quarta-feira, 1 de setembro de 2010


Artigo 21
Centenário da Implantação da República
(1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010
Por: Luís Manuel Tudella


VINTE ESCUDOS
Gago Coutinho


Chapa 9



À última nota de vinte escudos, coube a chapa nove evocando a figura do cientista, historiador, matemático, geógrafo e navegador, Almirante Gago Coutinho.
A elaboração das estampagens esteve a cargo da firma inglesa Thomas De La Rue & Co. Ltd. Basingstoke, Hampshire, e as maquetas são da autoria do arquitecto João de Sousa Araújo. A frente da nota é feita em diversos tons de verde e contem a efígie de Gago Coutinho, a rosa-dos-ventos, o escudo nacional, dísticos e diversos ornamentos geométricos. Pode-se ver ainda na parte central um astrolábio e o sextante de navegação aérea inventado por Gago Coutinho. O verso também efectuado em tons esverdeados, mostra um conjunto simbolizando o inicio da navegação aérea astronómica e ainda a representação esquemática dos continentes sul-americano, africano e europeu com a indicação da rota, sobre o Atlântico, seguida pelo Almirante, no ano de 1922, na sua viagem de Lisboa ao Rio de Janeiro. O papel é fabricado por Portals Limited, Overton, Basingstoke, Hampshire; tem como marca de água, na metade esquerda da nota, o retrato de Gago Coutinho. Dimensões da nota 135 x 66 mm. Foram emitidas 109 527 000 notas, com as datas de 13 de Setembro de 1978 e 4 de Outubro do mesmo ano. Primeira emissão, 21 de Dezembro de 1978 e última, 17 de Novembro de 1982. Foram retiradas de circulação em 30 de Maio de 1986.
Biografia.
Carlos Viegas Gago Coutinho, mais conhecido pelo nome de Gago Coutinho nasceu em Lisboa em Fevereiro de 1869, filho de José Viegas Gago Coutinho, marítimo, natural de Faro, e de sua mulher Fortunata Maria Coutinho, natural de Faro. Em virtude das poucas posses monetárias do pai, não pode satisfazer as suas ambições, que consistia na frequência de um curso de Engenharia na Alemanha. Inicia a sua carreira como marinheiro. Após terminado o Liceu, ingressa na Escola Politécnica e, no ano de 1886 alista-se como aspirante na Marinha, terminando o curso na Escola Naval no ano de 1888. No ano de 1889 inicia o trabalho de cartografia, com missões em Timor, Moçambique, Angola, Índia e S. Tomé e Príncipe. No ano de 1890 e notando-se nele qualidades ímpares, tem uma rápida e brilhante ascensão na carreira, sendo promovido a guarda – marinha. No ano de 1891 é promovido ao posto de segundo – tenente. No ano de 1893 faz sua primeira grande viagem; embarca no navio Mindelo, cujo comandante era o almirante Augusto de Castilho, entre Luanda e o Rio de Janeiro. No ano de 1895 é promovido a primeiro – tenente. A segunda grande viagem é levada a cabo no navio Pero de Alenquer, de Lisboa a Lourenço Marques, seguindo a histórica rota de Vasco da Gama. Esta viagem deu-lhe grandes ensinamentos para o estudo sobre “Náutica dos Descobrimentos”. No ano de 1900 é nomeado o representante português para a delimitação da fronteira luso-britânica nos territórios do Niassa. No ano de 1901 como comissário de Portugal fez parte de uma comissão de delimitação da fronteira luso belga de Noqui ao Congo. No ano de 1904, na colónia de Moçambique delimitava as fronteiras ao norte e sul da província de Tete. Em 1906 chefia a missão geodésica à África Oriental, fazendo o levantamento geodésico com a África do Sul. No ano de 1907, é promovido a capitão-tenente. Entre 1913 e 1914, comandou a missão de delimitação das fronteiras de Angola com a Rodésia, surgindo como colaborador o segundo-tenente Artur Sacadura Cabral. No ano de 1915 obtêm o seu brevete, ou a “Carta de piloto do ar”, em França, num frágil “Maurice Farman”. O baptismo de voo realizou-se em Portugal, na Escola de Aviação Militar em Vila Nova da Rainha, acompanhado pelo piloto-aviador Sacadura Cabral, no ano de 1917. É promovido a capitão de mar e guerra no ano de 1918. É promovido por distinção ao posto de contra-almirante, no ano de 1922. Foi neste ano de 1922 que se realizou a primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul. Esta viagem seria dividida em quatro etapas. Acompanharam esta travessia os navios de guerra “República”, “Cinco de Outubro” e “Bengo”, que iriam prestar a assistência de voo. Acompanhou o Almirante Gago Coutinho o piloto aviador Sacadura Cabral. A primeira etapa da viagem correu sem problemas de maior, de Lisboa a até Las Palmas, durando 8 horas e 17 minutos. A segunda etapa levou-os da ilha de Gando, até S. Vicente no arquipélago de Cabo Verde, demorando 10 horas e 43 minutos. A terceira etapa da viagem, efectuou-se sobre o auspício da falta de combustível e do forte vento que se fazia sentir em sentido contrário, não auxiliando em nada a progressão mais rápida do avião. Após a elaboração de cálculos procedeu-se a uma descida forçada junto aos penedos com escassos litros de gasolina no tanque, sobre um mar cavado que arrancou um dos flutuadores, o que levou à inclinação do hidroavião, metendo água na proa. Durante o espaço de tempo que mediou entre a amaragem e o envio por parte do Governo de novo hidroavião os dois heróis permaneceram na ilha Fernando de Noronha. Entre a terceira e quarta etapa problemas estiveram sempre presentes, ao ponto de quando iriam iniciar a última etapa com o novo hidroavião, após a passagem pelos penedos em direcção ao Brasil, de súbito o motor parou obrigando a uma amaragem de emergência, mas desta feita com mar calmo. O tempo de espera por auxílio teve como consequência uma situação imprevista, na qual os flutuadores metiam água, afundando o hidroavião lentamente, sendo resgatados pelo navio britânico Paris-City. Voltaram à ilha Fernando de Noronha e novamente solicitaram ao Governo o envio de um outro, o qual foi atendido de imediato. A quarta e última etapa fez-se em pequenos lances até alcançarem a cidade do Rio de Janeiro, passando pelo Recife, Baía, Porto Seguro e Vitória. O hidroavião amarou na baía de Guanabara no Rio de Janeiro no dia 17 de Junho.
Foram percorridas 4 527 milhas náuticas e gastas 62 horas e 26 minutos, a uma velocidade média de 72,5 milhas por hora. Esta proeza foi realçada em toda a imprensa mundial, pois as condições em que foi efectuada, a qualidade do material empregue na construção dos hidroaviões, a pouca experiência dos heróis, só foi possível pelo crer, a dinâmica a persistência e grande força de vontade de vencer de Gago Coutinho e Sacadura Cabral.A sua competência como geógrafo granjeou-lhe a nomeação pelo Ministério da Guerra, no ano de 1928, a Presidência da Comissão, para a reorganização dos serviços geográficos, cadastrais e cartográficos, tanto em Portugal como nos Açores e restantes colónias, para estudar o estabelecimento de um aeroporto nos Açores, e a navegação aérea nas colónias. Neste mesmo ano, foi encarregado pelo Ministério das Colónias para proceder a estudos cartográficos em França, Itália e Brasil. Desempenhou funções de Presidente da Comissão da Cartografia; destaca-se a sua participação como associado do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. No ano de 1932 é promovido ao posto de vice – almirante. Em 1958 é promovido a Almirante. Com 75 anos de idade, fez a bordo da barca portuguesa Foz do Douro, uma travessia à vela entre Santos (Brasil) e Leixões, demorando cerca de 105 dias, utilizando o astrolábio, como os antigos mareantes portugueses. Segundo estudos, calcula-se que o Almirante Gago Coutinho tenha percorrido 30 837 milhas marítimas um recorde para o seu tempo. A sua prestação de serviço a bordo dos navios consistia exclusivamente a de “oficial encarregue da navegação”.
O seu muito saber de geógrafo e de navegador de larga experiência, permitiram-lhe dedicar-se aos estudos de navegação aérea ainda incipientes nessa época. O sextante português, utilizado na Travessia do Atlântico Sul, é um dos exemplos materiais do valor científico dos inovadores trabalhos e missões do Almirante.
Faleceu na cidade de Lisboa em 18 de Fevereiro de 1959.
F I M

Biografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. http://www.citi.pt/cultura/história/personalidades, e trechos avulsos.
Publicado no Jornal das Caldas em 01-09-2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010



Centenário da Implantação da República

(1910-2010)
O Papel-moeda


VINTE ESCUDOS

Chapa 8



Garcia de Orta eminente médico e naturalista português do século XVI, foi a personagem escolhida para figurar nesta chapa.
Os gravadores e estampadores ingleses Thomas De La Rue & Cº. Ltd., procederam ao fabrico das chapas e às referidas estampagens, cabendo ao arquitecto português João de Sousa Araújo a feitura das maquetas. A parte da frente da nota tem uma estampagem calcográfica a cores com base no verde, a efígie de Garcia de Orta, escudo nacional e os dísticos em letras estribadas. O fundo, em “offset”, apresenta uma composição de plantas entrelaçadas alusivas aos estudos de Garcia de Orta. O verso tem a estampagem calcográfica, a verde, de uma gravura que representa o mercado de Goa no século XVI, com várias figuras vestindo a indumentária da época, ornatos de guilhoché. O fundo em tudo é idêntico à parte da frente da nota, apresentando uma composição de plantas entrelaçadas. O papel foi fabricado pelos papeleiros ingleses Portals Limited, Overton, Basingstoke, Hampshire, apresentando em marca de água a cabeça de Garcia de Orta. O filete de segurança, incorporado no papel, é formado por um traço descontínuo. Dimensões da nota 135 x 66 mm. Foram emitidas 45 547 000 notas, com a data de 27 de Julho de 1971. A primeira emissão é datada de 27 de Julho de 1971 e a última de 20 de Dezembro de 1978.

Biografia:

Garcia de Orta, era um judeu português, que nasceu em Castelo de Vide, no ano de 1501; filho do mercador Fernando Isaac de Orta e de sua mulher Leonor Gomes, judeus espanhóis que foram expulsos do país pelos Reis Católicos no ano de1492 refugiando-se em Castelo de Vide. Estudou nas Universidades de Salamanca, e Alcalá de Henares, licenciando-se em Artes, Filosofia natural e Medicina, pelo ano de 1532. Nesse mesmo ano foi dado como apto para praticar medicina, regressando a Castelo de Vide. No ano de 1526 muda-se para Lisboa, tornando-se médico do Rei D. João III, tendo aí conhecido o matemático português que veio a ter projecção mundial Pedro Nunes. No ano de 1533 foi eleito pelo conselho da Universidade de Lisboa para professor da cadeira de Filosofia Natural. A 12 de Março de 1534, embarca para a Índia, como médico pessoal de Martim Afonso de Sousa, que foi para o Oriente como capitão - mor entre os anos de 1534 e 1538 e governador de 1542 a 1545. Após os quatro anos que acompanhou Martim de Sousa, estabeleceu-se em Goa como médico, onde adquiriu enorme prestígio e reputação. Foi em Goa e por esta altura que conheceu Luís de Camões com quem granjeou uma grande amizade. Devido aos altos serviços prestados, à amizade com o Vice-Rei, foi-lhe doado o foro de Bombaim. No ano de 1541 casa com Brianda de Solis, advindo daí larga geração. Radica-se de vez na Índia, onde exerce medicina, sendo considerado um médico muito bem conceituado em Goa, praticando-a no hospital e na prisão de Goa. Foi médico de personagens ilustres do meio social onde estava inserido, como o sultão de Ahmadnagar; a par desta actividade exerce o comércio e outras actividades lucrativas, “não tivesse costela judia”. No ano de 1563 edita em Goa o livro “Colóquio dos simples e drogas e coisas medicinais da Índia”. Este livro composto de 57 capítulos, estuda as drogas orientais, principalmente de origem vegetal, como o aloés, o benjoim, a cânfora, a canafístula, o ópio, o ruibarbo, os tamarindos e muitas outras mais; nestes capítulos Garcia de Orta, faz a descrição rigorosa das características botânicas (tamanho e forma da planta), as origens e propriedades terapêuticas, que apesar de algumas já conhecidas na Europa, o eram de uma maneira errada ou muito incompleta.

Foi um ilustre médico do século XVI, e autor pioneiro sobre a Botânica, Farmacologia, Medicina Tropical e Antropologia.

Faleceu em Goa no ano de 1568, sem nunca ter sido incomodado pela Inquisição, apesar desta, ter estabelecido um tribunal no ano de 1565. Após a sua morte, a Inquisição iniciou um feroz ataque à família. A sua irmã Catarina, foi condenado por judaísmo e queimada viva num Auto-de-Fé, em Goa no ano de 1569. No ano de 1580 os restos mortais de Garcia de Orta e da mulher foram exumados da Sé de Goa.

F I M
Biografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. Wikipedia e trechos avulsos.

