quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Numismática

Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro
  
15ª. Moeda
Património Mundial da Humanidade
Centro Histórico de Angra do Heroísmo
5 Euro
                 
                     
Anv: Apresenta no campo central o escudo nacional circundado na orla superior pela legenda “República Portuguesa” e na orla inferior pelo valor facial da moeda “5 Euro”, entre florões.


 Rev: Apresenta por fundo a estilização da cidade, com a baía, o monte brasil, brilhando ao alto uma espécie de sol com a forma do símbolo da Unesco, circundando estes elementos a legenda “Centro Histórico de Angra do Heroísmo – 2003”.
Autor: Álvaro França
Moeda corrente de prata:
Valor facial 5 Euro; 30 mm de diâmetro; 14 g de peso; toque 500/1000; bordo, serrilhado (350.000 exemplares).
Moedas de Prata proof:
Valor facial 5 Euro; 30 mm de diâmetro; 24 g de peso; toque 925/1000; bordo, serrilhado. (15.000 exemplares).
História da cidade de Angra do Heroísmo

Angra do Heroísmo é uma cidade que se localiza na costa sul da Ilha Terceira, no arquipélago dos Açores, com cerca de 10 800 habitantes, sede de um município com 239 Km2, e que comporta 19 freguesias.


O local escolhido pelos primeiros povoadores foi uma crista de colinas, que se abria, em anfiteatro, sobre duas baías, separadas pelo vulcão extinto do Monte Brasil. Uma delas, a denominada "angra", tinha profundidade para a ancoragem de embarcações de maior tonelagem, as naus. Tinha como vantagem a proteção de todos os ventos, excepto os de Sudeste. As primeiras habitações foram erguidas na encosta sobre essa angra, em ruas íngremes de traçado tortuoso dominadas por um outeiro. Neste, pelo lado de terra, distante do mar, foi iniciado um castelo com a função de defesa, à semelhança do urbanismo medieval europeu: o chamado Castelo dos Moinhos.
Por carta passada pela Infanta Dona Beatriz em 2 de abril de 1474, a capitania de Angra foi doada a Álvaro Martins Homem, que ao tomar posse dela deu início aos trabalhos da chamada Ribeira dos Moinhos, aproveitando a forças de suas águas e lançando as bases para o futuro desenvolvimento económico da povoação. A partir da proteção propiciada pelo Castelo dos Moinhos (atual Alto da Memória), o casario acompanhou a Ribeira dos Moinhos até à baía, primitivamente por ruas e vielas sinuosas - ruas do Pisão, da Garoupinha, de Santo Espírito, das Alcaçarias - cuja toponímia conservou a memória de suas actividades económicas. Martins Homem deu início à chamada Casa do Capitão, posteriormente acrescentada por João Vaz Corte Real, que também procedeu à canalização da Ribeira, à construção do primitivo Cais da Alfândega, da muralha defensiva da baía de Angra e do Hospital de Santo Espírito.
Ao mesmo tempo, liberava a área do vale para que, de acordo com os princípios do urbanismo do Renascimento, pudessem ser abertas ruas obedecendo a um plano ortogonal, organizadas por funções, de acordo com as necessidades do porto que crescia com rapidez. Nesse plano ortogonal serão abertas as ruas da Sé e Direita, ligando os principais elementos da cidade: o porto e a casa do capitão nos extremos do braço menor, os celeiros do Alto das Covas e a Câmara Municipal nos do braço maior. Ao longo do século XVI a cidade crescerá até ao Alto das Covas e a São Gonçalo, embora com ruas de traçado mais irregular.
Desse modo, em poucos anos, desde 1478, a povoação fora elevada à categoria de vila e, em 1534, ainda no contexto dos Descobrimentos, foi a primeira do arquipélago a ser elevada à condição de cidade3 . No mesmo ano, foi escolhida pelo Papa Paulo III para sede da Diocese de Angra com jurisdição sobre todas as ilhas dos Açores. 
As razões para esse vigoroso progresso deveram-se à importância do seu porto como escala da chamada Carreira da Índia, centrado na prestação de serviços de reabastecimento e reaparelhamento das embarcações carregadas de mercadorias e de valores. Por essa razão desde as primeiras décadas do século XVI aqui foi instalada a Provedoria das Armadas, com essa função e a de apoiar a chamada Armada das ilhas. Posteriormente, no contexto da Dinastia Filipina, a estes vieram justar-se os galeões espanhóis carregados de ouro e prata, oriundos das Índias Ocidentais, numa rota que se estendia de Cartagena das Índias, passava por Porto Rico e por Angra, e alcançava Sevilha. Para apoiar essas fainas, foram implantados os primeiros estaleiros navais, na Prainha e no Porto das Pipas, e as fortificações que fecham a baía: o chamado Castelo de São Sebastião e o de São João Baptista.
A cidade, mais de uma vez, teve parte activa na história de Portugal: à época da Crise de sucessão de 1580 resistiu ao domínio Castelhano, apoiando D.António I de Portugal (Prior do Crato) que aqui estabeleceu o seu governo, de 5 de Agosto de 1580 a 6 de Agosto de 1582. O modo como expulsou os espanhóis entrincheirados na fortaleza do Monte Brasil em 1641 valeu-lhe o título de "Sempre leal cidade", outorgado por Dom João IV de Portugal.
Posteriormente, aqui esteve Afonso VI de Portugal, detido nas dependências da fortaleza do Monte Brasil, de 21 de Junho de 1669 a 30 de Agosto de 1684.
Posteriormente Angra constitui-se na capital da Província dos Açores, sede do Governo-geral e em residência dos Capitães-generais, por Decreto de 30 de Agosto de 1766, funções que desempenhou até 1832.
No século XIX, Angra constitui-se em centro e alma do movimento liberal em Portugal. Tendo abraçado a causa constitucional, aqui se estabeleceu em 1828 a Junta Provisória, em nome de Maria II de Portugal. Foi nomeada capital do reino por Decreto de 15 de Março de 1830. Aqui, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), Pedro IV de Portugal organizou a expedição que levou ao desembarque do Mindelo e aqui promulgou alguns dos mais importantes decretos do novo regime, como o que criou novas atribuições às Câmaras Municipais, o que reorganizou o Exército Português, o que aboliu as Sisas e outros impostos, o que extinguiu os morgados e capelas, e o que promulgou a liberdade de ensino no país.
Em reconhecimento de tantos e tão destacados serviços, o Decreto de 12 de Janeiro de 1837 conferiu à cidade o título de "mui nobre, leal e sempre constante cidade de Angra do Heroísmo", e condecorou-a com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada.
Em Angra encontraram refúgio Almeida Garrett, durante a Guerra Peninsular, e a rainha Maria II de Portugal entre 1830 e 1833, durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834). Por aqui passou Charles Darwin, a bordo do "HMS Beagle", tendo aportado a 20 de Setembro de 1836. Darwin partiu daqui para a ilha de São Miguel em 23 de setembro, após fazer um passeio a cavalo pela ilha, onde entre vários locais visitou as Furnas do Enxofre, tendo na altura afirmado que a nível biológico "nada de interessa encontrar".
Títulos concedidos à cidade
1-Em 1643 por Alvará de 2 de Abril, D. João IV de Portugal concede à cidade de Angra o título de "Mui nobre e leal", pela sua bravura durante a Guerra da Restauração;
2- No ano de 1828 – Um decreto (não revogado) de 28 de Outubro que declara Angra a Capital da Província dos Açores, com o seguinte preambulo: “Tendo sido esta cidade condecorada com o título de: Muito nobre e sempre leal cidade de Angra, pelos feitos heróicos praticados por seus fiéis habitantes na restauração de Portugal em 1641, e tendo outrossim estas ilhas sido declaradas adjacentes ao reino de Portugal por alvará de 26 de Fevereiro de 1771, e ultimamente (1828) contempladas como província do reino, §. 1.º, artigo 2.º, título 1.º da Carta Constitucional: há por bem esta Junta Provisória, encarregada de manter a legítima autoridade d'el-rei o Sr. D. Pedro IV, declarar em nome do mesmo Augusto Senhor, que todas as nove ilhas dos Açores são uma só e única província do reino, e que esta cidade de Angra é a capital da província dos Açores. As autoridades a quem competir assim o tenham entendido, cumpram e façam executar: e o Secretário dos Negócios Interinos faça dirigir cópia deste decreto às estações competentes e autoridades na forma do estilo. - Angra, 28 de Outubro de 1828.
3- Em 1830 por força do Decreto lei de 15 de Março, a cidade Angra é nomeada capital do Reino de Portugal.
4- Em 1837 - Por Carta Régia, pelos serviços prestados durante a Guerra Civil, a cidade de Angra acrescenta aos seus títulos o de "Heroísmo" e de "Sempre Constante", tornando-se a "Mui Nobre, Leal e Sempre Constante Cidade de Angra do Heroísmo"; a sua Câmara Municipal é condecorada com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, Valor, Lealdade e Mérito, recebendo um novo brasão de armas;
5- A riqueza de seu património edificado fê-la ser classificada como cidade Património Mundial pela Unesco desde 1983.




