quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Numismática
Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

8ª. Moeda
Património da Humanidade
Centro Histórico de Évora
5 Euro
                                  
Características da moeda


Anv: Apresenta a linha de limitação da planta geográfica do centro histórico da cidade de Évora, onde se sobrepõe no lado esquerdo as armas nacionais assentes na esfera armilar e sobre o lado direito o valor facial da moeda “5 euro”, encimada na orla superior pela legenda “República Portuguesa” e na orla inferior pela era da cunhagem da moeda “2004”.

Rev: Apresenta a figura do Largo das Portas de Moura, representado pela sua fonte renascentista e pelo mirante da casa Cordovil, do estilo luso-mourisco, o logotipo do Património Mundial da Unesco, encimada pela legenda “Unesco Património Mundial” e na orla inferior pela legenda em duas linhas “Centro Histórico de Évora”..
Autor: José Cândido.
Moedas de Prata com acabamento normal:
Valor facial 5 Euro; Ag: 500/1000 de toque; Dia 30 mm; Peso 14 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem 300.000 exemplares.
Moedas de Prata proof:
Valor facial 5 Euro; Ag: 925/1000 de toque; Dia 30 mm; Peso 14 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem de 10.000 exemplares.

História

A cidade de Évora fica situada na planície alentejana, num ponto de cruzamento milenar de vias e rotas comerciais da Península Ibérica. A cidade adquiriu desde a antiguidade uma importância vital política e social para todas as civilizações que marcaram o território, advindo daí como pólo urbano a riqueza acumulada de dois mil anos de história. Da presença romana, onde recebeu o nome de Liberalitas Julia, subsistem um sistema viário e uma malha urbana ainda verificáveis no cadastro actual e a antiga urbe legou-nos a monumentalidade do Templo de Diana. Da ocupação muçulmana crescida à sombra das muralhas tardo-romanas subsiste o traçado tortuoso de alguns arruamentos da parte antiga do casco histórico. Na Idade Média Évora adquiriu uma posição de destaque no Reino Português e cresceu até aos limites da Cerca Nova, a segunda cinta de muralhas, datando do mesmo período o início da construção da Sé Catedral, monumento que constituiu o primeiro estaleiro do gótico português. A instituição da Universidade em 1556 reforçou a dimensão cultural da cidade e traduziu-se numa produção artística, arquitectónica e cosmopolita ainda hoje patente em conventos, palácios renascentistas, maneiristas e barrocos. Pela cidade ainda se podem vislumbrar vestígios de diversas civilizações e culturas – celtas, romanas, árabes, judias e cristãs que foram os alicerces predominantes da arquitectura eborense. O Centro Histórico de Évora, formado por ruas estreitas e travessas, pátios e largos, tem uma área de 107 hectares e é claramente demarcado pelas muralhas medievais com a extensão de mais de 3 km. A cidade foi habitada desde o período romano, destacando-se neste período o “Templo de Diana”; foi ocupada posteriormente por invasões bárbaras (domínio visigótico), foi no ano de 715 D.C. conquistada aos mouros; Geraldo Geraldes cognominado o “Sem pavor” no ano de 1166, conquistou a cidade aos mouros e no ano seguinte o rei D. Afonso Henriques concedeu-lhe foral. Durante a Idade Média, foi das cidades mais prósperas do reino, mais precisamente entre 1385-1580, durante a dinastia de Avis. No ano de 1551, foi fundada a Universidade pelos Jesuítas, recebendo grandes mestres como Clenardo e Molina. No século XVIII, e sob as ordens do Marques de Pombal (1759), a Universidade foi encerrada, aquando da expulsão dos seus fundadores.
A testemunhar a dinâmica histórica e cultural das várias épocas, ficaram os muitos e belos monumentos realizados por diferentes artistas, que hoje podem ser admirados em todo o seu esplendor.
Capela dos Ossos - É uma capela da Igreja de S. Francisco cujas paredes se encontram todas forradas com ossadas humanas. Era local de meditação sobre a morte para os monges. Templo de Diana - É o monumento mais conhecido de Évora. Trata-se das ruínas dum templo romano outrora ali existente. Fica na praça Conde Vila Flor, junto à Catedral, ao Museu e à Pousada dos Loios. 
Catedral - Edifício monumental românico-gótico (se. XIII-XIV). Na sua visita é possível subir às torres e ir até ao telhado de onde se tem uma vista formidável sobre a cidade e os campos. Possui um Museu de Arte Sacra digno de ser visitado pela sua riqueza. Aqueduto da Água da Prata - Este aqueduto mantém-se em bom estado de conservação por alguns quilómetros fora das muralhas. Lá dentro, é muito bonito seguir a rua do Cano, onde ele passa, e ver as casas que foram construídas entre os vãos dos pilares de pedra. Uma das mais singulares ruas da cidade. Palácio de D. Manuel e Jardins - É o que resta do antigo palácio dos reis portugueses. Apresenta uma arquitectura muito interessante que mistura o Manuelino com elementos mujédares. Nos jardins em seu redor são frequentes as actividades culturais e está repleto de pavões que se passeiam livremente. Praça do Giraldo – É a praça principal da cidade e onde se concentra toda a agitação. Igreja da Graça – Esta igreja tem uma fachada renascentista fabulosa. Fica entre a Igreja de S. Francisco e a praça do Giraldo. Universidade – Os edifícios da Universidade são muito bonitos, mas somente são visitáveis durante a semana. 
O Largo das Portas de Moura, representado pela sua fonte renascentista e pelo mirante da casa Cordovil, do estilo luso-mourisco. Nos arredores a cerca de 13 Km da cidade situa-se o Cromeleque dos Almendres, o maior conjunto de menires estruturado da Península Ibérica.
Por todo este conjunto monumental, o Centro Histórico de Évora foi classificado como Património Mundial da UNESCO no ano de 1986.
Créditos: w.w.w.dobrarfronteira.com/Centro Histórico de Évora; w.w.w.igespar. pt/ Património Mundial/Portugal; Documentação avulsa da INCM; Colecção particular de Luís Tudella.
F I M
Publicado no Jornal das Caldas em 14 de Agosto de 2013