Publicado no Jornal das Caldas em 18-08-2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Artigo 19
Centenário da Implantação da República (1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010





VINTE ESCUDOS





O famoso teólogo e pregador Santo António de Lisboa é a figura evocada nesta chapa. A estampagem das notas foi efectuada pela casa inglesa Bradbury, Wilkinson Co Ltd., New Malden, Surrey, segundo maquetas iniciais de autoria do arquitecto João de Sousa Araújo. As duas estampagens calcográficas de frente mostram; a verde musgo, o retrato de Stº. António, que teve como modelo um pormenor de um quadro de Frei Carlos, existente no Museu Nacional de Arte Antiga, dísticos e um ornato central que simboliza o célebre Sermão aos Peixes; e a castanho-escuro uma faixa de desenhos ondulados cruzados e um ornato com palmas. No verso tem uma estampagem calcográfica, a verde musgo, com a vinheta representando a Igreja de Santo António de Lisboa, envolvida em ornatos de palmas. O papel foi fabricado por Portals Limited, Laverstoke Mills, Whitchurch, Hants, apresenta em marca de água, visto à transparência pela frente, no lado esquerdo, o retrato de Santo António. Dimensões das notas 135 x 66 mm. Foram emitidas 229 100 000 notas com a data de 26 de Maio de 1964. Primeira emissão, 19 de Janeiro de 1965 e última emissão, em 31 de Outubro de 1977. Foram retiradas de circulação em 31 de Dezembro de 1982.
Biografia:
Santo António de Lisboa ou Santo António de Pádua, nasceu na cidade de Lisboa, pensa-se que no ano de 1195 e faleceu na cidade de Pádua (Itália) em Junho de 1231; de seu nome de baptismo Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo, filho de Martim de Bulhões e de Maria Teresa Taveira Azevedo; era também conhecido por Santo António de Pádua porque aí viveu e aí faleceu, sendo que na religião católica os santos eram conhecidos pelo nome da cidade onde faleceram.
Santo António fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (hoje Sé de Lisboa), ingressando na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora, como noviço no ano de 1211. Por este convento permaneceu cerca de três anos, tendo ingressado com a idade de 18 ou 19 anos no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde estudou Direito Canónico, Filosofia e Teologia. No ano de 1220 troca a Regra de Santo Agostinho pela Ordem de São Francisco, recolhendo-se nos Olivais em Coimbra e mudando também o nome para António. No ano de 1221 embarca para Marrocos em acção de evangelização, mas foi acometido de grave doença, sendo repatriado para Portugal. No regresso uma tempestade assolou a embarcação e esta arrastou o barco para as costas da Sicília. Aqui, em Itália os seus discursos notabilizam-no como um exímio teólogo e belíssimo pregador. No ano de 1222, dissertando para religiosos Franciscanos e Dominicanos de forma admirável, o Provincial da Ordem de imediato o destinou à evangelização. Neste mesmo ano conheceu Francisco de Assis, sendo nomeado pregador da Ordem. Em 1225 segue para França, estalando-se em Toulouse como pregador, desenvolvendo as suas aptidões de orador a tal ponto que lhe é confiada a guarda do Convento de Puy-en-Velay e a guarda da província de Limoges. Pouco depois instala-se em Marselha mas por pouco tempo, pois foi escolhido para Provincial da Romanha. No ano de 1226 morre Francisco de Assis e Santo António volta a Itália. No ano de 1228, assistiu à canonização de São Francisco. Na Basílica de São João de Latrão, em Roma, pregou diante do Papa Gregório IX. Nestes mesmo ano desloca-se a Ferrara, Bolonha e Florença, continuando com as suas pregações. No ano de 1229 divide-se entre Varese, Bréscia, Milão, Verona e Mântua pregando com tal intensidade e cativando cada vez mais crentes, que o absorvia de tal maneira que se dedicou exclusivamente a ela. No ano de 1231 conclui a redacção dos “Sermões Festivos”. Neste mesmo ano após contactos com o papa Gregório IX, regressou a Pádua, bastante doente, vindo a falecer a 13 de Junho de 1231 no Oratório de Arcela, com a idade de entre 36 a 40 anos de idade. Os seus restos mortais repousam na Basílica de Pádua, construída em sua memória. O papa Gregório IX, canoniza-o na catedral de Espoleto no ano de 1232. Foi proclamado doutor da Igreja pelo papa Pio XII, no ano de 1946. São suas atribuições – o livro, o pão, o Menino Jesus e lírio. É o padroeiro da cidade de Lisboa e da cidade de Pádua, dos pobres, das mulheres grávidas, dos casais, das pessoas que desejam encontrar objectos perdidos, dos oprimidos, etc… O dito popular quando se faz um pedido ao Santo, assenta na seguinte frase: “Valha-me Santo António”. Foram erigidas Igrejas com o seu nome em Pádua, Roma e Lisboa. O dia 13 de Junho, data do seu falecimento, é a data da festa litúrgica.

F I M
Bibliografia: “ O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. Wikipedia.e trechos avulsos.
Publicado no Jornal das Caldas em 21-07-2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010


Artigo 18
Centenário da Implantação da República (1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010