Créditos: Wikipédia- Centro Histórico da cidade de Angra do Heroísmo; Documentação avulsa da INCM; e colecção particular do autor.

Óbidos - Setembro de 2013

F I M












Numismática

Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

14ª. Moeda
Património Mundial da Humanidade
Mosteiro da Batalha
5 Euro
                 
                 
Anv: Apresenta no campo o escudo nacional assente sobre a esfera armilar combinando-se com um apontamento de arcos ogivais, onde se encontra o valor facial da moeda em duas linhas “5 Euro”, simbolizando a arquitectura do Mosteiro da Batalha; ao longo da orla a legenda “Republica Portuguesa – 2005”.


Rev: Apresenta por fundo a estilização do mosteiro da Batalha, através da fachada gótica e pelo claustro de D. João I, ligados pela legenda “Mosteiro da Batalha” e pelo logotipo da Unesco”.
Autor: António Marinho.
Moeda corrente de prata:
Valor facial 5 Euro; 30 mm de diâmetro; 14 gr de peso; toque 500/1000; bordo, serrilhado (350.000 exemplares).
Moedas de Prata proof:
Valor facial 5 Euro; 30 mm de diâmetro; 14 gr de peso; toque 925/1000; bordo, serrilhado. (15.000 exemplares).

Pequeno Historial do Mosteiro da Batalha
O Mosteiro de Santa Maria da Vitória também conhecido por Mosteiro da Batalha, situa-se na vila da Batalha e dista 11 km da cidade de Leiria; foi mandado edificar pelo rei D. João I (Primeiro rei da dinastia de Avis no ano de 1386) em agradecimento à Virgem Maria pela vitória alcançada sobre os castelhanos na célebre batalha de Aljubarrota no ano 1386. A construção do mosteiro estendeu-se por dois séculos, até cerca do ano de 1517, abrangendo o reinado de cinco reis (D. João I, D. Duarte, D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I). Os monges dominicanos já habitavam o mosteiro no ano de 1388. A sua arquitectura caracteriza-se pelo gótico tardio português ou estilo manuelino. No projecto inicial correspondia a construção da igreja, do claustro e das dependências monásticas, como a Sala do Capítulo, sacristia e refeitório. Foi-lhe acrescentada a capela do Fundador pelo próprio rei D. João I; as capelas imperfeitas foram acrescentadas no reinado de D. Duarte; o claustro menor ficou a dever-se à iniciativa do rei D. Afonso V; no reinado de D. João II, este monarca desinteressou-se por completo da edificação do edifício; somente no reinado de D. Manuel I, se concluíram as referidas obras um pouco apressadas, em virtude do monarca se ter debruçado quase na sua totalidade à construção do Mosteiro dos Jerónimos.
Sala do Capítulo - Coube ao mestre Huguet finalizar a célebre Sala do Capítulo, actualmente. (Túmulo do Soldado Desconhecido), de planta quadrada, coberta por uma abóbada de estrela de um só voo. Esta abóbada é, efectivamente, uma obra de notável técnica construtiva gótica sendo formada por dezasseis nervuras radiais, oito lançadas das paredes, as restantes lançadas das chaves secundárias exteriores, convergindo para uma grande chave central de decoração vegetalista, desenvolvida em duas coroas. A face exterior desta sala, deitando para a galeria do claustro, é formada por um portal central de rasgamento profundo com cinco arquivoltas de fora e quatro do lado de dentro, o vão ornado por cogulhos radiantes. vãos quebrados, preenchidos cada um deles por duas janelas geminadas com uma bandeira recortada e rendilhada segundo preceitos do gótico flamejante. A sala capitular possui, ornamentação figurativa digna de registo: o programa dominante é mariológico, assinalando-se na janela sul virada para a crasta em dois capitéis, a representação de uma Anunciação, com a virgem à direita e o anjo à esquerda. Nossa Senhora segura uma vasilha com o seu braço direito. Outro elemento iconográfico bastante conhecido, é a representação, numa das mísulas, do que se supõe ser, com bastante razão, o mestre pedreiro, em fórmula de retrato (é notoriamente individualizada a expressão do rosto).
De cada lado abrem-se dois grandes
O Refeitório é coberto por abóbadas de berço quebrado de quatro tramos marcados por arcos torais e apoiada em mísulas sobre friso circundante.
O Claustro Real é de um só piso com sete tramos por ala, constituídos por arcos quebrados, de vãos dissemelhantes, com bandeiras rendilhadas apoiadas em colunelos esculpidos, entre contrafortes com ressaltos, rematados por pináculos piramidais. Tem galerias cobertas por abóbadas de cruzaria de ogivas com cadeia longitudinal, assentes em meias-colunas fasciculadas com capitéis vegetalistas em dois andares, e remate em platibanda rendilhada com flores-de-liz. No cunhal, foi edificado um torreão octogonal de remate piramidal. No interior, encontra-se uma fonte com bacia lobulada e duas taças polilobadas escalonadas, a primeira com máscaras semi - vegetalistas. Tem uma cobertura em abóbada de cruzaria de ogivas com cadeia, apoiada em pilares fasciculados.
