se  o Capitão Tudella que embarcou para a cidade de Porto Amélia, a fim de prestar serviço, junto do destacamento expedicionário, no norte de Moçambique, sendo-lhe dado o comando da 10ª. Companhia de Indígenas. A sua missão consistia essencialmente no reconhecimento das margens do rio Rovuma, e de algumas estradas e caminhos da margem norte, assim como no levantamento topográfico da região desde a foz, para montante, que era quase na totalidade desconhecido e sem registos; a finalidade principal consistia na passagem do rio para a margem esquerda e, após esta, atravessá-lo, ocupá-lo ou construírem postos de vigilância avançados.
Este oficial exercia as funções de Sub-Chefe do Estado Maior de Lourenço Marques, deixando de o ser a seu pedido.
(Continua)
Publicado no Jornal das Caldas em 15 de Junho de 2016


quinta-feira, 2 de junho de 2016

 
Centenário da Primeira Batalha do Rovuma
(Grande Guerra 1914-1918)
A Batalha de Namiranga - Namaca
27-05-1916 - 27-05-2016
(Inserida na 2ª. Expedição ao Rovuma)
2ª. Parte
Morfologia e Operações
A morfologia do norte de Moçambique exerceu influência profunda na conduta das operações ao longo destas quatro expedições pela natureza e características do relevo e densa arborização, alguma de grande porte. A densidade da arborização nalguns locais dificultava a marcha, as operações de reconhecimento, sendo a segurança efectivada pela Infantaria a arma com maior possibilidade de progressão. O apoio da Artilharia era apenas útil em situações específicas. O alto capim dificultava a progressão das colunas e limitava a observação e execução de tiro, mas favorecia a aproximação por surpresa (emboscada ou guerrilha, etc.).
Navegabilidade do Rio
A navegabilidade do rio tem duas épocas distintas durante o ano:
1)- A estação das chuvas, que vai desde o mês de Outubro até ao mês de Abril, com elevadas precipitações, provocando enxurradas enormes, sentindo-se a sua influência mais junto à foz, (o rio nasce no Lago Niassa e recebe, no trajecto, as águas dos seus afluentes de ambas as margens). Nesta época do ano o rio é navegável mais para montante, permitindo a navegação a embarcações de maior calado, alargando as suas margens por influência desta circunstância.
2)- A estação de seca está compreendida entre os meses de Maio a Setembro. Esta época caracteriza-se por escassez de água debitada de montante para jusante, o que vem permitir a formação de bancos de areia, na maré vazante, sendo encobertos na praia - mar. Com a erosão das margens, o arrastamento de detritos e com a movimentação de areias provenientes das marés ao longo dos tempos, formam-se ilhas que em diversas épocas permitiam o seu acesso a vau.
Entre os referidos bancos, criam-se canais estreitos e por vezes profundos onde a água provoca fortes correntes, a par de outros canais mais largos de menor profundidade, que permitem a passagem de banco de areia em banco de areia, a vau. A situação dos bancos de areia era alterada em função das correntes, pois tanto se formavam para uma margem como para outra, ou se deslocavam para jusante ou montante, em função das forças das águas das marés.
Outra situação que se criava era o estreitamento das margens, a navegabilidade não permitia avanços em direcção a montante, não permitindo também o a atracagem às margens, assim como não permitia a navegação de embarcações a partir de determinado calado, pois corriam o risco de encalhar.
A cota da margem esquerda do rio é mais elevada em quase todo o seu percurso. A do lado direito, junto à foz, é muito pantanosa e de difícil penetração, com alterações constantes na sua configuração em função das forças das águas provenientes das marés.
Pelo que se expõe, o rio e as marés que o influenciam eram parte integrante e fundamental para qualquer operação do reconhecimento de margens, do levantamento topográfico do terreno (ilhas e ilhotas), ou mesmo de operações de combate, que estavam sujeitas ao seu ciclo.
Margem do Rio Rovuma
 