VINTE ESCUDOS




Chapa 6

Na sexta nota, onde foram atribuídas duas chapas, com os números 6 e 6A, foi relembrada a figura de D. António Luís de Meneses, Conde de Cantanhede e Marquês de Marialva. Figura ímpar na Guerra da Restauração, foi um dos conjurados de 1640.
A estampagem da nota foi elaborada pela firma inglesa Bradbury, Wilkinson & Co. Ltd., New Malden Surrey. A frente da nota apresenta duas estampagens calcográficas (talhe doce); uma a roxo que engloba o retrato de D. António Luís de Meneses e a legenda Banco de Portugal, outra, a verde, com trabalho guilhoché em linha branca, cabeça numismática simbolizando a República. O verso apresenta uma estampagem calcográfica, a verde escuro com trabalho de guilhoché em linha branca. O fundo multicolor irisado, tem um ornato central, onde se observa uma impressão técnica duplex, envolvendo o emblema do Banco. Foi a primeira nota portuguesa a utilizar um filete de segurança metalizado introduzido no próprio papel. Esta nota foi a que mais tempo circulou cerca de trinta e sete anos. O papel foi fabricado pela firma inglesa Portals Limited, Laverstoke Mills, Whitchurch, Hants, tendo como característica principal o já citado filete de segurança, disposto na vertical, e a marca de água quando vista de frente e à transparência, no lado esquerdo uma cabeça de homem, de perfil para o centro. Mais tarde e devido aos custos, o filete de segurança deixou de ser fabricado em material metálico e passou a ser fabricado num outro material. Dimensões da nota 135 x 76 mm. Foram emitidas 184 366 000 notas com a chapa 6, e datadas de 28 de Janeiro de 1941, 29 de Agosto de 1944, 13 de Agosto de 1946, 27 de Julho de 1948, 28 de Junho de 1949, 26 de Junho de 1951, 25 de Maio de 1954, 27 de Janeiro de 1959. Primeira emissão, 19 de Dezembro de 1941 e a última em 2 de Janeiro de 1961. As notas com a chapa 6A, tiveram a emissão de 21 618 000 notas, com a data de 26 de Julho de 1960. A primeira emissão, 26 de Janeiro de 1962 e a última a 11 de Janeiro de 1965. Foram retiradas de circulação em 30 de Junho de 1978, conjuntamente com as notas do mesmo valor Chapa 6.
Biografia:
Dom António Luís de Meneses, 1º. Marquês de Marialva e 3º. Conde de Cantanhede nasceu em 13 de Dezembro de 1596 e faleceu em Agôsto de 1675; foi um fidalgo de alta linhagem, General do exército, Conselheiro de Estado e de guerra, Vedor da fazenda Real, Ministro do despacho, Governador das Armas de Lisboa, Setúbal, Cascais e Estremadura, e Capitão General da província do Alentejo Foi considerado o general que mais se distinguiu na Guerra da Restauração (1640). Era filho do 2º. Conde de Cantanhede, de quem herdou o título, D. Pedro de Meneses e de sua mulher D. Constança de Gusmão, filha do 1º. Conde de Vila Franca, Rui Gonçalves da Câmara. Como podemos depreender era oriundo da mais alta fidalguia de então.
Casou em 1635 com D. Catarina Coutinho, filha e herdeira de D. Manuel Coutinho, senhor da Torre do Bispo. Deste casamento adveio farta geração, composta por dois filhos e sete filhas.
Após a Revolução do 1º.de Dezembro de 1640, diversas lutas se travaram, provocadas pelos exércitos castelhanos, que à viva força pretendiam passar as fronteiras; o conde de Cantanhede aí se distinguiu, tomando parte activa nas lutas, com grande arrojo e valentia. Foi nomeado coronel, quando se realizou a aclamação de D. João IV como rei de Portugal. No ano de 1641, quando o coronel Conde de Marialva, regressa a Cascais, o rei quis compensá-lo pelos nobres serviços prestados à Pátria, dando-lhe um lugar de maior relevo e confiança na Corte, o qual rejeitou de imediato, invocando que a sua carreira era iminentemente a das armas. Quando necessário o reforço e guarnição das fronteiras, recorria-se sempre ao valioso e prestigioso auxílio de D. António Luís de Meneses. No ano de 1656 faleceu o rei D. João IV, sem que o D. António tivesse tomado algum lugar de destaque na Corte, pelas razões atrás invocadas. No ano de 1658, o Governador da praça de Elvas, D. Sancho Manuel, vê-se cercado por uma força de 3 000 homens comandados pelo general castelhano D. Luís Mendes de Haro. A rainha D. Luísa de Gusmão, regente do reino por menoridade de D. Afonso VI, escreveu uma carta ao Conde solicitando os seus préstimos para auxiliar aquela sitiada praça de Elvas. D. Luís de Meneses, acudiu ao chamamento da rainha e de imediato reuniu todas as tropas possíveis deslocando-se de imediato para Estremoz, local do quartel-general. No início do ano de 1659, após uma marcha de dois dias aí estava o conde de Cantanhede com o seu pequeno mas aguerrido exército, colocando-se à frente das linhas de Elvas, o qual após uma grande e memorável batalha, no dia 14, saiu vitorioso. Foi a batalha que maiores glórias lhe granjeou. No ano de 1661 após a recepção de muitas mercês, foi também agraciado com o título de Marquês de Marialva. Neste ano de 1661, a cidade de Évora é tomada por D. João de Áustria, pelo que houve necessidade urgente de se proceder a reforços, recaindo mais uma vez na figura do Marquês de Marialva, que conjuntamente com as forças de Dom Sancho Manuel, governador de Évora, retomaram de imediato a cidade. Também neste ano tomou Valência de Alcântara, uma das principais praças fortes da Estremadura espanhola. No ano de 1665, estando em Estremoz, vem tomar Vila Viçosa que entretanto tinha sido sitiada pelos espanhóis; após esta vitória é surpreendido pelo general Carracena em Montes Claros, travando-se aí renhido combate, que foi mais uma vitória para o Marquês, e a última coroa dos seus triunfos militares. Perante a derrota dos espanhóis estes solicitam a paz, a qual é assinada pelo tratado datado de Fevereiro de 1668, sendo o Marquês um dos plenipotenciários. No ano de 1669 é nomeado procurador das Cortes de Lisboa. Era o Marquês de Marialva senhor das vilas de Merles, Mondim, Cerva, Atem, Ermelho, Bilho, Vilar de Perreiras, Avelãs do Caminho, Leomil, Penela, Póvoa e Valongo; senhor do morgado de Medelo e S. Silvestre; comendador da Ordem de Cristo.
Após a sua morte foi sepultado na vila de Cantanhede.
F I M
Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. Portugal Dicionário Histórico.
Óbidos, 4 de Fevereiro de 2010.
Publicado no Jornal das Caldas em 16-06-2010.

terça-feira, 8 de junho de 2010







Centenário da Implantação da República (1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010
Por: Luís Manuel Tudella