O Panteão de D. Duarte, também conhecido por Capelas Imperfeitas, foi planeado tendo em conta uma leitura rigorosa do testamento de D. João I, optando aquele monarca por criar o seu próprio espaço funerário. Assim, D. Duarte deu início à edificação de uma rotunda atrás da cabeceira. De qualquer modo, as obras não foram terminadas, uma vez que a sua edificação terá começado sensivelmente em 1434, tendo o monarca falecido quatro anos depois, deixando-as incompletas. Mas o traçado estava certamente delineado e as obras dos reinados seguintes foram lentamente tentando rematar o edifício, tendo porém ficado por fazer o principal: o lançamento da grande abóbada central. Ao contrário do que se possa julgar, esta operação não levantaria grandes problemas técnicos visto que o vão a cobrir pouco maior era do que o existente na Sala do Capítulo. Tratava-se, de um edifício com um corpo central octogonal e entrada a eixo (articulada com a cabeceira por um átrio abobadado), à volta do qual se dispunham sete capelas radiantes .As capelas existentes abrem-se para o recinto através de grandes arcos quebrados acairelados, possuindo cada uma delas um coro recto e um topo prismático de três faces, com um só janelão de dois lumes em cada face e cobertura de abóbada nervurada.
O Claustro D. Afonso V tem dois pisos, o primeiro de sete tramos por ala marcados por contrafortes entre arcos duplos quebrados assentes em colunas facetadas grupadas transversalmente sobre murete. Tem galerias abobadadas de cruzaria de ogivas com arcos torais robustos, apoiadas em mísulas cónicas lisas. O segundo piso tem um alpendre assente em colunas prismáticas sobre parapeito e contrafortes diagonais que sobem até ao beiral.
A Capela do Fundador é uma construção situada à direita do templo, encostada ao flanco exterior da nave sul, por onde se faz a entrada. Possui planta quadrada, na qual se inscreve ao centro um octógono, que se desenvolve em volume para cima, ao nível do seu segundo andar ― um octógono que funciona, também, como lanterna. Esta capela foi traçada por mestre Huguet e encontrava-se ainda em obras em 1426, sendo terminada pouco depois do falecimento do monarca, que para ali foi trasladado, juntamente com o corpo da rainha, um ano depois (1434). Pelo exterior, impõe-se como uma massa homogénea acentuando a horizontalidade do frontispício do templo. Oferece três faces livres, cada uma das quais ritmada por dois contrafortes, e onde se rasgam três janelões, com o que fica a eixo mais largo do que os restantes. Em cima, salienta-se o exterior do octógono central de onde partem oito arcobotantes acailerados apoiados nos contrafortes exteriores, que se prolongam em Pegões pinaculados além do terraço. O conjunto é rematado por um friso de grilhagens flamejantes. Originalmente, o octógono era coroado por um grande coruchéu em agulha, que caiu com o terramoto de 1755. No interior, a luz irrompe dos janelões da fachada e das frestas de dois lumes existentes em cada face do octógono central. É uma luz diáfana, que incide particularmente no centro do monumento, onde se ergue o mausoléu do rei e da rainha. A abóbada é complexa, formada por arcos cruzeiros que, partindo de baquetas embebidas nas paredes, entroncam em chaves centrais, a partir das quais as nervuras despejam o seu peso sobre as baquetas da face exterior do octógono central, compondo, desta forma, uma espécie de nave ou deambulatório. O octógono propriamente dito, no centro do edifício, é formado por oito pilares compósitos, de colunas enfeixadas e abre-se através de oito arcos apontados com o intradorso ornado de cairéis trilobados. O seu interior é de «dois andares»: o inferior corresponde aos pilares e arcos, enquanto no andar superior se rasgam as janelas lanternárias. Também a abóbada deste corpo central é estrelada, com oito braços principais, oito terceletes e dezasseis nervuras secundárias, apoiadas em oito chaves radiais e uma chave central de grande diâmetro, mostrando o rendilhado, no meio da qual se inscrevem, em relevo, as armas reais. Nas paredes rasgam-se arcos sólidos que albergam os túmulos dos príncipes de Avis
A Capela-Mor parece ser de acabamento posterior, com o seu arco triunfal acairelado, podendo igualmente considerar-se duas as fases de trabalho das capelas colaterais. As galerias norte e ocidental estariam já levantadas, mas foi Huguet quem terá dado acabamento às do lado sul e nascente (todas elas com sete tramos), respeitando porém o traçado anterior, com abóbadas em cruzaria de grandes chaves unidas por cadeia longitudinal, sem mísulas, descansando em finos colunelos de um e de outro lado das paredes.
O Mosteiro foi restaurado no século XIX sob a direcção de Luís Mouzinho de Albuquerque. Neste restauro, o Mosteiro sofreu transformações mais ou menos profundas, designadamente pela destruição de dois claustros, junto das Capelas Imperfeitas e, num quadro de extinção das ordens religiosas em Portugal, pela remoção total dos símbolos religiosos, procurando tornar o Mosteiro num símbolo glorioso da Dinastia de Avis e, sobretudo, da sua primeira geração (a dita Ínclita Geração dos altos infantes).
Cronologia