sábado, 10 de agosto de 2013

Numismática
Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

7ª. Moeda
Património da Humanidade
Convento de Cristo em Tomar
5 Euro
                               
Características da moeda
 
Anv: Apresenta no centro do campo o valor facial da moeda encimada com o escudo das armas nacionais assente na esfera armilar, por baixo o valor facial da moeda em duas linhas, ladeado à esquerda pela Cruz da Ordem dos Templários e à direita pela Cruz da Ordem de Cristo, orlada na base inferior pela legenda “República Portuguesa.2004”.

 Rev: Apresenta no campo central a Janela do Capítulo em estilo manuelino, ladeada à esquerda pelo logótipo Património Mundial da UNESCO, e ladeado à direita com a legenda Convento de Cristo.
Autor: José Cândido.
Moedas de Prata com acabamento normal:
Valor facial 5 Euro; Ag: 500/1000 de toque; Dia 30 mm; Peso 14 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem 350.000 exemplares.
Moedas de Prata proof:
Valor facial 5 Euro; Ag: 925/1000 de toque; Dia 30 mm; Peso 27 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem de 10.000 exemplares.
Breve História
Após a conquista da região de Tomar aos mouros pelo Rei D. Afonso Henriques, este doou-a à Ordem dos Templários. Esta ordem de seu nome completo “Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão”, foi uma das principais e mais famosa ordem criada na Idade Média, que por vezes era chamada de “Cavaleiros de Cristo”, “Cavaleiros do Templo”, “Cavaleiro dos Pobres”. Foi criada pelo Papado no ano de 1119, após a Primeira Cruzada (1096), tendo como patrono São Bernardo do Claraval e como lema “Não para nós Senhor, mas para glória do teu Nome”. Os seus membros fizeram voto de pobreza e castidade para se tornarem monges, trajando mantos brancos com a característica cruz vermelha, e o seu símbolo passou a ser um cavalo.

Os cavaleiros e monges Templários de Tomar governavam vastas possessões do centro do Reino de Portugal que estavam obrigados a defender dos ataques vindos dos estados islâmicos a sul. Como muitos senhores das então pouco povoadas regiões da fronteira, aos vilões foram concedidos muitos direitos que não tinham os habitantes do norte do país. Aqueles que podiam sustentar um cavalo estavam obrigados ao serviço militar em troca de privilégios. As mulheres também podiam ingressar na Ordem, mas não combatiam.
Esta Ordem foi dissolvida pelo Papa Clemente V no ano de 1312. Em Portugal surge uma nova Ordem de iniciativa do Rei D. Dinis, a Ordem de Cristo Originalmente, era uma ordem religiosa e militar, criada a 14 de Março de 1319 pela Bula Papal Ad ea ex-quibus de João XXII que, deste modo, acedia ao pedido do nosso rei Dom Dinis. Recebeu o nome de Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo e foi herdeira das propriedades e privilégios da Ordem do Templo. Em Maio desse mesmo ano, numa cerimónia solene que contou com a participação do Arcebispo de Évora e de D. Afonso de Albuquerque, alferes mór do reino e de outros membros da cúria régia, o rei Dom Dinis ratificou, em Santarém, a criação da nova Ordem.