VINTE ESCUDOS


Chapa 5

A personalidade escolhida para figurar na chapa 5, foi a de Mouzinho de Albuquerque, oficial do exército português da arma de cavalaria, distinguindo-se superiormente nas campanhas de África.
A frente da nota e sobre o lado esquerdo, apresenta uma reprodução do medalhão do busto de Mouzinho de Albuquerque, e sobre o lado oposto a reprodução do portão do Museu de Artilharia, hoje (Museu Militar de Lisboa). No verso apresenta uma vista do Castelo de Guimarães.
As estampagens das notas estiveram a cargo da casa Bradbury, Wilkinson & Cº. Ltd., New Malden, Surrey. Os desenhos que surgem na frente da nota, a vermelho, foram estampados por processo calcográfico. O fundo impresso tipograficamente em cores esbatidas. No verso, a estampagem calcográfica foi executada directamente no papel. Os ornatos que ladeiam a gravura do Castelo têm trabalhado de torno geométrico. O papel foi fabricado pela casa inglesa Portals Limited, Laverstoke Mills, Whitchurch, Hants. Possui como marca de água vista à transparência e pela frente, sobre o lado esquerdo a cabeça de Mouzinho de Albuquerque, de perfil para fora, e na parte inferior, a legenda Banco de Portugal. Dimensões da nota de 156 x 83 mm. Foram emitidas 38 743 000 notas com as datas de 17 de Setembro de 1929, 7 de Março de 1933, 30 de Julho de 1935, 23 de Abril de 1937, 13 de Maio de 1938 e 27 de Fevereiro de 1940. A primeira emissão é datada de 11 de Setembro de 1931, e a última de 18 de Dezembro de 1941. Foi retirada de circulação em 12 de Junho de 1946.
Biografia:
Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, mais conhecido por Mouzinho de Albuquerque, nasceu na Quinta da Várzea, no concelho vila da Batalha em 11 de Novembro de 1855, e veio a falecer na cidade de Lisboa em 8 de Janeiro de 1902. Era filho de José Diogo Mascarenhas Mouzinho de Albuquerque e de Maria Emília Pereira da Silva Bourbon.
Após os estudos preparatórios ingressou no Regimento de Cavalaria nº. 4, como praça voluntária, frequentando na Escola Politécnica os cursos preparatórios para ingressar na Escola do Exército. No ano de 1878 termina o curso na Escola do Exército, sendo promovido a alferes. Em 1879, matricula-se na Faculdade de Matemática e Filosofia da Universidade de Coimbra. No mesmo ano casa com a sua prima D. Maria José Mascarenhas de Mendonça Gaivão. No ano de 1882 adoece, tendo abandonado os estudos no 4º. ano, regressando a Lisboa onde ficou inactivo durante 2 anos. É promovido ao posto de tenente e nomeado regente dos estudos do Colégio Militar no ano de 1884. Dois anos após, ou seja, em 1886 segue para a Índia onde ocupa o lugar na fiscalização do Caminho de Ferro de Mormugão. No ano de 1888, foi nomeado Secretário - Geral do Governo do Estado da Índia. É promovido ao posto de Capitão em 1890 e nomeado governador do distrito de Lourenço Marques, cargo que ocupou até 1892. No ano de 1894 faz uma comissão de serviço à colónia de Moçambique, comandando um esquadrão de Lanceiros, que iriam juntar-se às forças de expedição militar com o fim de debelar as rebeliões indígenas. Em 11 de Novembro de 1895,tropas comandadas por António Enes, onde se encontrava Mouzinho, tomaram e incendiaram Manjacaze, a residência principal de Gungunhana, levando-o à fuga. Em 10 de Dezembro do mesmo ano é nomeado governador do distrito de Gaza. Em 28 de Dezembro de 1895, após uma marcha de três extenuantes dias em direcção a Chaimite, as tropas conduzidas por Mouzinho, cercaram a povoação e prenderam o chefe vátua e parte da sua família, forçando-o a entregar diversos bens em ouro, diamantes, marfim, armas, munições e todo o gado. Segundo relatórios de outros militares em particular de Soares de Andrea, informam que a decisão de não oferecer resistência por parte do sitiado era do conhecimento de Mouzinho, o que de facto se verificou. No dia de 6 de Janeiro de 1896, Gungunhana e restantes prisioneiros, foram entregues ao Governador-Geral da colónia para serem enviados para Lisboa. Foi considerado um êxito militar, que cobriu de glória a pessoa de Mouzinho, com ampla difusão na imprensa internacional. Em função desta façanha é nomeado Governador-Geral de Moçambique em Março de 1896 e em Novembro do mesmo ano foi nomeado Comissário Régio. Comandou no ano de 1897, as campanhas de ocupação colonial de Naguema em 3 de Março, Mocutumudo em 6 de Março e Macontene em 21 de Julho, regressando a Portugal no fim do ano. Durante dois anos e após recepções calorosas de que foi alvo, viajou pela Europa, (França, Inglaterra e Alemanha), onde foi orador convidado em diversas sociedades em palestras com cobertura da imprensa. No ano de 1898 foi nomeado ajudante de campo do Rei D. Carlos I, oficial -mor da Casa Real e aio do príncipe D. Luís Filipe.
A sua posição extremamente critica face à política e aos políticos da sua época, e em especial aos rumores sobre o seu comportamento quiçá desumano durante as campanhas de África, levaram à sua progressiva ostracização, envolvido num crescente clima de intriga; sentindo-se, talvez incapaz devido à sua formação civil e militar extremamente rígida, ao seu feitio orgulhoso, de resistir às intrigas acerca do seu comportamento em África, à decadência agoniante da monarquia, Mouzinho de Albuquerque, soube preparar minuciosamente a sua morte, suicidando-se no interior de um coupé, na cidade de Lisboa no ano de 1902, com o posto de Major.
Devido aos valorosos feitos em África, foi feito patrono da Arma de Cavalaria do Exército Português, sendo apontado com um exemplo para os militares que servem aquela arma.

F I M
Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. Trechos avulsos wikipedia.
Óbidos, 3 de Fevereiro de 2010.

Junto anexa-se um conjunto de estrofes que são propriedade de Carlos de Azevedo Fraxêdas, e editores Azevedo, Rodrigues & Silva, editados no ano de 1902, sobre o tema SAUDADE ao Valente Herói Português – Tenente - Coronel Joaquim Mouzinho de Albuquerque.