1-1385 – 14 de Agosto – Batalha de Aljubarrota. D. João I faz uma promessa à Virgem de mandar edificar um Monumento em sua honra, caso ganhe a batalha.
02- 1387/88 – D. João I entrega a Afonso Domingues o projecto e a direcção das obras do Mosteiro da Batalha. Provável data do início da construção.
03- 1388 – Entrega do Mosteiro à Ordem Dominicana.
04- 1387/88 – 1402 – 1ª fase de edificação do Mosteiro, sob a direcção do Mestre Afonso Domingues. Do projecto inicial faziam parte a igreja, a Sacristia, a sala do capítulo o Claustro Real e dependências anexas. Ainda inicia a construção da igreja (cabeceira e naves) e fundamentos da sala do capítulo.
05- 1392 e 1398 – À volta da obra nascem pequenas construções, alojamentos e oficinas dos operários e artífices, lançando-se os fundamentos da futura Vila.
06- 1402 – 1458 – 2ª fase de edificação do Mosteiro, sob a direcção do Mestre Huguet. A ele se deve a conclusão da abóbada da sala do capítulo, sistemas de cobertura da capela-mor e da nave central da igreja, fachada principal, fecho do claustro de D. João I e ainda projecta e dirige o panteão de D. João I e o de D. Duarte.
07- 1416 – D. Filipa de Lencastre é sepultada na capela-mor da igreja.
08- 1426 – Data provável em que D. João I manda edificar o seu panteão, acrescentando, desta forma, a planta inicial.
09- 1433 – Morte de D. João I; é provisoriamente colocado na Capela-mor da igreja.
10- 1434 – Concluídas as obras do panteão real e colocados aqui os corpos de D. João I e de D. Filipa de Lencastre.
11- 1436 – Já devem de estar concluídas as obras do Claustro real e do lavatório.
12- 1438 – Martim Vasques sucede na direcção das obras. Morte de D. Duarte, em cujo reinado já se tinham começado a edificar as capelas imperfeitas, panteão onde iria ficar sepultado. Como as obras não estavam acabadas, foi sepultado, provisoriamente, na capela-mor da igreja.
13- 1448 – Fernão de Évora é nomeado mestre das obras. Construção do Claustro de D.
Afonso V (piso térreo).
14- 1505 – 1520 – Reina D. Manuel I. Decoração dos arcos do Claustro Real, ligação da cobertura do átrio das Capelas Imperfeitas, vitrais da Sala do Capítulo (1514) e da capela-mor da igreja (1517), portal manuelino das Capelas Imperfeitas, executado por Mateus Fernandes.
15- 1528 – João de Castilho é mestre de obras até 1532, vindo, depois a ser substituído por Miguel de Arruda.
16- 1533 – Varanda e Janela Renascentista das capelas imperfeitas, construídas por Manuel de Arruda.
17- 1755 – Terramoto provoca danos no Mosteiro.
18- 1811 – O fogo posto pelas tropas de Napoleão destrói, por completo, o terceiro claustro. Claustro de D. João III.
18- 1840 – 1900 – Importantes obras de reconstrução
19- 1901 – Transladadas as cinzas de D. Afonso V, de D. João II e do Príncipe Afonso para a Capela do Fundador.
20- 1924 – Instalação do Túmulo do Soldado Desconhecido na Sala do Capítulo.
21- 1983 – O Mosteiro é classificado como Património Mundial. Da Humanidade perla Unesco.
Créditos: Wikipédia- Centro Histórico Mosteiro da Batalha; IGESPAR- Monumentos – Mosteiro da Batalha; Documentação avulsa da INCM; e colecção particular do autor.