Clima – Saúde
A estação das chuvas vai de Outubro a Abril, como acima se referência, com altas temperaturas, acentuadas variações térmicas diurnas e nocturnas e elevado índice de humidade. A natureza insalubre do clima foi um inconveniente para as tropas, nomeadamente as metropolitanas (os europeus fixados na província tinham melhores condições de resistência), podendo-se afirmar que as doenças (paludismo, do sono e infecções intestinais) foram causadoras de baixas em quantidades significativas, conseguindo por vezes inutilizar unidades inteiras, do tipo batalhão. A profilaxia era insuficiente e os cuidados das tropas com água eram inexistentes, os alimentos e até a higiene geral escapavam aos seus hábitos, normas e recomendações. A época da seca, de Maio a Outubro, era o período mais aconselhável para a execução das operações. O emprego de solípedes estava por sua vez condicionado à existência de água, já que a alimentação como regra era à base de forragens. Contudo, em muitas ocasiões, a luta pela água no tempo seco, tanto para as tropas como para os animais, teve carácter prioritário e decisivo na conduta das operações.
A mosca tsé-tsé era um permanente inimigo dos animais, infligindo numerosas baixas irrecuperáveis, não sendo aconselhável a evacuação do gado doente por razões de contágio e disseminação da doença.
A par destas vicissitudes, há que acrescentar o desconhecimento quase generalizado da fauna, mas em especial de répteis e insectos que por lá existiam em terrenos pantanosos e de floresta densa, cujos elementos eram propícios à sua proliferação, como serpentes e cobras venenosas, não havendo antídoto para neutralizar o seu veneno, (serpente naja, extremamente agressiva e venenosa, a cobra cuspideira, cujo veneno era direccionado para a vista provocando a cegueira, caso não se procedesse de imediato à lavagem da vista, a presença de leões, hienas, crocodilos, etc.).
(Continua)
 


quarta-feira, 25 de maio de 2016

 
Centenário da Primeira Batalha do Rovuma
(Grande Guerra 1914-1918)
A Batalha de Namiranga - Namaca
27-05-1916 - 27-05-2016
(Inserida na 2ª. Expedição ao Rovuma)
Por: Luís Tudella
1ª. Parte
 