I
Está o País de luto
Pela morte d´um valoroso,
Suicidou-se major Mouzinho
Que p´ra Pátria foi prestimoso.
II
Foi na estrada de Benfica
Que ele ali se suicidou,
Pegando no seu revolver
Um só tiro disparou.
III
No Paço na refeição
Esteve bem despreocupado,
Saiu depois a seu passeio
Sem nada se ter notado.
IV
O cocheiro, belo moço
Que o coupé ele guiava,
Ao ouvir o estampido
Em altos gritos bradava.
V
Socorro, venham depressa
Ver o caso sucedido,
Mouzinho de Albuquerque
Neste coupé estendido.
VI
Ao circular o boato
D´esta tragédia final,
Correram, logo os seus amigos
Em direcção ao hospital.
VII
Foi um cena comovente,
Que a todos entristeceu
Oh, saber-se em Lisboa
Que Mouzinho que morreu !!!
VIII
Almoçou bem satisfeito
Esta infeliz criatura,
Era a última refeição
Da sua morte prematura.
IX
Quantas vezes nos julgamos,
Na felicidade suprema,
Todavia ninguém diga,
O terminus do seu lema.
X
Oh Pátria que estás de luto
E a bandeira portuguesa,
Perdeste um filho querido
Em coragem e braveza.
XI
Foi um herói a valer
Militar bem prestimoso,
Amou bem a sua Pátria
Mas terminou desditoso.
XII
Estudante de valia
Na Politécnica cursou,
Provou assim nos seus feitos
Que a sua Pátria, bem amou.
XIII
De todos era estimado
Pois ninguém lhe queria mal,
Era amante do seu povo
E, da família Real.
XIV
O seu nome é bem lembrado
Numa plaga singela,
Lembrem-se os meus leitores
Dos feitos de Coolella.
XV
Mui valor e fidalguia
Superior ao grande Sá,
Como homem contemporâneo
Outro igual, nunca haverá.
XVI
Era um esposo modelo
Na sua acção carinhosa,
Se pranteia agora em lágrimas
Sua esposa estremosa.
XVII
Data triste e bem lúgubre
Oito de Janeiro, fatal dia !...
Oremos com bem fervor
Por quem a Pátria estremecia.
XVIII
Quem diria há pouco tempo,
Quando ele viajava,
Sempre alegre e jovial
Que Mouzinho se matava?
XIX
Mouzinho… Mouzinho… Herói
Qual seria a tua alucinação,
Eras feliz, bem amado
E a glória da Nação.
XX
Pertencia à nobre gente
Da cidade de Leiria,
Era um fidalgo distinto
De nobre oleorgarquia.
XXI
O seu quépi, sempre altivo
Qual estrela refulgente,
Dava-lhe ao rosto descoberto
Os sintomas de valente.
XXII
Em viagem pelo Norte,
Do povo foi respeitado
Morreu o querido Mouzinho
Do povo aclamado.
XXIII
A invicta cá do Porto,
Leal em camaradagem,
Está coberto de luto
Também lhe presta homenagem.
XXIV
Nação valente e audaz
Morreu guerreiro poderoso,
Chora a Pátria em voz uníssona
A morte d´um valoroso.
XXV
Choraremos, sua perda
Que nos fez muitas benesses,
Honrou bem a nossa Pátria
Sem pensar, nunca em interesses.
XXVI
Bravo e intimorato,
Tentou contra um potentado
E assim com poucos homens,
Foi o régulo aprisionado.
XXVII
Foram 53 militares
Com esse bravo guerreiro,
Que assim foram a Chaimite
Traze-lo prisioneiro.
XXVIII
Na partida para Chaimite
Que foi numa madrugada,
Partiu o herói Mouzinho
Sem receio de cilada.
XXIX
A sua esposa tão amada
O dolman, lhe descoseu,
E sem o herói isso saber
Escapularios lhe meteu.
XXX
Em pouco tempo regressa
Com vitória e não vencido
Oh! que júbilo tão imenso
Incólume desse perigo.
XXXI
Gungunhana e companheiros
Que inteligência já atem,
Pranteiam a morte do herói
Que os tratará sempre bem.
XXXII
Porque seria o suicídio
Se ninguém lhe queria mal?
Isso nós desconhecemos
Porque não há prova cabal.
XXXIII
A esposa sempre amante
Ao marido aconselhava,
Que servisse bem a Pátria
E à conquista o incitava.
XXXIV
Essa santa e boa esposa
Que do caso não sabia,
Ao saber da triste nova
Com um síncope caía.
XXXV
Não lhe disseram a verdade
Por lhe dar o acidente,
Julgando ela ter sido
Um ataque de repente.
XXXVI
A nossa Família Real
Que no País é estimada,
Chora a perda do extinto,
Que para nós é bem lembrada.
XXXVII
Querida Pátria Portuguesa!!!
Que ao vê-la ninguém se acerque
Morreu teu filho querido
Foi Mouzinho de Albuquerque.
XXXVIII
A sociedade de geografia
Vai-lhe erigir um monumento,
Todos aprovam a ideia
Pois de todos é contento.
XXXIX
Oh Porto leal cidade !!!
Que também foste camarada
Ofertaste a Mouzinho
Um cavalo e uma espada.
XL
Ah D. Maria de Albuquerque
A quem o povo tem afeição,
Já o parlamento aprovou
Para ela uma pensão.
XLI
Foi um enterro imponente
O desse bravo tão amado
Todos os olhos choravam
Desde o general ao soldado.
XLII
Lá descansa sempre em paz
No cemitério dos Prazeres:
Esse bravo militar
Que deixou poucos haveres.
XLIII
Este audaz e grande herói,
Que para nós é bem lembrado,
Como prémio aos seus serviços
Do seu povo, foi amado.
XLIV
Terminemos estes versos,
Erguemos as mãos aos Céus
Olvidemos as saudades
E para o finado, prece a Deus.


F I M















quarta-feira, 31 de março de 2010

Artigo 16
Centenário da Implantação da República
(1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010