Óbidos - Setembro de 2013
F I M

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Numismática

Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro
9ª 10ª e 11ª Moedas
 Colecção Comemorativa
UEFA EURO -2004
                   
2ª. Série

O Espectáculo do Futebol
8 Euro

Quando, no ano de 2000, a UEFA atribuiu a Portugal a realização e organização do Campeonato da Europa de Futebol, pôs-se em marcha um elaborado programa, abrangendo um elevado número de sectores da sociedade, que vieram auxiliar na concretização daquilo que foi um verdadeiro êxito desportivo e organizativo que até então não se tinha realizado em Portugal, sendo alvo dos mais rasgados elogios de toda a imprensa europeia, e servindo de exemplo para o Campeonato do Mundo de Futebol de 2006, que se veio a realizar na Alemanha.

À 2ª.série foi dado o título “O Espectáculo do Futebol”, que compõe as seguintes moedas:

A DEFESA 

 Anv: Apresenta o escudo nacional, por baixo o valor facial, de “8 Euro”, e na orla inferior, sob uma bola, a legenda “República Portuguesa”.

 Rev: Apresenta, de uma forma concisa, os dois elementos essenciais da defesa, o “guarda - redes”, e a “bola”, em cujo centro se inscreve a legenda “logótipo oficial da UEFA EURO 2004”.
Autor: João Duarte.

O REMATE 

Anv: Apresenta sobre o lado esquerdo o escudo nacional, circundado pela legenda “República Portuguesa” – 2004”; sobre o lado direito e entre duas linhas paralelas saídas do círculo, o valor facial “8 Euro”.

Rev: Apresenta, em primeiro plano, um jogador a cabecear a bola, que tem no centro o logótipo oficial da prova, e como fundo o estádio com os espectadores em ambiente festivo.
Autor: José Simão.

O GOLO 

Anv: Apresenta o escudo nacional, a legenda “República Portuguesa”, a era, o valor facial de “8 Euro”, constituindo um motivo concêntrico que representa o esférico em movimento.

Rev: No centro, representa o logótipo oficial da prova, rodeado por um conjunto de pictogramas sugerindo a explosão emocional dos espectadores com os corações eufóricos.
Autor: José Teixeira.

Foram efectuadas cunhagens das referidas moedas em diversos metais preciosos.
Especificações técnicas das moedas:
- Moeda Corrente de prata:
Ag: 500; Dia. – 36 mm.; Peso – 21 g.; Bordo Serrilhado; Amoedação –1 500 000  exemplares de cada.
- Moeda BNC (Brilhante não Circulada) de prata:
Ag: 925; Dia – 36 mm.; Peso – 31,10 g.; Bordo Serrilhado; Amoedação –30 000  exemplares de cada.
- Moeda de Prata Proof (Prova numismática):
Ag: 925; Dia. – 36 mm.;  Peso – 31,10 g.; Bordo Serrilhado; Amoedação –15 000  exemplares de cada.
- Moeda de Ouro Proof (Prova Numismática):
Au. 916,6; Dia. – 36 mm.; Peso – 31,10 g.; Bordo Serrilhado; Amoedação –15 000  exemplares de cada.


Moedas de Ouro
A Defesa
O Remate
O Golo
Créditos: Documentação avulsa da INCM; Colecção particular de Luís Tudella; História do futebol (Origens).


Agosto de 2013

FIM




quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Numismática
Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

8ª. Moeda
Património da Humanidade
Centro Histórico de Évora
5 Euro
                                  
Características da moeda


Anv: Apresenta a linha de limitação da planta geográfica do centro histórico da cidade de Évora, onde se sobrepõe no lado esquerdo as armas nacionais assentes na esfera armilar e sobre o lado direito o valor facial da moeda “5 euro”, encimada na orla superior pela legenda “República Portuguesa” e na orla inferior pela era da cunhagem da moeda “2004”.

Rev: Apresenta a figura do Largo das Portas de Moura, representado pela sua fonte renascentista e pelo mirante da casa Cordovil, do estilo luso-mourisco, o logotipo do Património Mundial da Unesco, encimada pela legenda “Unesco Património Mundial” e na orla inferior pela legenda em duas linhas “Centro Histórico de Évora”..
Autor: José Cândido.
Moedas de Prata com acabamento normal:
Valor facial 5 Euro; Ag: 500/1000 de toque; Dia 30 mm; Peso 14 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem 300.000 exemplares.
Moedas de Prata proof:
Valor facial 5 Euro; Ag: 925/1000 de toque; Dia 30 mm; Peso 14 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem de 10.000 exemplares.