O Convento de Cristo, é o principal monumento histórico na cidade de Tomar, classificado pela UNESCO como Património Mundial. Foi pertença da Ordem dos Templários, fundado no ano de 1160 pelo seu Grão-Mestre, Dom Gualdim Pais. O Convento de Cristo ainda conserva recordações desses monges e cavaleiros e dos herdeiros do seu cargo, a Ordem de Cristo, os quais fizeram deste edifício a sua sede. Foi concedido foral no ano de 1162. Neste conjunto arquitectónico predominam os estilos românico, gótico, manuelino, renascentista, maneirista e barroco, o que nos indica que foi alvo de diversas intervenções ao longo dos séculos. No ano de 1418 era seu Mestre o Infante D. Henrique, que procedeu a obras de beneficiação construindo claustros, entre a Charola e a fortaleza. No ano de 1438, o Rei Dom  Duarte, irmão do infante D. Henrique, para fugir à peste negra que assolava a cidade de Lisboa, refugiou-se em Tomar, onde morreu. Com a expulsão dos judeus de Espanha no ano de 1492, a cidade que tinha uma boa sinagoga acolheu grande número de artesãos, profissionais e mercadores refugiados. A muito significativa população judaica deu novo ímpeto à cidade, com a sua experiência nas profissões e no comércio. Estes foram vitais para o bom êxito da abertura das novas rotas comerciais em África. A sinagoga original, mandada construir pelo Infante Dom Henrique, ainda existe. Durante o Reinado de Dom Manuel I, o Convento tomou a sua forma final, com predomínio do novo estilo Manuelino. As maiores modificações verificam-se no reinado de D. João III (1521-1557), sendo os seus obreiros os arquitectos como João de Castilho e Diogo da Arruda que procuraram exprimir o poder da Ordem construindo a igreja e os claustros com ricos floreados em estilo manuelino que atingiram o máximo esplendor na janela da fachada ocidental, (Janela do Capítulo). No ano de 1550, o Tribunal da Santa Inquisição iniciou a perseguição aos judeus, provocando uma debandada da cidade de Tomar para diversos países europeus, os outros que se converteram ao cristianismo foram apelidados de cristãos-novos, os que não conseguiram fugir ou que não se quiseram converter foram presos e torturados em Autos de Fé. Este ataque desenfreado aos judeus teve como consequência a perda do dinamismo económico da cidade de Tomar, iniciando-se o seu declínio. No ano de 1581, Tomar acolheu as cortes que aclamaram o rei Filipe II de Espanha como Filipe I de Portugal, iniciando-se a Dinastia Filipina e a perda da nossa independência por 60 anos. No século XVIII, e pela influência do Marquês de Pombal, a cidade sofreu um novo incremento com a criação da Real Fábrica. No reinado de D. Maria I foi fundada a Fábrica de Fiação; mais indústrias se foram fixando, como a do papel, vidro, metalúrgica, sabão, seda e outras. No século XIX, no período das Invasões Francesas a cidade foi ocupada militarmente pelas forças francesas, sendo libertada pelas tropas luso inglesas. Com a instauração do Liberalismo no ano de 1834, foram abolidas todas as ordens religiosas em Portugal e com elas a Ordem de Cristo.


Este conjunto Arquitectónico é dos mais visitados e admirados em Portugal pelo seu estado de conservação e pelo seu significado histórico, político, religioso e económico.
Créditos: Convento de Cristo – Wikipédia, enciclopédia livre. Wikipédia org/wiki/Convento de Cristo; Documentação avulsa da INCM; Colecção particular de Luís Tudella.
F I M
Publicado no Jornal das Caldas de 6 de Agosto de 2013

sexta-feira, 2 de agosto de 2013


Numismática
Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro
6ª. Moeda
V Série Ibero-Americana
“Náutica”
10 Euro

Desde do ano de 1992 que Portugal conjuntamente com a Espanha e vários países da América Latina, emitem moedas que estão integradas nas Séries Ibero-Americana, subordinadas aos mais diversos temas. A Náutica, foi a escolha para esta série e direccionada para o mar.
Características da moeda

Anv: Apresenta no centro do campo e no círculo interior o escudo das armas nacionais sobreposto à esfera armilar, circundado pela legenda “República Portuguesa e o valor facial *10  EURO*, no círculo exterior  a heráldica dos países ibéricos e ibero-americanos, aderentes a este evento, Portugal, Espanha, Argentina, Cuba, Equador, Guatemala, México, Nicarágua Paraguai e Perú.
Rev: Apresenta no campo central uma nau de grande porte com as velas içadas, recebendo os ventos predominantes, sulcando os mares, provocando uma ondulação, indicando-nos o movimento desta. Sobre o lado direito mostra-se um quadrante, utensílio aplicado às artes de marear; junto à orla inferior a legenda NÁUTICA e na orla lateral a era da cunhagem da moeda.

Autor: Raul de Sousa Machado.
Moedas de Prata com acabamento normal:
Valor facial 10 Euro; Ag: 500/100 de toque; Dia 40 mm; Peso 27 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem 350.000 exemplares.
Moedas de Prata proof:
Valor facial 10 Euro; Ag: 925/100 de toque; Dia 40 mm; Peso 27 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem de 10.000 exemplares.