VINTE ESCUDOS

Marquês de Pombal

A chapa quatro da nota de vinte escudos recai naquela que foi uma das figuras mais controversas e carismáticas da nossa história, o “Marquês de Pombal”.
A nota na parte da frente apresenta a reprodução do medalhão do busto do Marquês de Pombal, existente na estátua equestre de D. José I, e uma vista do Terreiro do Paço; esta estampagem é feita a talhe doce, a vermelho, apresentando os motivos principais do desenho, com aplicação de trabalho geométrico; o fundo de composição simples a duas cores, amarelo e vermelho. No verso, sobre fundo de técnica tipográfica com desenho uniforme, a amarelo, ressalta uma estampagem calcográfica a vermelho com aplicações de guilhoché em linha branca. O papel foi fabricado por a Société Anonyme des Papeteries du Marais et de Saint-Marie de França, quando visto à transparência pela frente, mostra a legenda Banco de Portugal, em letras luminosas, repetida em linhas longitudinais paralelas, ocupando todo o espaço da nota.
Dimensões da nota 156 x 92 mm. Foram emitidas 9 000 000 de notas com a data de 13 de Janeiro de 1925. A primeira emissão é datada de 13 de Outubro de 1927 e a última datada de 27 de Março de 1931. Foi retirada de circulação em 27 de Julho de 1934.
Biografia:
O Marquês de Pombal, de seu nome Sebastião José de Carvalho e Melo, nasceu em Lisboa em 13 de Maio de 1699 e faleceu em Pombal no dia 8 de Maio de 1782, filho de Manuel de Carvalho e Ataíde, fidalgo provinciano, proprietário na região de Leiria e de sua mulher Teresa Luísa Mendonça e Melo. Era o filho mais velho de uma prole de doze irmãos. Na sua juventude estudou Direito na Universidade de Coimbra; mais tarde veio a servir no exército por curto espaço de tempo. Foi um nobre com os títulos nobiliários de, primeiro Conde de Oeiras e depois de Marquês de Pombal, estadista, secretário de Estado do reino, (Primeiro Ministro) no reinado de D. José I entre os anos de 1750 e 1777. Foi o representante do despotismo em Portugal, no século XVIII, vivendo um período marcado pelo iluminismo, desempenhando um papel fundamental na aproximação de Portugal à realidade económica e social que se vivia nos países do norte europeu.Sebastião de Carvalho e Melo casa no ano de 1723, com D. Teresa de Noronha e Boubon Mendonça e Almada, em circunstâncias dúbias, raptando a noiva, uma vez que não era aceite no seio desta família poderosa que o considerava “um mau partido”; integrando-se assim no grupo representante da alta fidalguia. Deste matrimónio não adveio descendência. No ano de 1738, foi nomeado embaixador em Londres. É transferido para Viena de Áustria no ano de 1745. Neste ano e após a morte da primeira mulher contraí matrimónio com a Condessa Maria Leonor Ernestina Daun, advindo uma geração de cinco filhos. No ano de 1749, após a morte de D. João V, o seu herdeiro, D. José I, após uma recomendação de sua mãe nomeia-o ministro dos Negócios Estrangeiros, confiando-lhe gradualmente o controle do Estado. Funda no ano de 1751 o Banco Real, estabelecendo uma nova estrutura para administrar a cobrança de impostos. No ano de 1753 funda a Companhia do Comércio da Ásia Portuguesa. Pelo ano de 1755 já era primeiro-ministro incutindo um governo autoritário, impondo as leis a todas as classes. É neste ano que se cria a primeira região demarcada para a produção do vinho do Porto, assegurando assim a qualidade dos vinhos. Pôs em prática um sem número de reformas com o fim de modernizar o país. No ano de 1755, no primeiro dia de Novembro um enorme terramoto, destrói grande parte da cidade de Lisboa provocando milhares de mortes e arrasando edifícios; este terramoto foi sentido em todo o país. Não sofrendo qualquer dano pessoal, Sebastião de Melo, de imediato se fez acompanhar de arquitectos e engenheiros procedendo de imediato à reconstrução da cidade. A baixa lisboeta foi a que mais sofreu, por conseguinte, a que foi alvo de mais alterações, dando origem àquela que é hoje a “Baixa Pombalina”, com o seu ex-libris, a “Praça do Comércio”. Foi a figura central do governo português durante cerca de trinta anos. Em 1755 foi criada a Companhia Geral do Comércio do Grão - Pará e Maranhão. No ano de 1756, funda a Companhia para a Agricultura do Alto Douro, à qual concede isenções no comércio e nas exportações. No ano de 1758, o rei D. José I, é ferido num atentado, sendo acusados dessa tentativa de regicídio, aqueles que mais ódio lhe transmitiam, a família Távora e o conde de Aveiro, sendo de imediato implicados no atentado e executados, após um rápido e duvidoso julgamento. Todos os bens foram confiscados a favor da coroa. Em 1759 cria a Companhia Geral de Comércio de Pernambuco e Paraíba, no nordeste do Brasil. Nesse mesmo ano inicia a reforma na educação, a qual era privilégio da Companhia de Jesus, expulsando os jesuítas, mandando publicar um alvará que seria a solução para a situação em que se encontrava a educação em Portugal. Ainda nesse ano, D. José I, atribui o título de Conde de Oeiras, a Sebastião de Carvalho e Melo pela sua acção, no desmantelamento dos seus rivais. Nesse mesmo ano, e por iniciativa de Sebastião de Melo, D. José I, mandou expulsar os jesuítas tanto da metrópole, como das colónias procedendo de imediato à confiscação dos bens. Diminui o poder da igreja subordinando o Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) ao Estado. No ano de 1763, transfere o governo geral da colónia brasileira da cidade de S. Salvador para a cidade do Rio de Janeiro, devido ao deslocamento do desenvolvimento e crescimento económico para a região centro sul. Institui no ano de 1765 a “derrama”, que consistia na obrigatoriedade dos mineradores pagarem os impostos atrasados. Foi - lhe atribuído o titulo de Marquês de Pombal, no ano de 1770, tendo governado o país a seu bel prazer até à morte do rei D. José I (1777). Pelo ano de 1773 funda a Companhia Geral das Reais Pescarias do Reino do Algarve. Promulga em Maio de 1773 uma lei que extinguia as diferenças entre cristãos-velhos de cristãos-novos, tornando inválidos todos os anteriores decretos e leis que discriminavam os cristãos-novos. No ano de 1774, funda a vila de Vila Real de Stº. António, na foz do rio Guadiana. Aboliu a escravatura nas Índias portuguesas. Reorganizou e modernizou tanto a marinha como o exército. Introduziu a censura de livros e publicações de carácter político, instituindo a Real Mesa Censória. A censura destaca-se na governação do Marquês de Pombal na destruição e proibição de livros de autores de nomeada como, Voltaire, La Fontaine, Diderot, Rousseau, etc., que eram considerados corruptores da Religião e da Moral. Mas é sem dúvida no campo da economia e das finanças que se procedem às grandes reformas, com a criação de grandes companhias. Em Outubro de 1774 publica um decreto que fazia os veredictos do Santo Ofício dependerem da sanção real; perante esta situação deixaram de se organizar e praticar Autos-de-fé.
Quando a rainha D. Maria I subiu ao trono em 24 de Março de 1777, um dos primeiros actos, consistiu em retirar todos os cargos ao Marquês de Pombal, e deportando-o para uma distância superior a 20 milhas de distância. Com esta atitude a rainha mostrou a sua impiedade para com o Marquês de Pombal, nunca lhe perdoando o processo da família Távora.
Faleceu na vila de Pombal, na sua propriedade na Quinta da Gamela, propriedade herdada de um tio.

F I M
Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. Trechos avulsos wikipedia.
Óbidos, 2 de Fevereiro de 2010.

Publicado no Jornal das Caldas em 31-03-2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Artigo 15
Centenário da Implantação da República (1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010