História

A cidade de Évora fica situada na planície alentejana, num ponto de cruzamento milenar de vias e rotas comerciais da Península Ibérica. A cidade adquiriu desde a antiguidade uma importância vital política e social para todas as civilizações que marcaram o território, advindo daí como pólo urbano a riqueza acumulada de dois mil anos de história. Da presença romana, onde recebeu o nome de Liberalitas Julia, subsistem um sistema viário e uma malha urbana ainda verificáveis no cadastro actual e a antiga urbe legou-nos a monumentalidade do Templo de Diana. Da ocupação muçulmana crescida à sombra das muralhas tardo-romanas subsiste o traçado tortuoso de alguns arruamentos da parte antiga do casco histórico. Na Idade Média Évora adquiriu uma posição de destaque no Reino Português e cresceu até aos limites da Cerca Nova, a segunda cinta de muralhas, datando do mesmo período o início da construção da Sé Catedral, monumento que constituiu o primeiro estaleiro do gótico português. A instituição da Universidade em 1556 reforçou a dimensão cultural da cidade e traduziu-se numa produção artística, arquitectónica e cosmopolita ainda hoje patente em conventos, palácios renascentistas, maneiristas e barrocos. Pela cidade ainda se podem vislumbrar vestígios de diversas civilizações e culturas – celtas, romanas, árabes, judias e cristãs que foram os alicerces predominantes da arquitectura eborense. O Centro Histórico de Évora, formado por ruas estreitas e travessas, pátios e largos, tem uma área de 107 hectares e é claramente demarcado pelas muralhas medievais com a extensão de mais de 3 km. A cidade foi habitada desde o período romano, destacando-se neste período o “Templo de Diana”; foi ocupada posteriormente por invasões bárbaras (domínio visigótico), foi no ano de 715 D.C. conquistada aos mouros; Geraldo Geraldes cognominado o “Sem pavor” no ano de 1166, conquistou a cidade aos mouros e no ano seguinte o rei D. Afonso Henriques concedeu-lhe foral. Durante a Idade Média, foi das cidades mais prósperas do reino, mais precisamente entre 1385-1580, durante a dinastia de Avis. No ano de 1551, foi fundada a Universidade pelos Jesuítas, recebendo grandes mestres como Clenardo e Molina. No século XVIII, e sob as ordens do Marques de Pombal (1759), a Universidade foi encerrada, aquando da expulsão dos seus fundadores.
A testemunhar a dinâmica histórica e cultural das várias épocas, ficaram os muitos e belos monumentos realizados por diferentes artistas, que hoje podem ser admirados em todo o seu esplendor.
Capela dos Ossos - É uma capela da Igreja de S. Francisco cujas paredes se encontram todas forradas com ossadas humanas. Era local de meditação sobre a morte para os monges. Templo de Diana - É o monumento mais conhecido de Évora. Trata-se das ruínas dum templo romano outrora ali existente. Fica na praça Conde Vila Flor, junto à Catedral, ao Museu e à Pousada dos Loios. 
Catedral - Edifício monumental românico-gótico (se. XIII-XIV). Na sua visita é possível subir às torres e ir até ao telhado de onde se tem uma vista formidável sobre a cidade e os campos. Possui um Museu de Arte Sacra digno de ser visitado pela sua riqueza. Aqueduto da Água da Prata - Este aqueduto mantém-se em bom estado de conservação por alguns quilómetros fora das muralhas. Lá dentro, é muito bonito seguir a rua do Cano, onde ele passa, e ver as casas que foram construídas entre os vãos dos pilares de pedra. Uma das mais singulares ruas da cidade. Palácio de D. Manuel e Jardins - É o que resta do antigo palácio dos reis portugueses. Apresenta uma arquitectura muito interessante que mistura o Manuelino com elementos mujédares. Nos jardins em seu redor são frequentes as actividades culturais e está repleto de pavões que se passeiam livremente. Praça do Giraldo – É a praça principal da cidade e onde se concentra toda a agitação. Igreja da Graça – Esta igreja tem uma fachada renascentista fabulosa. Fica entre a Igreja de S. Francisco e a praça do Giraldo. Universidade – Os edifícios da Universidade são muito bonitos, mas somente são visitáveis durante a semana. 
O Largo das Portas de Moura, representado pela sua fonte renascentista e pelo mirante da casa Cordovil, do estilo luso-mourisco. Nos arredores a cerca de 13 Km da cidade situa-se o Cromeleque dos Almendres, o maior conjunto de menires estruturado da Península Ibérica.
Por todo este conjunto monumental, o Centro Histórico de Évora foi classificado como Património Mundial da UNESCO no ano de 1986.
Créditos: w.w.w.dobrarfronteira.com/Centro Histórico de Évora; w.w.w.igespar. pt/ Património Mundial/Portugal; Documentação avulsa da INCM; Colecção particular de Luís Tudella.
F I M
Publicado no Jornal das Caldas em 14 de Agosto de 2013

sábado, 10 de agosto de 2013

Numismática
Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

7ª. Moeda
Património da Humanidade
Convento de Cristo em Tomar
5 Euro
                               
Características da moeda
 
Anv: Apresenta no centro do campo o valor facial da moeda encimada com o escudo das armas nacionais assente na esfera armilar, por baixo o valor facial da moeda em duas linhas, ladeado à esquerda pela Cruz da Ordem dos Templários e à direita pela Cruz da Ordem de Cristo, orlada na base inferior pela legenda “República Portuguesa.2004”.

 Rev: Apresenta no campo central a Janela do Capítulo em estilo manuelino, ladeada à esquerda pelo logótipo Património Mundial da UNESCO, e ladeado à direita com a legenda Convento de Cristo.
Autor: José Cândido.
Moedas de Prata com acabamento normal:
Valor facial 5 Euro; Ag: 500/1000 de toque; Dia 30 mm; Peso 14 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem 350.000 exemplares.
Moedas de Prata proof:
Valor facial 5 Euro; Ag: 925/1000 de toque; Dia 30 mm; Peso 27 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem de 10.000 exemplares.
Breve História
Após a conquista da região de Tomar aos mouros pelo Rei D. Afonso Henriques, este doou-a à Ordem dos Templários. Esta ordem de seu nome completo “Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão”, foi uma das principais e mais famosa ordem criada na Idade Média, que por vezes era chamada de “Cavaleiros de Cristo”, “Cavaleiros do Templo”, “Cavaleiro dos Pobres”. Foi criada pelo Papado no ano de 1119, após a Primeira Cruzada (1096), tendo como patrono São Bernardo do Claraval e como lema “Não para nós Senhor, mas para glória do teu Nome”. Os seus membros fizeram voto de pobreza e castidade para se tornarem monges, trajando mantos brancos com a característica cruz vermelha, e o seu símbolo passou a ser um cavalo.