 O termo Náutico, define-se como o conjunto das tecnologias de navegação no mar ou aérea, sendo hoje empregue não só para referenciar a arte de navegar, mas toda a actividade a ele inerente, como embarcações, praticadas nos mares, rios e lagos
Nau é a denominação genérica dada a navios de grande porte até ao seculo XV, utilizados para viagens de grande percurso; aparecem em diversos documentos históricos os termos nave (do latim navis) termo este, utilizado desde o século XIII ao XV; em contrapartida o termo embarcação aplica-se a barcos de menores dimensões, utilizados em percursos mais curtos, que surgiram no século XV e XVI.
No reinado de D. Fernando I de Portugal as naus multiplicaram-se de forma assinalável por todo o Portugal, devido essencialmente à pirataria que por toda a costa assolava o território nacional; por isso, foi criada uma armada para a combater, passando a integrar a marinha, passando a introduzirem-se bocas de fogo que tiveram as mais diversas classificações segundo, o poder da artilharia: as naus com 100 a 120 bocas, eram naus de três pontas e as de 80 bocas de duas pontas e meia. A capacidade de transporte das naus também foi aumentando, alcançando as duzentas toneladas no século XV e as quinhentas no século XVI.
Na época áurea dos descobrimentos portugueses a náutica foi evoluindo, dando azo ao aparecimento de outro tipo de embarcações. A barca, que se destinava à cabotagem e pesca, e posteriormente a caravela.
Com o desenvolvimento imprimido à navegação, passando de águas costeiras para águas oceânicas, foi necessário proceder-se a adaptações nas embarcações com os novos conhecimentos geográficos e náuticos; à medida que o comércio marítimo se desenvolvia, foi necessário aumentar a capacidade do transporte de mercadorias, marinheiros, soldados e armamento, modificando as características das embarcações. Surgiram então as Caravelas e as Naus de grande porte.

O quadrante instrumento náutico de vital importância tinha a forma de um quarto de círculo, sendo graduado de 0º a 90º, na extremidade onde estavam marcados os 90º, possuindo duas pínulas com um orifício por onde se apontava ao astro; no centro tinha um fio de prumo que observando a sua posição lia-se a graduação que indicava a altura do astro. Tanto o quadrante como o astrolábio, este de origem portuguesa, permitiam indicar a localização da embarcação, ou mais a norte ou mais a sul, através da medição do ângulo que a estrela Polar faz com o horizonte, ou medindo a inclinação do sol, também em relação a este.
 A nau Madre de Deus foi o maior navio do mundo no seu tempo, deslocando 1 600 toneladas, 900 das quais em carga. Construída na Ribeira das Naus em Lisboa no ano de 1589, para a servir na Carreira da Índia, tinha as seguintes características: 50 metros de comprimento e 14,5 metros de largura. Dispunha de 7 convés e 32 canhões, entre outras armas, empregando uma tripulação de 600 a 700 homens. Em agosto de 1592 carregada de valiosíssimas mercadorias, de regresso a Lisboa na sua segunda viagem à Índia foi atacada e capturada por uma frota inglesa de seis navios ao largo do arquipélago dos Açores. A Madre de Deus constituiu um dos maiores saques da História.
Entre as riquezas transportadas pela nau Madre de Deus estavam baús cheios de pérolas e jóias preciosas, moedas de ouro e prata, âmbar, rolos de tecido da mais alta qualidade, tapeçaria, 425 toneladas de pimenta, 45 toneladas de cravo da Índia, 35 toneladas de canela, 25 toneladas de cochonilha, 15 toneladas de ébano, 3 toneladas de noz-moscada e 2,5 toneladas de benjamim (uma resina aromática usada em perfumes e medicamentos). Havia ainda incenso, sedas, damasco, tecido de ouro, porcelana chinesa, presas de elefante entre outros artigos. Finalmente e talvez o maior tesouro que os ingleses adquiriram: um documento impresso em Macau em 1590, que continha informação preciosa sobre o comércio português na China e no Japão. Richard Hakluyt relatou que este documento foi encontrado fechado numa caixa de cedro, enrolado 100 vezes por um tecido fino de Calecute tratado como a mais preciosa das jóias.
A nau Madre de Deus constituiu um dos maiores saques da História.
Créditos: Wikipédia – Nau portuguesa Madre de Deus; Quadrante; Colecção particular do autor.

F i m
Publicado no Jornal das Caldas em 31-07-2013

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Numismática

Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

     3ª. 4ª e 5ª. Moedas
 Colecção Comemorativa
UEFA EURO -2004
1ª. Série
Os valores do futebol
8 Euro



Quando no ano de 2000 a UEFA, atribui a Portugal a realização e organização do Campeonato da Europa de Futebol, pôs-se em marcha um elaborado programa, abrangendo um elevado número de sectores da sociedade, que vieram auxiliar a concretização, daquilo que foi um verdadeiro êxito desportivo e organizativo, que até então se tinha realizado em Portugal, sendo alvo dos mais rasgados elogios de toda a imprensa europeia, e servindo de exemplo para o Campeonato do Mundo de Futebol de 2006, que se veio a realizar na Alemanha.
É de todos conhecido que esta modalidade é a mais praticada a nível universal, tendo largos milhões de praticantes e centenas de milhões de apaixonados por todo o mundo. O futebol move sociedades inteiras, interfere no hábito dos cidadãos, rege as suas reacções e relações, está integrado em todos os extractos sociais, e não há quem não opina sobre esta actividade senão todos os dias, de certeza, aos fins de semana, logo após o fim da jornada fetubolística, estendendo-se durante a semana, a uma simples conversa de rua, de café, e em locais de trabalho, ou mesmo, gerando enormes discussões e contrariedades.
Como se costuma dizer, que “o futebol é o ópio do povo…”. 
Foi posto a concurso este projecto ao qual concorrem diversos artistas plásticos, apresentando alguns inovações no conceito do futebol, fugindo ao tradicional e clássico desenho, da bola, baliza, luva, caneleira, bota, bandeirola, apito, campo de futebol, e outros elementos relevantes, substituídos por simples traços que caracterizam os elementos atrás referidos e introduzindo conceitos relacionados com a modalidade, como a “Festa”, que se pretende seja abrangente; a “Paixão”, que a todos nos toca, pela beleza da sua execução com passes, jogadas e golos magistrais que nos encantam e apaixonam; e por fim o “Desportivismo”, que é elemento essencial no comportamento das referidas hostes, e no comportamento dos intervenientes, que por vezes se excedem, vindo a desvirtuar o espectáculo. Este projecto foi concretizado através da cunhagem de duas séries, com três moedas cada., de valor facial de 8 Euro, a seguir descritas:
À 1ª.série foi dado o título de “Os valores do Futebol”, que compõe as seguintes moedas:

