terça-feira, 30 de junho de 2009

Artigo 03 - Centenário da Implantação da República - (1910-2010) - Numária - O Papel-moeda

Um Escudo


Tal como o determinado com a emissão da nota de 50 Centavos, também esta nota de 1 Escudo surgiu como que reforço de uma outra de 1000 reis de prata, que tinha sido emitida uns meses atràs, para minorar a falta de moeda metálica que se fez sentir durante a 1ª. Guerra Mundial.
Conforme determinado pela Administração do Banco de Portugal, datado de 10-05-1918, fez saber que para auxiliar a circulação das suas notas e satisfazer as necessidades prementes do comércio, resolveu emitir esta nova de 1 Escudo para circular conjuntamente com as notas de 1000 reis em circulação.
Características:
Na frente apresenta-nos uma figura que simboliza a Literatura, sobre um fundo policromo em íris, composto por linhas ondulantes cruzadas, um ornato central com cores sobrepostas, e um ponteado irisado, estampados com técnica calcográfica.
O verso também com uma estampagem calcográfica, a sépia, que engloba uma figura que simboliza a Poesia, o fundo em íris de castanho claro esbatendo em cor violeta, possui também um espaço ocupado pela marca de água com um ponteado com as mesmas cores.
Depreendemos de que estamos perante um trabalho efectuado por extraordinários gravadores, de elevada técnica e belíssimos designs, patenteando um minucioso e esmerado trabalho.
A estampagem foi efectuada pela firma Bradbury, Wilkinson & Co Ltd. de Londres. O papel fabricado pela Société Anonyme des Papeteries du Marais et de Sainte-Marie. A dimensão da nota é de 125x82 mm. A emissão foi de 32.480.000 notas datadas de 07-09-1917, 29-11-1918 e 25-06-1920. A primeira emissão, é de 26 de Abril de 1918, e a última de 24 de Janeiro de 1929. Foi retirada de circulação, em 30 de Janeiro de 1929, conjuntamente com as notas de 1000 reis.
A título de curiosidade esta nota de 1$00 (1 Escudo), seria equivalente à moeda de hoje, a ½ cêntimo de euro.
Obra consultada – “O Papel-Moeda em Portugal”, autor e editor Banco de Portugal.
Óbidos – 14 de Maio de 2009.

















terça-feira, 2 de junho de 2009

Artigo 02 - Centenário da Implantação da República (1910-2010) - Numária - O papel-moeda

Por: Luís Manuel Tudella

Cinquenta centavos

O Banco de Portugal, determinou que para fazer face à circulação das suas notas, e satisfazer as necessidades comerciais, emitir notas de 50 Centavos, Prata, para circularem em conjunto com as de 500 Reis, Prata. Esta emissão vem colmatar a falta de moeda metálica, que durante a 1ª. Guerra Mundial, se fez sentir, pois este conflito foi um absorvente de todo o género de metais para a fabricação de material de guerra.
Na face A, apresenta-nos uma figura simbolizando a Navegação. O fundo é constituído
por linhas ondulantes paralelas de 2 cores, um ponteado na zona da marca de água, também bicolor, e um ornato central policromo.
No verso apresenta-nos uma figura simbólica da Justiça, e um grande ornato de guilhoché em linha branca estampados a preto. O fundo do verso, impresso tipograficamente em íris laranja e verde, tem o espaço ocupado pela marca de água.
Como podemos depreender, apesar de se tratar de uma nota de pequeno valor, está patenteado um esmerado estudo e apuro técnico.
Trabalhado executado pela casa Bradbury, Wilkinson & Cº. Ltd., de Londres. Papel fabricado por Pierrigot-Masure, Papeteries d’ Arches (Vosges). Dimensão da nota 121 x 75 mm. Emissão de 51 640 000 notas com as datas de 5 de Julho de 1918 e 25 de Junho de 1920. A primeira emissão foi a 24 de Dezembro de 1918, e a última emissão a 24 de Janeiro de 1929. Foi retirada de circulação em 5 de Fevereiro de 1930.
A título de curiosidade esta nota de $50 seria equivalente a uma moeda de valor de ¼ de cêntimo de euro.