Os cavaleiros e monges Templários de Tomar governavam vastas possessões do centro do Reino de Portugal que estavam obrigados a defender dos ataques vindos dos estados islâmicos a sul. Como muitos senhores das então pouco povoadas regiões da fronteira, aos vilões foram concedidos muitos direitos que não tinham os habitantes do norte do país. Aqueles que podiam sustentar um cavalo estavam obrigados ao serviço militar em troca de privilégios. As mulheres também podiam ingressar na Ordem, mas não combatiam.
Esta Ordem foi dissolvida pelo Papa Clemente V no ano de 1312. Em Portugal surge uma nova Ordem de iniciativa do Rei D. Dinis, a Ordem de Cristo Originalmente, era uma ordem religiosa e militar, criada a 14 de Março de 1319 pela Bula Papal Ad ea ex-quibus de João XXII que, deste modo, acedia ao pedido do nosso rei Dom Dinis. Recebeu o nome de Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo e foi herdeira das propriedades e privilégios da Ordem do Templo. Em Maio desse mesmo ano, numa cerimónia solene que contou com a participação do Arcebispo de Évora e de D. Afonso de Albuquerque, alferes mór do reino e de outros membros da cúria régia, o rei Dom Dinis ratificou, em Santarém, a criação da nova Ordem.



O Convento de Cristo, é o principal monumento histórico na cidade de Tomar, classificado pela UNESCO como Património Mundial. Foi pertença da Ordem dos Templários, fundado no ano de 1160 pelo seu Grão-Mestre, Dom Gualdim Pais. O Convento de Cristo ainda conserva recordações desses monges e cavaleiros e dos herdeiros do seu cargo, a Ordem de Cristo, os quais fizeram deste edifício a sua sede. Foi concedido foral no ano de 1162. Neste conjunto arquitectónico predominam os estilos românico, gótico, manuelino, renascentista, maneirista e barroco, o que nos indica que foi alvo de diversas intervenções ao longo dos séculos. No ano de 1418 era seu Mestre o Infante D. Henrique, que procedeu a obras de beneficiação construindo claustros, entre a Charola e a fortaleza. No ano de 1438, o Rei Dom  Duarte, irmão do infante D. Henrique, para fugir à peste negra que assolava a cidade de Lisboa, refugiou-se em Tomar, onde morreu. Com a expulsão dos judeus de Espanha no ano de 1492, a cidade que tinha uma boa sinagoga acolheu grande número de artesãos, profissionais e mercadores refugiados. A muito significativa população judaica deu novo ímpeto à cidade, com a sua experiência nas profissões e no comércio. Estes foram vitais para o bom êxito da abertura das novas rotas comerciais em África. A sinagoga original, mandada construir pelo Infante Dom Henrique, ainda existe. Durante o Reinado de Dom Manuel I, o Convento tomou a sua forma final, com predomínio do novo estilo Manuelino. As maiores modificações verificam-se no reinado de D. João III (1521-1557), sendo os seus obreiros os arquitectos como João de Castilho e Diogo da Arruda que procuraram exprimir o poder da Ordem construindo a igreja e os claustros com ricos floreados em estilo manuelino que atingiram o máximo esplendor na janela da fachada ocidental, (Janela do Capítulo). No ano de 1550, o Tribunal da Santa Inquisição iniciou a perseguição aos judeus, provocando uma debandada da cidade de Tomar para diversos países europeus, os outros que se converteram ao cristianismo foram apelidados de cristãos-novos, os que não conseguiram fugir ou que não se quiseram converter foram presos e torturados em Autos de Fé. Este ataque desenfreado aos judeus teve como consequência a perda do dinamismo económico da cidade de Tomar, iniciando-se o seu declínio. No ano de 1581, Tomar acolheu as cortes que aclamaram o rei Filipe II de Espanha como Filipe I de Portugal, iniciando-se a Dinastia Filipina e a perda da nossa independência por 60 anos. No século XVIII, e pela influência do Marquês de Pombal, a cidade sofreu um novo incremento com a criação da Real Fábrica. No reinado de D. Maria I foi fundada a Fábrica de Fiação; mais indústrias se foram fixando, como a do papel, vidro, metalúrgica, sabão, seda e outras. No século XIX, no período das Invasões Francesas a cidade foi ocupada militarmente pelas forças francesas, sendo libertada pelas tropas luso inglesas. Com a instauração do Liberalismo no ano de 1834, foram abolidas todas as ordens religiosas em Portugal e com elas a Ordem de Cristo.