A PAIXÃO - Anv: Apresenta um olho formado pelo escudo nacional, a legenda “República Portuguesa”, a era e o valor facial da moeda, observando o movimento do público que termina num coração. 
Rev: Apresenta o logótipo oficial dos jogos e uma repetição dos corações como elementos simbólicos da paixão e vibração dos espectadores.
Autor: José Teixeira.

A FESTA – Anv: Apresenta uma bola de futebol descaída sobre o lado esquerdo, o escudo nacional, a legenda “República Portuguesa”, a era e o valor facial da moeda.
Rev: Apresenta o logótipo oficial, propondo-nos como elementos ilustrativos do tema, a bola, as bandeiras ao vento, simbolizando os adeptos em festa.
Autor: João Duarte.

DESPORTIVISMO – Anv: Apresenta o escudo nacional, as legendas “Desportivismo” e “República Portuguesa”, a era e o valor facial da moeda.
Rev: Apresenta a estilização de um campo de futebol em cuja superfície se repete a expressão “Fair Play” e no círculo central está colocado o logótipo oficial, com a legenda “UEFA EURO 2004”.
Autor: José Simão.

Foram efectuadas cunhagens das referidas moedas em diversos metais preciosos.
Especificações técnicas das moedas:
- Moeda Corrente de prata:
Ag: 500; Dia. – 36 mm.; Peso – 21 g.; Bordo Serrilhado; Amoedação –1 500 000  exemplares de cada.
- Moeda BNC (Brilhante não Circulada) de prata:
Ag: 925; Dia – 36 mm.; Peso – 31,10 g.; Bordo Serrilhado; Amoedação –30 000  exemplares de cada.
- Moeda de Prata Proof (Prova numismática):
Ag: 925; Dia. – 36 mm.;  Peso – 31,10 g.; Bordo Serrilhado; Amoedação –15 000  exemplares de cada.
- Moeda de Ouro Proof (Prova Numismática):
Au. 916,6; Dia. – 36 mm.; Peso – 31,10 g.; Bordo Serrilhado; Amoedação –15 000  exemplares de cada.

As moedas de colecção em ouro, facilmente se esgotaram na INCM.
No ano de 2004 a Unione Filatélica e Numismática Vicentina, de Itália, atribuiu no ano de 2004 o “Prémio Internazionale Vicenza Numismática”, à moeda de colecção o “Futebol é Paixão”, como a mais bela do ano de 2003 em prata proof.