Obra consultada – “O Papel - Moeda em Portugal” do Banco de Portugal.
Óbidos – 27 de Abril de 2009. Publicado no Jornal das Caldas em 27-05-2009

terça-feira, 19 de maio de 2009

Artigo 01 - Centenário da Implantação da República (1910-2010) - Numária - O Papel-moeda 1910 – 2010

Quando em 05-10-1910, foi implantado o novo regime “ A República”, das várias divisas que a caracterizaram foi a criação de: “Uma nova bandeira; Um novo hino; e Uma nova moeda”. É precisamente neste último lema que me irei debruçar ao longo de algum tempo, mais concretamente na vertente do papel – moeda.
Está em marcha um grande plano e envolvimento a nível nacional, para se proceder às Comemorações do Centenário da Implantação da República, sendo aceite pela comissão que entretanto foi criada, ideias, pareceres, documentação, fotografias, objectos, com o fim de dar a conhecer a todos, e a nível nacional, o ideal republicano, conjuntamente com os momentos menos agradáveis porque passou, principalmente desde o seu inicio, com o seu principal inimigo “a monarquia”, aliada ou não, a fazer jus à sua restauração, tentando derrubá-la através de diversos golpes de Estado, sem contudo o conseguir.
O ano que se aproxima vai ser um ano dedicado em especial ao Centenário da Implantação da República, com todas as suas virtudes e contra censos, vindo a ser conhecidos pormenores e episódios que pouca ou nenhuma divulgação foi dada ao povo, e que nos ajudará a ajuizar melhor o quão foram tão conturbados esses primeiros anos.
Mas o que é o papel-moeda, vulgo, notas de banco? É simplesmente o papel representativo de um determinado valor, emitido por um banco emissor, devidamente autorizado a fazê-lo, “Banco de Portugal”, entre nós, Banco Central Europeu, a nível europeu, destinado a substituir a moeda metálica ou a criar novo papel, de valor mais elevado.
- As primeiras notas bancárias europeias, foram criadas pelo Banco de Estocolmo no ano de 1661.
- No reinado de D. Pedro II, surgiu a primeira utilização de papel como forma de dinheiro, (recibos e escritos da Casa da Moeda).
- No reinado de D. José, o Marquês de Pombal, grande criador das grandes Companhias, como a de Pernambuco e Paraíba, fez circular as acções como papel-moeda, e depois também as apólices de baixo valor.
- As primeiras notas emitidas e a circular em Portugal, foram as notas do Banco de Lisboa, no ano de 1822.
- Após a fusão do Banco de Lisboa com a Companhia Confiança Nacional, no ano de 1846, criou-se o Banco de Portugal, com poderes de emissão de papel-moeda, que emitiu as suas primeiras notas no ano de 1847.
- Após a Implantação da República (05-10-1910), entendeu-se reformular de vez o velho sistema monetário, pois não só apresentava grandes defeitos, como também se aproveitava para dar uma nova imagem à República, a exemplo da Nova bandeira e do Novo hino nacional.
- No ano de 1911, é criado o Decreto Fundador do Escudo Republicano, datado de 22-05-1911, que nos diz o seguinte:
“Com este decreto foi adoptada como nova unidade monetária “O Escudo” de ouro, moeda que conterá o mesmo peso de ouro fino que a moeda de 1 000 reis em ouro.
O escudo divide-se em 100 partes iguais, denominadas centavos, correspondendo assim, 1 centavo a 10 reis.
Como múltiplos do escudo, serão cunhadas moedas de 2, 5 e 10 escudos, as quais equivalerão às moedas de 2 000, 5 000 e 10 000 reis; como submúltiplos, as moedas de prata de valor legal de 50, 20 e 10 centavos, corresponderão às moedas de 500, 200 e 100 reis; como moedas subsidiárias de bronze níquel, de valor legal de 4, 2, 1 e 0,5 centavos, correspondem as moedas de 30, 20, 10 e 5 reis.
Sem dúvida que as notas foram e são actualmente um veículo de transmissão cultural, pois nelas vimos inseridos, as personagens mais relevantes do nosso país, os nossos melhores monumentos, dos mais diversos estilos e épocas, os momentos mais relevantes da nossa tão rica e longa história, encontrando-se aí retratados e perpetuados, para que as futuras gerações se possam orgulhar dos seus antepassados.
Estas notas dão-nos a conhecer a minuciosidade e belo trabalho dos gravadores portugueses, em especial nas notas confeccionadas nos primeiros anos da República.

A primeira nota emitida e a circular foi a de 5$00, com a efígie de Alexandre Herculano, cuja primeira emissão, foi em 29-07-1913.