Este conjunto Arquitectónico é dos mais visitados e admirados em Portugal pelo seu estado de conservação e pelo seu significado histórico, político, religioso e económico.
Créditos: Convento de Cristo – Wikipédia, enciclopédia livre. Wikipédia org/wiki/Convento de Cristo; Documentação avulsa da INCM; Colecção particular de Luís Tudella.
F I M
Publicado no Jornal das Caldas de 6 de Agosto de 2013

sexta-feira, 2 de agosto de 2013


Numismática
Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro
6ª. Moeda
V Série Ibero-Americana
“Náutica”
10 Euro

Desde do ano de 1992 que Portugal conjuntamente com a Espanha e vários países da América Latina, emitem moedas que estão integradas nas Séries Ibero-Americana, subordinadas aos mais diversos temas. A Náutica, foi a escolha para esta série e direccionada para o mar.
Características da moeda

Anv: Apresenta no centro do campo e no círculo interior o escudo das armas nacionais sobreposto à esfera armilar, circundado pela legenda “República Portuguesa e o valor facial *10  EURO*, no círculo exterior  a heráldica dos países ibéricos e ibero-americanos, aderentes a este evento, Portugal, Espanha, Argentina, Cuba, Equador, Guatemala, México, Nicarágua Paraguai e Perú.
Rev: Apresenta no campo central uma nau de grande porte com as velas içadas, recebendo os ventos predominantes, sulcando os mares, provocando uma ondulação, indicando-nos o movimento desta. Sobre o lado direito mostra-se um quadrante, utensílio aplicado às artes de marear; junto à orla inferior a legenda NÁUTICA e na orla lateral a era da cunhagem da moeda.

Autor: Raul de Sousa Machado.
Moedas de Prata com acabamento normal:
Valor facial 10 Euro; Ag: 500/100 de toque; Dia 40 mm; Peso 27 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem 350.000 exemplares.
Moedas de Prata proof:
Valor facial 10 Euro; Ag: 925/100 de toque; Dia 40 mm; Peso 27 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem de 10.000 exemplares.

 O termo Náutico, define-se como o conjunto das tecnologias de navegação no mar ou aérea, sendo hoje empregue não só para referenciar a arte de navegar, mas toda a actividade a ele inerente, como embarcações, praticadas nos mares, rios e lagos
Nau é a denominação genérica dada a navios de grande porte até ao seculo XV, utilizados para viagens de grande percurso; aparecem em diversos documentos históricos os termos nave (do latim navis) termo este, utilizado desde o século XIII ao XV; em contrapartida o termo embarcação aplica-se a barcos de menores dimensões, utilizados em percursos mais curtos, que surgiram no século XV e XVI.
No reinado de D. Fernando I de Portugal as naus multiplicaram-se de forma assinalável por todo o Portugal, devido essencialmente à pirataria que por toda a costa assolava o território nacional; por isso, foi criada uma armada para a combater, passando a integrar a marinha, passando a introduzirem-se bocas de fogo que tiveram as mais diversas classificações segundo, o poder da artilharia: as naus com 100 a 120 bocas, eram naus de três pontas e as de 80 bocas de duas pontas e meia. A capacidade de transporte das naus também foi aumentando, alcançando as duzentas toneladas no século XV e as quinhentas no século XVI.
Na época áurea dos descobrimentos portugueses a náutica foi evoluindo, dando azo ao aparecimento de outro tipo de embarcações. A barca, que se destinava à cabotagem e pesca, e posteriormente a caravela.
Com o desenvolvimento imprimido à navegação, passando de águas costeiras para águas oceânicas, foi necessário proceder-se a adaptações nas embarcações com os novos conhecimentos geográficos e náuticos; à medida que o comércio marítimo se desenvolvia, foi necessário aumentar a capacidade do transporte de mercadorias, marinheiros, soldados e armamento, modificando as características das embarcações. Surgiram então as Caravelas e as Naus de grande porte.

O quadrante instrumento náutico de vital importância tinha a forma de um quarto de círculo, sendo graduado de 0º a 90º, na extremidade onde estavam marcados os 90º, possuindo duas pínulas com um orifício por onde se apontava ao astro; no centro tinha um fio de prumo que observando a sua posição lia-se a graduação que indicava a altura do astro. Tanto o quadrante como o astrolábio, este de origem portuguesa, permitiam indicar a localização da embarcação, ou mais a norte ou mais a sul, através da medição do ângulo que a estrela Polar faz com o horizonte, ou medindo a inclinação do sol, também em relação a este.
 A nau Madre de Deus foi o maior navio do mundo no seu tempo, deslocando 1 600 toneladas, 900 das quais em carga. Construída na Ribeira das Naus em Lisboa no ano de 1589, para a servir na Carreira da Índia, tinha as seguintes características: 50 metros de comprimento e 14,5 metros de largura. Dispunha de 7 convés e 32 canhões, entre outras armas, empregando uma tripulação de 600 a 700 homens. Em agosto de 1592 carregada de valiosíssimas mercadorias, de regresso a Lisboa na sua segunda viagem à Índia foi atacada e capturada por uma frota inglesa de seis navios ao largo do arquipélago dos Açores. A Madre de Deus constituiu um dos maiores saques da História.
Entre as riquezas transportadas pela nau Madre de Deus estavam baús cheios de pérolas e jóias preciosas, moedas de ouro e prata, âmbar, rolos de tecido da mais alta qualidade, tapeçaria, 425 toneladas de pimenta, 45 toneladas de cravo da Índia, 35 toneladas de canela, 25 toneladas de cochonilha, 15 toneladas de ébano, 3 toneladas de noz-moscada e 2,5 toneladas de benjamim (uma resina aromática usada em perfumes e medicamentos). Havia ainda incenso, sedas, damasco, tecido de ouro, porcelana chinesa, presas de elefante entre outros artigos. Finalmente e talvez o maior tesouro que os ingleses adquiriram: um documento impresso em Macau em 1590, que continha informação preciosa sobre o comércio português na China e no Japão. Richard Hakluyt relatou que este documento foi encontrado fechado numa caixa de cedro, enrolado 100 vezes por um tecido fino de Calecute tratado como a mais preciosa das jóias.
A nau Madre de Deus constituiu um dos maiores saques da História.
Créditos: Wikipédia – Nau portuguesa Madre de Deus; Quadrante; Colecção particular do autor.

F i m
Publicado no Jornal das Caldas em 31-07-2013