Historiando a origem do futebol

O jogo que deu origem ao futebol dos dias de hoje, com as devidas alterações que foi sofrendo ao longo dos tempos, teve as suas origens no oriente.
- Na China, surge na dinastia Xia, pelo ano de 2 197 a.C.; era costume pontapear os crânios dos inimigos derrotados. Mais tarde vieram a ser substituídos por bolas de couro, que eram chutadas por entre duas estacas cravadas no chão. Este desporto foi criado para treino militar. Chamava-se ”Tsu-Chu”;
- No Japão, aparece uma variação do tsu-chu. As mulheres não podiam participar. Foi difundido pelos imperadores Engi e Tenrei, sendo proibido o seu contacto físico. O campo de nome kakari era quadrado, tendo em cada lado uma árvore. Os jogadores eram em número de oito; era mais um ritual do que um jogo, antes de se iniciar realizava-se uma celebração para abençoar a bola, que simbolizava o sol;
- Na Grécia antiga, a referência a “Epyskiros”, vem num livro de Hómero, só relacionado com desportos de bolas. Este desporto era disputado com os pés, num campo quadrado, por duas equipas de nove jogadores cada, mas poderia aumentar até quinze em função de maiores dimensões do campo. A bola era feita de bexiga de boi e cheia de ar e areia, que deveria ser atirada para o fundo de cada lado do campo.
- No México, a civilização maia, entre os anos de 900 e 200 a.C., praticavam um jogo com os pés e as mãos, cujo objectivo era arremessar a bola num furo circular a seis metros de altura, no meio de seis placas quadradas de pedra. O capitão da equipa derrotada era sacrificado aos deuses.
- Em Roma por volta de 200 a. C., praticava-se o “Harpastum”, que era praticado num campo rectangular, dividido por uma linha e com duas linhas como meta. A bola feita de bexiga de boi, chamavam-lhe a follis. Era um exercício militar, o qual durava duas horas, sendo difundido noutras regiões da Europa, Ásia e Norte de África.
- Em França, e durante a idade média, foi criado o “Soule”, introduzido pelos romanos nos anos de 58 a. C., cujas regras variavam de região para região. O soule era praticado pela aristocracia sendo um desporto da realeza. O rei Henrique II, decretou a sua proibição por ser um desporto muito violento e barulhento, e quem não a cumprisse pagava com prisão a sua ousadia.
- Em Inglaterra no século XVI, e segundo descrição do escritor Philip Stubbes, o futebol era um desporto imensamente popular e a sua violência era enorme ao ponto de definir este jogo do seguinte modo:”Um jogo bárbaro, que só estimula a cólera, a inimizade, o ódio, a malícia, o rancor, etc…”; de tal modo era a sua violência, que não raras vezes, partiam-se pernas, roupas rasgadas, dentes partidos e arrancados e por vezes acidentes fatais, como o de um jogador ao pular de uma ponte para pegar a bola se afogou. Estas peripécias, levaram a muitos assassinatos entre as equipas rivais. A partir do ano de 1700, foi proibida esta forma violenta de futebol, vindo a ganhar a modalidade com a adesão cada vez maior de adeptos. Foram introduzidas novas regras, no ano de 1846, uma das quais, dirigia-se a jogar a bola somente com os pés, dando origem ao actual futebol, e a outra regra, dizia respeito ao jogo da bola com os pés e as mãos dando origem ao rugby.
O futebol foi introduzido no nosso país pelos irmãos Pinto Bastos, no ano de 1884, e o primeiro jogo de que há registo foi no ano de 1888, na vila de Cascais.
Dos sectores estatais que souberam intrepertar este evento, foram sem dúvida alguma a Federação Portuguesa de Futebol que em conjunto com o Banco de Portugal, através dos seus representantes governamentais, entenderam proceder à cunhagem de moedas alusiva ao evento.

Créditos: Documentação avulsa da INCM; Colecção particular de Luís Tudella; História do futebol (Origens).
Julho de 2013