VINTE ESCUDOS
José Estevão




Na terceira nota de vinte escudos é distinguida a figura de José Estevão, distinto orador, jornalista e acérrimo defensor da causa liberal.
A frente da nota tem dois fundos impressos; um em íris, outro em azul e vermelho compostos de linhas ondulantes e “moiré”, apresentam a meio da nota um grande ornato em círculo de guilhoché em linha branca e naquelas duas cores, onde se lê o valor da nota por extenso sobreposto ao valor expresso em algarismos; sobre o lado direito uma figura feminina, sentada, alegoria da Geografia e do lado oposto o medalhão com a gravura de José Estevão; este trabalho foi executado pelo professor de Belas-Artes José de Lacerda. O verso tem um fundo impresso tipograficamente em tom claro, irisado de amarelo e verde, com composição na parte superior por um motivo geométrico. Este fundo serve de base ao desenho principal, estampado a talhe doce. O conjunto engloba um trabalho de torno geométrico, estando colocadas em cada um dos lados duas cabeças de Minerva, a meio, de perfil para o centro.
O papel foi fabricado por Société Anonyme des Papeteries du Marais et de Sainte-Marie (França), tendo como particularidade visto à transparência pela frente, no ângulo superior direito uma cabeça feminina com capacete e na parte inferior esquerda a legenda Banco de Portugal.
Dimensões da nota 177 x 116 mm. Foram emitidas 9 730 000 de notas, com as datas de 9 de Agôsto de 1920, 9 de Fevereiro de 1921, 6 de Fevereiro de 1924, 18 de Novembro de 1925, 13 de Abril de 1926 e 3 de Fevereiro de 1927. A primeira emissão, 2 de Novembro de 1921, e a última a 2 de Outubro de 1929. Retirada de circulação em 7 de Abril de 1931.
Biografia:
José Estêvão Coelho de Magalhães, vulgo José Estêvão, nasceu em 26 de Dezembro de 1809 em Aveiro e faleceu em 4 de Novembro de 1862 em Lisboa, com um acidente vascular cerebral. Durante estes 53 anos de vida proferiu cerca de 1500 intervenções parlamentares. No ano de 1810, após a ocupação de Aveiro pelos exércitos napoleónicos o pai foi obrigado a abandonar a cidade, entregando a família aos cuidados da avó materna, até ao ano de 1821, data a partir da qual passou a residir com o pai. Fez os seus estudos preparatórios em Aveiro, tendo sido incentivado por seu pai a abandonar a ideia de ingressar numa carreira eclesiástica.
No ano de 1825, matricula-se no 1º. Ano de Direito na Universidade de Coimbra. Nesta cidade, e devido à instabilidade social e política que se vivia então, envolveu-se nos clubes políticos que formavam o meio académico, destacando-se pela sua eloquência na sua oratória em prol do movimento liberal.
No ano de 1826, integrou o Batalhão Académico, que os estudantes de Coimbra formaram para defenderem o regime liberal.
Decorria o ano de 1826, quando José Estêvão volta a alistar-se no novo Batalhão Académico, agora com o posto de 1º. Cabo, na sequência da Belfastada, onde os liberais se insurgiram contra o governo de D. Miguel. Malograda a intentona, os principais líderes retiraram-se para Londres, entre os quais José Estêvão; o restante do exército liberal composto por 12 000 homens foi obrigado a procurar refúgio na Galiza.
No ano de 1829, segue para a Terceira, onde colaborou com a edição da Crónica da Terceira, sendo o 1º. Periódico que se publicou no arquipélago dos Açores. Em Ponta Delgada foi incorporado no exército de D. Pedro IV, onde embarcou para Portugal, indo desembarcar no Mindelo, no ano de 1832. Notabiliza-se no Cerco do Porto, ficando os académicos encarregados da defesa da Serra do Pilar, a qual foi defendida com muita destreza, apesar de fortemente danificadas as suas fortificações pela artilharia inimiga; os trabalhos de recuperação foram dirigidos debaixo de um acérrimo fogo, conseguindo colmatar as brechas entretanto abertas pelo inimigo; por esta acção foi condecorado com a Ordem da Torre Espada. No ano de 1833, e por diversas ocasiões deu provas de bravura, sendo promovido por distinção a segundo - tenente de artilharia. Terminada a guerra no ano seguinte foi promovido a primeiro - tenente.
No ano de 1836 concluiu com brilho o curso de Direito, deixando para trás a carreira militar, indo exercer advocacia para a cidade do Porto. Foi eleito deputado às Cortes pelo círculo de Aveiro. É por essa altura dado a conhecer no seu juramento as inatas capacidades de orador pela sua eloquência, espantando a Câmara dos Deputados; segundo Bulhão Pato, com, inflexões meigas, terríveis, patéticas, suavíssimas, apaixonadas, arrebatadoras, sendo de imediato notada a sua dramaticidade. No ano de 1837, é pela primeira vez pai de um rapaz a que foi dado nome de Mateus, fruto de “amores de estudante”. No ano de 1838, não se contentando com o que se passava no parlamento, fundou com Manuel de Vasconcelos, o jornal “O Tempo”, onde expressava e propagandeava todas as suas ideias radicais e contrárias às de Rodrigo da Fonseca Magalhães, Costa Cabral e Passos Manuel. É consecutivamente eleito pelo círculo de Aveiro nos anos de 1839 e 1840. No ano de 1842, não consegue ser eleito pelo círculo de Aveiro devido ao facto de endurecer posições contra o instalado cabralismo, vindo contudo a ser eleito por Lisboa/Estremadura. No ano de 1844 adere a mais uma tentativa revolucionária, desta feita liderada por António César de Vasconcelos, a qual obteve apoio do Regimento de Cavalaria nº.4; a José Estêvão foi-lhe dada a tarefa de sublevar as províncias do norte, servindo-se de território espanhol, para progressão no terreno, entrando em Portugal, na zona da Torre de Moncorvo, tentando ao longo do Douro obter adesões, as quais não foram suficientes para uma sublevação geral. Entretanto, foi posta a circular uma portaria que oferecia um prémio de 2.000$000 réis, a quem apresentasse a cabeça de José Estêvão, tal era o incómodo e insegurança que o governo de Costa Cabral vivia. Após este malogro, José Estêvão exila-se em Paris, permanecendo até ao ano de 1846. Quando a revolução da Maria da Fonte provoca a queda dos irmãos Cabral, regressa a Portugal, sendo um dos mentores do reagrupamento dos radicais. Quando em Outubro rebenta a guerra civil da Patuleia, foi integrado no exército patuleia do Alentejo, onde fez toda a guerra, participando na ocupação de Setúbal. No ano de 1851 é novamente eleito por Aveiro ingressando no parlamento, notando-se no seu discurso uma alteração tanto no tom como no seu conteúdo, abandonando a oposição e apoiando as iniciativas governamentais que considerava adequadas. No ano de 1852 é eleito ao parlamento por Lisboa, sendo nos anos seguintes ministerial. No ano de 1856 volta a ser eleito pelo círculo de Aveiro, debruçando-se sobre os assuntos de interesse da sua região. No ano de 1858 casa com D. Rita de Moura Miranda. É pai pela segunda vez no ano de 1859, daquele que seria um homem notável, conhecido por Luís de Magalhães, deputado e ministro Nos anos de 1858-1859 é novamente reeleito por Aveiro, e no ano de 1860 é eleito por Vagos. É neste período que se destaca em prol da zona de Aveiro, com destaque para a construção do novo liceu, a passagem da linha férrea, que ligaria Lisboa ao Porto, a dragagem da barra, obras de melhoramento portuárias e iluminação da costa. É pai pela terceira vez de uma menina a quem deram o nome de Joana. No ano de 1861 é novamente eleito, declarando-se independente de todos os partidos ou coligações. Colabora desde o primeiro número no Jornal “A Liberdade”. Na cidade de Aveiro funda com um grupo de amigos o periódico “Distrito de Aveiro”. No ano de 1862 é eleito Grão-Mestre da Confederação Maçónica Portuguesa, onde colabora activamente.
O seu funeral foi bastante concorrido com milhares de pessoas a acompanharem o féretro até ao cemitério dos Prazeres; as duas câmaras das Cortes fizeram-se representar, assim como as Sociedades das Ciências Médicas de Lisboa e a Sociedade de Geografia de Lisboa e todas as associações e clubes, colégios institutos, etc, onde discursaram as mais diversas personalidades da sociedade, lembrando a memória daquele que foi um ilustre militar, escritor, jornalista, político e em especial um excelente orador e comunicador.

F I M

Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. Trechos avulsos wikipedia.
Óbidos, 28 de Janeiro de 2010.

Publicado no Jornal das Caldas em 24-02-2010.