Os trabalhos posteriores, englobarão reproduções das notas, explicações técnicas, dimensões da nota, emissões e retirada de circulação e explicações sobre o tema inserido.
Neste trabalhado vamos optar pelo valor crescente e por ordem cronológica das notas.
Obra consultada – “O Papel - Moeda em Portugal” do Banco de Portugal.
Óbidos – 27 de Março de 2009.
Publicado no Jornal das Caldas, em 13-05-2009 – Opinião.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Moeda de Ouro de Kustav Klimt


Coleccionismo
Numismática
Por: Luís Manuel Tudella


Moeda de Ouro
Kustav Klimt












Se há países que viveram uma época de ouro, e que foi marcante para o resto das nações europeias, esse foi sem dúvida a Áustria, criando grandes génios, nas artes, na música, na escultura, na pintura e constituindo estilos e escolas que se notabilizaram por toda a Europa. A Áustria é um dos países que restam do grandioso Império Austro – Húngaro, atingindo o seu apogeu nos séculos, XVII, XVIII, XIX e inicio do século XX, extinguindo-se, após o fim do maior conflito que existiu até então, na Europa, a 1ª. Guerra Mundial (1914-1918).
De entre os génios que este país produziu na vertente de pintura, recaí um acolhimento muito especial em Kustav Klimt, que no meu entender, foi aquele que melhor se debruçou sobre a condição da mulher, pintando-a em todos os seus estádios, desde a mais tenra idade até à velhice.
Foi um exímio artista retratando nus, tanto masculinos, mas em especial femininos.
Era um dos artistas mais importantes do seu tempo, sendo possuidor de uma personalidade, carismática e dominante, incutindo-a nas suas obras.
Era um artista que teve forte influência nos assuntos culturais e monárquicos.
A casa da moeda austríaca, tem-se imposto a nível internacional com a qualidade dos seus gravadores, sendo o seu trabalho de exigência, de elevado nível de execução das suas obras, que nos surpreendem com as magnificas reproduções dos mais belos quadros, e outros temas, com um rigor inigualável, tornando-se seu apanágio.
Kustav Klimt, sendo um dos grandes pintores do fim do século XIX e inicio do século XX, viu uma das suas obras mais emblemáticas escolhida para ser evocada e perpetuada na numismática; o célebre quadro a óleo sobre tela “O Beijo”, obra pintada entre os anos de 1907-1908, considerada por todos como a mais famosa e a mais difundida graças a um elevado número de reproduções de diversas formas. Este quadro foi executado na fase designada por dourada, porque nessa época o artista utilizou as cores douradas e a verdadeira folha de ouro.
Mas quem foi afinal Gustav Klimt?, as escolas que frequentou, os trabalhos que efectuou, as exposições que executou, os prémios que ganhou, enfim… tudo aquilo que fez, para se tornar num dos grandes artistas do fim do século, sendo cobiçado pela alta aristocracia de diversos países para a execução de trabalhos de relevo???
Biografia de Gustav Klimt.
- Nasceu em 14 de Julho de 1862, em Baumgarten, próximo de Viena, filho de Ernst Klimt e de Anna Klimt, ele gravador de profissão. Era o segundo dos sete filhos do casal.
- Ingressa no ano de 1876, na Escola das Artes Decorativas do Museu Austríaco Imperial e Real de Arte e Indústria de Viena, onde frequenta aulas de pintura.
- No ano de 1879, inicia com a colaboração do seu irmão Ernst e colega Franz, os trabalhos de esgrafito para o Museu da História de Arte de Viena.
- Termina os seus estudos de formação das Artes Decorativas em Viena no ano de 1883. Cria um atelier conjuntamente com o irmão e o colega Franz, a que lhe chamam “Companhia dos Artista”.
-Entre 1883 e 1885, aceitam e executam trabalhos de decoração no Teatro Municipal de Fiume, na ex - Jugoslávia.
- No ano de 1886, inicia os trabalhos de decoração nas escadarias do Teatro Imperial.
- Em 1887, é contratado pela Câmara Municipal de Viena para pintar uma vista interior do antigo Teatro Imperial.
- Nos anos de 1888 e 1889, viaja para Cracóvia, Trieste, Veneza e Munique, onde contacta com obras renascentistas e com diversos artistas de diversas escolas e estilos.
- No ano de 1890, recebe o primeiro Prémio Imperador, pelo quadro “Sala dos Espectadores”, guache sobre papel, do antigo Teatro Imperial.
- Em 1891 adere à Cooperativa dos Artistas das Artes Decorativas de Viena, sendo proposto para o cargo de professor na Academia, mas não foi nomeado.
Conjuntamente com o seu irmão Ernst e o seu colega Franz, são agraciados com “o mais alto reconhecimento”, pelos trabalhos de decoração do Museu da História de Arte.
- No ano de 1892, sofre um choque enorme com as mortes do seu pai e do seu irmão e companheiro de trabalho Ernst.