FIM
Publicado no Jornal das Caldas de 24 de Julho 2013


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Numismática

Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro
  
2ª. Moeda
VIII – Centenário de Pedro Hispano
PAPA - João XXI
5 Euro

Ao longo da nossa história com mais de oito séculos, tivemos figuras notáveis que se distinguiram pelos mais diversos motivos; mas houve uma, que pelas suas qualidades inatas, se evidenciou superiormente na área da medicina e teologia, foi ele, Pedro Hispano. De entre os seus discípulos, destacam-se São Tomás de Aquino (* 1225 em Roccasecca – Frosinone, + 07-03-1274 em Fussanova – Itália. Canonizado em 18-07-1323 em Avinhão pelo Papa João XXII, foi frade dominicano e teólogo, sendo proclamado Santo e cognominado Doutor pela Igreja Católica) e São Boaventura (* 1217 ou 1221 em Bagnuregi – Itália, + 15-07-1274 em Lyon – França. Canonizado em 14-04-1482 em Roma pelo Papa Sisto IV, bispo, teólogo e reconhecido Doutor da Igreja: foi também Ministro da Ordem Franciscana, Arcebispo e Cardeal, caracterizando-se por uma pessoa muito simples e de bom trato, em especial para com os mais desprotegidos. Pedro Hispano, mais tarde, (João XXI), veio a exercer o poder papal, sendo o único papa português, desde da fundação de Portugal até aos dias de hoje.
Pequeno historial de Pedro Hispano.
Pedro Julião de nascimento, também conhecido por Pedro Hispano, nasceu em Lisboa, sendo desconhecida a sua data, mas provavelmente antes do ano de 1226, naquela que é hoje a freguesia de S. Julião, filho de Julião Rebelo, médico e de Teresa Gil.  
Iniciou os seus estudos na escola episcopal de Lisboa, vindo mais tarde a estudar na Universidade de Paris, tendo como seu mestre, o notável São Alberto Magno (*1193 ou 1206, na Baviera, e +15-11-1280 em Colónia na Alemanha; foi beatificado no ano de 1622 e canonizado no ano de 1931 pelo Papa Leão XI); onde aí estuda medicina e teologia, especializando-se em palestras de dialéctica, lógica e sobretudo a física e metafísica de Aristóteles. No ano de 1246 a 1252, ensinou medicina na Universidade de Siena, onde escreveu obras, entre as quais se destaca o “Tratado Summuloe Logicales”, tendo sido o manual de referência em toda a Europa, sobre lógica aristotélica, durante mais de 300 anos e sendo editado por 260 vezes e traduzido para o grego e o hebraico.
A prova da cultura científica encontra-se na obra “De oculo”, um tratado sobre oftalmologia, que foi seguido e ensinado durante décadas nas Universidades Europeias.
Quando o pintor Miguel Ângelo sofreu de graves problemas visuais, devido ao árduo trabalho empregue na decoração da Capela Sistina, encontra a cura numa receita de autoria de Pedro Julião.
No domínio da teologia é autor de “Comentários ao pseudo – Dionísio”.
- É nomeado Arcebispo de Braga pelo Papa Gregório X (1272-1274).
- É nomeado Cardeal - bispo de Frascati entre 1274-1276.
- Eleito o 188º. Papa, no conclave realizado em Viterbo, sucedendo ao Papa Adriano V a 13-09-1276, onde adopta o nome de João XXI. O seu pontificado foi muito curto (8 meses), marcado por um período muito perturbado por tensões políticas e religiosas, com alguns cardeais a sofrerem violências físicas.
-Leva por diante uma missão iniciada por Gregório X de reunir a Igreja Grega à Igreja Ocidental.
-Tenta a reconciliação de grandes nações europeias dentro do espírito da unidade cristã, enviando legados a Rodolfo de Habsburgo da Alemanha, e Carlos de Anjou a Castela.
- Papa de sensibilidade notável, tanto recebendo ricos como pobres, ouvindo-os e aconselhando-os brilhantemente sobre os temas expostos.
- Dante, poeta italiano de nomeada, na sua famosa “Divina Comédia”, coloca a alma de João XXI no Paraíso.
- O rei de Aragão Afonso X de Leão e Castela, cognominado de o “Sábio”, elogia-o em forma de canção no “Paraíso”, no canto XII.
- No ano de 1277, retira-se para a cidade de Viterbo, doente, onde veio a falecer a 20-05-1277, com 51 anos de idade.
A INCM, entendeu perpetuar a existência desta ilustre personagem, tão mal conhecida e estudada dos portugueses, com a cunhagem de uma soberba moeda em prata proof., ouro, e prata corrente, de valor facial de 5 Euro, pela passagem do seu VIII Centenário.
É a primeira vez que este vulto histórico é contemplado com a emissão de uma moeda, fazendo-se justa homenagem a um homem que tão bem soube aplicar a sua ciência e os seus pensamentos. A moeda de ouro é bastante procurada não só pelos numismatas, como também pelas entidades religiosas. O motivo, a sua mensagem e o seu ineditismo dão-nos a percepção de estarmos frente a uma moeda com forte impacto e de uma peça muito bem conseguida. A moeda encontra-se esgotada na INCM, pelo que o seu valor real presentemente aumentou mais de 50%.
As características desta moeda são as seguintes:
Anv: No campo apresenta a sequência de arcos ogivais, sobreposto pelo escudo nacional na parte inferior. O valor facial na orla inferior, e na orla superior, a legenda *República Portuguesa – 2005 *.
Rev: Ao centro apresenta a figura estilizada da ilustre personagem a três quartos com as vestes papais, segurando com a mão direita o báculo e com a esquerda os evangelhos, ladeando o báculo de um lado a era “2005”, e do outro o “brasão e a era 1205”. Estes elementos estão orlados pela legenda *João XXI: Papa – VIII Centenário de Pedro Hispano – Médico”.
 Autora Isabel Carriço.
Moeda corrente de prata:
Valor facial 5 Euro; 30 mm de diâmetro; 14 gr de peso; toque 500/1000; bordo, serrilhado (300.000 exemplares).
Moedas de Prata proof:
Valor facial 5 Euro; 30 mm de diâmetro; 14 gr de peso; toque 925/1000; bordo, serrilhado. (15.000 exemplares).
Moeda de Ouro Proof
Valor facial 5 Euro; 30 mm de diâmetro; 17,5 gr de peso; toque 916,6/1000; bordo, serrilhado (7.500 exemplares).

 Moeda de Ouro



Créditos: Documentação avulsa da INCM; Wikipédia – João XXI - Pedro Hispano; Colecção particular de Luís Tudella.

 Óbidos, julho de 2013

Publicado no Jornal das Caldas em 17-07-2013


     



sexta-feira, 12 de julho de 2013


Numismática

Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

1ª. Moeda
“150 Anos do Primeiro Selo Português”
5 Euro
No ano de 2003, a INCM. (Imprensa Nacional da Casa da Moeda) para celebrar os 150 anos da introdução do primeiro SELO postal português, fez a emissão de uma moeda comemorativa de valor facial de 5 €uro, em prata da autoria do escultor Victor Santos, com poder liberatório.
Trata-se de uma moeda de beleza ímpar, muito rica nos motivos inseridos, robusta, de traços vincados, de trabalho exímio e de perfeita gravação, que nos perspectiva um forte impacto pela mensagem nela inserida.