No próximo dia 27 de Maio faz um século que pela primeira vez as forças militares portuguesas defrontaram as forças militares alemãs na ex-província de Moçambique. Esta batalha foi considerada a primeira que se desenrolou nas margens do rio Rovuma, contudo, antes desta batalha, já tinha havido algumas escaramuças entre estas forças.
De salientar que na ex-província de Angola a 18 de Dezembro de 1914, se deu o combate de Naulila, entre forças militares alemãs e forças militares portuguesas, o qual se saldou na morte de três oficiais e sessenta e seis sargentos e soldados portugueses; esta batalha desenrolou-se no sul da província e ficou na história como o Massacre de Naulila.
O Rovuma é um rio que nasce no Lago Niassa e desagua no oceano Índico separando a ex-colónia de Moçambique  a sul e a África Oriental Alemã a norte,, (actualmente Tanzânia), tendo o seu percurso uma extensão  de 700 km.
Em 24 de Agosto de 1892, o embaixador Alemão em Lisboa, informou o governo Português que a soberania de Portugal no norte de Moçambique, não ultrapassaria a latitude de Cabo Delgado isto é, cerca de 21 quilómetros a sul do Kionga. A efectiva ocupação deste território ocorreu em 16 de Junho de 1894 com a entrada de um cruzador Alemão no porto de Kionga e o desembarque de forças militares de ocupação constituídas por Ascaris (tropas indígenas Alemãs).
As forças Portuguesas, constituídas por meia dúzia de soldados indígenas que guardavam o Posto retiraram-se, apesar de não haver qualquer declaração de guerra entre Portugal e a Alemanha (o que viria a acontecer a 9 de Março de 1916); uma força Alemã atacou o posto fronteiriço de Maziúa seguindo-se outras agressões em Outubro. O posto de Maziúa era constituído por uma sentinela perdida junto da fronteira a meio curso do Rio Rovuma, a 400 quilómetros de Porto Amélia, o qual era chefiado por um 2º sargento europeu dos serviços de saúde, de apelido Costa, tendo sob o seu comando meia dúzia de soldados indígenas do corpo de polícia da companhia do Niassa sendo morto o sargento comandante e destruído o posto.
Muito provavelmente, tratar-se-ia do primeiro passo para a anexação futura de todo o território de Moçambique. Ao protesto das autoridades Portuguesas, seguiram-se acordos e novos tratados inconsequentes.
Após o início da Grande Guerra em 1 de Agosto de 1914, o governo Português determinou por Decreto de 18 de Agosto de 1914, a organização de expedições militares a Moçambique com o objectivo de defender o território de qualquer ataque Alemão vindo do norte.
Assim foram organizadas quatro expedições à antiga província de Moçambique:
1ª. Expedição foi constituída em 18 de Agosto de 1914, em simultâneo com a expedição para Angola. Foi seu Comandante o Tenente-Coronel Massano de Amorim e 
Chefe do Estado - Maior, Capitão de Artilharia António Sant´Ana Cabrita Júnior.
2ª. Expedição embarcou para Moçambique em Outubro de 1915 no vapor Moçambique, onde seguia a bordo o novo Governador Geral, Dr. Álvaro de Castro. Foi seu Comandante o Major de Artilharia José Luís de Moura Mendes e Chefe do Estado - Maior, o Capitão de Infantaria Liberato Damião Ribeiro Pinto.
Esta expedição foi dividida em três fases operacionais;
a)- 1ª. Fase – de Abril a Maio de 1916; que consistia na reocupação de Quionga e tentativa sem êxito da invasão do território alemão pelas forças portuguesas;
b)- 2ª. Fase – de Setembro a Novembro de 1916; invasão do território alemão pelos portugueses, até Nevala, seguida de retirada;
c)- 3ª. Fase – de 25 de Novembro de 1917 a 28 de Setembro de 1918, invasão pelas forças alemãs do território moçambicano até próximo de Quelimane (Nhamacurra ou Namacurra). Limitada reacção dos portugueses e britânicos. Posterior retirada dos invasores.
Para melhor percebermos o que esperava os nossos militares, nada melhor do que fazer uma pequena resenha  das condições apresentadas.
3ª. Expedição foi constituída para reforço da 2ª., através do decreto datado de 25 de Maio de 1916.
Em 28 de Maio, parte da expedição embarcou em Lisboa a bordo do vapor “Portugal”, seguindo mais tarde as restantes tropas nos navios “Moçambique” em 3 de Junho, “Zaire” em 24 de Junho, “Machico” em 28 de Junho, “Amarante” em 18 de Julho e  “Beira” em Outubro.
Foi seu Comandante o General José César Ferreira Gil e Chefe do Estado - Maior, o Major Eduardo Augusto de Azambuja Martins.
4ª. Expedição foi a última enviada da metrópole para reforço da 3ª.e substituição das suas baixas.
O embarque em Lisboa realizou-se escalonado de Julho a Outubro de 1917, e pela seguinte ordem:
1)- No navio “Portugal”, embarcou o Batalhão de Infantaria 29;
2)- No navio “Moçambique”, embarcaram os quadros para 20 companhias e um esquadrão a organizar em Moçambique;
3)- No navio ”Moçâmedes”, seguiu o Batalhão de Infantaria 30;
4)- Novamente no navio “Moçambique”, partiu a Companhia de Engenharia, 2 baterias de artilharia, 2 baterias de metralhadoras. Serviço de saúde e Serviço de Administração Militar.
Foi seu Comandante o Coronel de Cavalaria Tomaz de Sousa Rosa e Chefe do Estado - Maior, o Capitão Eduardo Ferreira Viana.
Posto de Quionga
Continua
Publicado no Jornal das Caldas em 25-05-2016


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

 
Numismática

MOEDAS PORTUGUESAS COMEMORATIVAS DO EURO

63ª. Moeda
100 Anos da Universidade de Lisboa
        2,5 Euro              
Características da moeda
Anv: Apresenta no centro do campo a representação de uma embarcação símbolo da Universidade de Lisboa e as armas nacionais assentes na esfera armilar. Por baixo, e em duas linhas, a designação de 2,5 Euro. Junto à orla superior, a legenda "República Portuguesa".

Rev: Apresenta no campo central uma embarcação com as suas quatro velas infladas, ladeadas por dois corvos, assim como a representação de um capitel, sugerindo a acção civilizadora das Universidades, fazendo referência ao humanismo. Por baixo, e em duas linhas, a legenda "Centenário da Universidade de Lisboa 1911-2011".
Autor: Ana Gorgulho.
Moedas de acabamento normal:
Valor facial 2,5 Euro; CN; Dia. 28 mm; Peso 10 g; Bordo serrilhado. Cunhagem 100.000 exemplares.
Moedas de Prata proof:
Valor facial 2,5 Euro; Ag: 925/100 de toque; Dia. 28 mm; Peso 12 g; Bordo serrilhado. Cunhagem de 5.000 exemplares.
 PRIMEIRA PARTE
 
Historial
A Universidade de Lisboa, a maior universidade do país no que se refere ao número de alunos,  resulta da fusão da antiga Universidade de Lisboa, criada por decreto de 22 de Março de 1911, com a Universidade Técnica de Lisboa, criada por decreto de 2 de Dezembro de 1930 , passando também a englobar o Estádio Universitário de Lisboa (até então uma estrutura na dependência directa do Ministério da Educação e Ciência).
A fusão foi aprovada pelo Decreto-Lei n.º 266-E/2012, de 31 de Dezembro de 2012, tendo sido concretizada com a tomada de posse do primeiro reitor, António Cruz Serra.
A primeira universidade portuguesa viria a ser criada em Lisboa, na data compreendida entre 1288 e 1290, quando D. Dinis promulgou a carta (datada de 1 de Março desse ano), conferindo vários privilégios aos estudantes do Estudo Geral de Lisboa, o que prova que nessa data já estava fundado. Desde logo, houve uma participação activa nesta acção educativa da Coroa portuguesa e do seu rei, através do seu compromisso de parte do subsídio da mesma, pelas rendas fixas da Igreja.
O Papa Nicolau IV reconheceu-a pouco depois, em 9 de Agosto desse mesmo ano através da bula “De statu regni Portugaliae”, com as Faculdades de Artes, Direito Canónico (Cânones), Direito Civil (Leis) e Medicina. Nesta primeira fase da sua existência, a universidade localizava-se no Campo da Pedreira, uma zona no arrabalde ocidental da cidade, entre aquilo que é hoje a Rua Garrett e o Convento da Trindade.
Ao longo do século XIV, a universidade portuguesa conheceu uma grande instabilidade, tendo por diversos motivos sido transferida, várias vezes, de Lisboa para Coimbra e vice-versa. Assim, no ano de 1308 foi transferida para Coimbra. Em 1328 voltou para Lisboa, sendo novamente transferida para Coimbra no ano de 1354. Em 1377 regressou a Lisboa, e finalmente, no de 1537, instalou-se definitivamente em Coimbra.
Durante os 160 anos em que a Universidade se manteve em Lisboa, entre os séculos XIV e XVI, distinguiram-se, entre os seus alunos e professores, importantes nomes da ciência, como Garcia de Orta ou Pedro Nunes, vultos das letras, como André de Resende ou Baltasar Limpo, ou homens da administração, como João Fernandes da Silveira, o 1.º Barão de Alvito.
Um dos protectores da Universidade foi o Infante D. Henrique que lhe concedeu várias casas no ano de 1431. As fundações deste novo edifício da universidade encontram-se num local hoje denominado como Pátio dos Quintalinhos, fazendo-se a entrada pelo n.º 3 da Rua da Escolas Gerais, em Alfama, na antiga freguesia de São Tomé, hoje integrada na de São Vicente.
Datam dessa época as mais antigas referências a estudos de Astronomia na universidade portuguesa, apoiados na Aritmética e Geometria como ferramentas imprescindíveis para os estudos náuticos.
Na década de 1530, apesar da oposição generalizada dos seus membros, D. João III refundou a Universidade em Coimbra, onde ficou instalada, durante perto de três séculos, a única universidade pública portuguesa (entre 1559 e 1759, quando os Jesuítas detiveram o monopólio do ensino na Universidade de Évora).
No ano de 1759, o Marquês de Pombal criou a Aula do Comércio, a mais antiga antecessora do actual Instituto Superior de Economia e Gestão e, no ano de 1781, foi criada a Aula Régia do Desenho e da Figura, primeira antecessora directa das Faculdades de Arquitectura e de Belas-Artes.
No ano de 1825, foi criada a Régia Escola de Cirurgia  instalada no Hospital de São José (a qual esteve na origem da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, criada em 1836 e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, fundada em 1911). No ano de 1830, foi criada  a Real Escola Veterinária, que deu origem ao Instituto de Agronomia e Veterinária no ano de 1886 e à Escola Superior de Medicina Veterinária  e do Instituto Superior de Agronomia,  ambos no ano de 1911.
(Continua na próxima semana)
Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_de_Lisboa: I.N.C.M. e colecção particular do autor.
FIM