As características desta moeda são as seguintes
Anverso: No campo central mostra-nos a estilização de um selo onde está inserido o valor facial da moeda e descaído para o lado direito o escudo Nacional sobre a esfera armilar, cortando o canto inferior do selo, e na orla inferior para a direita a legenda “República Portuguesa”.
Reverso: No campo central mostra-nos a reprodução do primeiro selo de D. Maria II, ocupando três quartos do campo da moeda, voltada à esquerda e orlada pela legenda – 2003 - 150 Anos do Primeiro Selo Português.
Especificações técnicas das moedas:

Moeda normal:
Valor facial 5€; 30 mm de diâmetro; 14 g. de peso; toque 500/1000; bordo, serrilhado. Emissão 300.000 exemplares.
Moedas de Prata BNC (Brilhante não Circulada):
Valor facial 5€; 30mm de diâmetro; 14 g. de peso; toque 925/1000; bordo, serrilhado. Emissão.30 000 exemplares.
Moedas de Prata Proof (Prova numismática):
Valor facial 5€; 30mm de diâmetro; 14 g. de peso; toque 925/1000; bordo, serrilhado. Emissão.20 000 exemplares.
Moeda de Ouro Proof (Prova Numismática):
Valor facial 5 €; 30 mm de diâmetro; 17,5 gr. de  peso; toque 916,6/1000; bordo, serrilhado. Emissão 20 000 exemplares.
Esta moeda por ter sido a primeira a ser emitida em ouro, tem tido ao longo destes anos uma forte procura pelos interessados em numismática, e em filatelia.

É precisamente no fim do reinado de D. Maria II, que foi introduzido o primeiro selo postal em Portugal, no ano de 1853, assim como outras inovações, como o sistema métrico decimal, no ano de 1852, que em muito contribuiu para o desenvolvimento do comércio e indústria. Mas o reinado de D. Maria II, não foi fácil, antes pelo contrário, bastante impetuoso, com diversas clivagens sociais e políticas, que vieram a marcar substancialmente todo o resto do século XIX.

Breve historial desta soberana, do seu reinado e factos mais relevantes.

- D. Maria II, nasceu no Rio de Janeiro a 4 de Abril de 1819, sendo baptizada com o nome de Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Miguela Gabriela Rafaela Luísa Gonzaga de Bragança e Áustria, vindo a falecer em Lisboa a 15 de Novembro de 1853, de parto.
- Contava apenas 7 anos de idade quando o seu pai D. Pedro IV, abdicou do trono em seu favor, em Abril de 1826; deveria casar com o seu tio D. Miguel logo que tivesse idade, sendo de imediato nomeado regente, em Julho de 1826, após ter jurado fidelidade à rainha e à Carta Constitucional. D. Maria de menor idade foi viver para Inglaterra e depois França. Ao atingir os 15 anos de idade em 24 de Setembro de 1834, volta a Portugal para assumir o governo de Portugal.
- Casou em 1ªs núpcias no ano de 1835, com Augusto de Leuchtenberg, mas este faleceu logo no mês de Março do mesmo ano.
- Nesse ano de 1835, empreendeu diversas reformas, uma das quais, consistiu na venda de todos os bens de raiz nacionais, pertencentes à Igreja Patriarcal, às Casas das Rainhas e do Infantado, das Corporações religiosas já extintas e das Capelas reais.
- Casou em 2ªs.núpcias em 9 de Abril de 1836 com Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, do qual proveio larga geração, com onze filhos.
- Foi dos períodos da nossa história mais conturbados que se passaram neste reinado, ficando registados entre outros; a (guerra civil), luta entre liberais e absolutistas, e daí todas as rivalidades e perseguições que se seguiram na sociedade; a revolução de Setembro; a revolta dos Marechais; a Convenção de Chaves; a Revolta da Maria da Fonte; a Belenzada; a Patuleia, etc:.
- A carta Constitucional foi alterada com a votação de um acto adicional, que consistiu na abolição da pena de morte em Portugal:
- Algumas reformas, como melhoramentos de monta respeitantes à instrução pública foram entretanto aplicadas:
- Criação de Liceus e Escolas Primárias; Fundação das Escolas Médicas, de Lisboa e do Porto; Escola Politécnica de Lisboa; Academia Politécnica do Porto; Instituto Agrícola; Conservatório de Música
- Nas Obras Públicas, foi notória a sua acção, crescimento económico, centrado na construção de infra-estruturas de transportes e comunicações, na tentativa de aproximar as várias regiões do país, e do apoio ao desenvolvimento comercial e industrial.
- Foi cognominada de “ A Educadora”, pela acção e determinação que implementou com a instrução pública.
- Com a introdução do 1º. Selo Postal, a 01-07-1853, mal seria que o mesmo não contemplasse a figura da monarca, tendo para isso sido criados selos de 5, 25, 50 e 100 réis, da autoria de Francisco de Borja Freire, correspondendo a cada importância a cor respectivamente castanho avermelhado, azul, verde e lilás no seu valor crescente.
Aquando do Centenário da introdução do Selo (1953), foi emitida pelos CTT uma colecção de selos alusiva à efeméride, em papel esmalte, composta pelos valores de $50, 1$00, 1$40, 2$30, 3$50, 4$50, 5$00 e 20$00, correspondendo a cada importância respectivamente, o vermelho, castanho, preto violeta, azul índigo, ultramar, verde bronze, verde azeitona e lilás. Peças de uma elegância e beleza singular, vieram a receber os mais rasgados elogios da crítica, pela sua qualidade e cuidado empregue no tema, a figura de D. Maria II a três quartos, com um decote pronunciado e quiçá um pouco arrojado.

Créditos: Documentação avulsa da INCM; Almanaque da Afinsa  Portugal  Ano 2010 e colecção particular do autor.


Junho de 2013

FIM

Publicado no Jornal das Caldas em 10 de Julho de 2013