- Em 1893, torna a viajar, desta vez para a Hungria onde pinta aí o Teatro de Totis, contratado pelo príncipe Esterhazy.
- Em 1894, ele o seu colega Matsch, são contratados pelo ministro da Educação para realizarem o trabalho “ Os Quadros das Faculdades”.
- No ano de 1897, abandona a Cooperativa dos Artistas das Artes Decorativas de Viena. É criada a Fundação da Secessão vienense por Joseph Maria Olbrich, Josef Hoffmann e Gustav Klimt, o qual é nomeado o seu primeiro presidente.
Pinta os primeiros quadros paisagísticos e trabalha nos “Quadros das Faculdades”
- No ano de 1898, é feita a primeira exposição da Secessão. É fundada a revista da Secessão “Ver Sacrum”. Após diversos diálogos e disputas acérrimas, celebre finalmente o contrato para Os Quadros das Faculdades. É inaugurado o pavilhão de exposições da Secessão. Gustav Klimt é aceite na International Society of Painters, Sculptors and Engraves de Londres, e como membro correspondente da Secessão em Munique, que lhe granjeiam enorme prestigio. Foi um ano muito enriquecedor para Klimt, pois viu o reconhecimento internacional dos seus trabalhos.
- No ano de 1899 finaliza os trabalhos de decoração para o salão da música do Palácio Dumba.
- Em 1900, expõe na Casa da Secessão, quadros paisagísticos e expõe também a inacabada “A Filosofia”, os quais são alvo de fortes críticas e protestos.
Na exposição Universal de Paris, recebe a Medalha de Ouro por este quadro.
Torna-se membro da Secessão de Berlim.
- No ano de 1902, expõe sobre Beethoven na Secessão com o trabalho “O Friso de Beethoven”. A Colecção Gráfica de Albertina, em Viena, adquire os primeiros desenhos.
- Em 1903, conjuntamente com outros, expõe 80 obras suas no Pavilhão da Secessão em Viena.
Viagem para Ravena e Florença. Continua com os trabalhos de Os Quadros das Faculdades, executando profundas alterações.
- No ano de 1904 é contratado para executar os projectos de O Friso de Stoclet em Bruxelas. Participa em exposições nas cidades de Dresden e Munique.
- Em 1905, saída do grupo Klimt da Secessão. Viagem para Berlim onde expõe 15 quadros na Exposição da Aliança dos Artistas Alemães, sendo galardoado com o “Prémio Villa Romana”.
- No ano de 1907, acaba o trabalho “Os Quadros das Faculdades”, expondo-os em Viena e Berlim. São publicados os primeiros desenhos eróticos.
- No ano de 1908, é o ano da sua glorificação com mostra de Arte de Viena, numa grande exposição, onde estão incluídas todas as áreas artísticas; com 16 quadros de Klimt, sendo um deles o celebre “O Beijo” e “As três Idades da Vida”, recebendo por estes quadros a Medalha de Ouro. Viagem para Munique.
- No ano de 1909, participa na Mostra de Arte Internacional de Viena. Participa na Exposição Internacional de Arte da Secessão de Berlim.
Viaja para Praga, Paris e Espanha. É o fim do Período Dourado.
- Em 1911 participa na Exposição Internacional de Arte de Roma, onde recebe o 1º. Prémio pelo quadro Morte e Vida, um óleo sobre tela, o qual representa a evolução do homem desde o seu nascimento até à sua morte. Viaja para Roma e Florença.
- No ano de 1912 é nomeado presidente da Aliança dos Artistas Austríacos. Participação na exposição de Dresden.
- No ano de 1913, vamos assistir a uma nova faceta de Klimt, depois de expor em Munique, Budapeste e Mannheim, vai passar o verão nas margens do lago de Garda em Itália, onde se dedica à pintura paisagística.
- No ano de 1917 é membro honorário da Academia das Artes Decorativas de Viena.
- A 11 de Janeiro de 1918, sofre um ataque cerebral na sua residência de Viena, vindo a falecer no dia 6 de Fevereiro desse ano, deixando um sem número de obras incompletas.
Pelo que atrás se expõe, pode-se deduzir que teve uma vida muito rica e cheia de actividades; exposições, onde ganhou diversos prémios de elevado prestigio, exposições colectivas com os expoentes máximos da pintura da Europa de então, presidente e professor de Academias de Arte, e Cooperativas de Artistas de Artes Decorativas, fundador e simultaneamente Presidente da Fundação da Secessão Vienense, foi um apaixonado por viagens, percorrendo as cidades culturais mais em voga de então, e vivências com a mais alta aristocracia europeia.
A moeda alusiva à sua tela “O Beijo” tem as seguintes características:
No anverso, apresenta-nos ao centro a figura estilizada de Gustav Klimt, no seu atelier, com um trajo exótico, de bata até aos pés, ladeado entre dois cavaletes, apreciando um dos trabalhos. Por baixo do cavalete que se encontra nas suas costas, está inserido o valor facial da moeda de 100 Euro, ladeado da esquerda para a direita a legenda Republic Österreich, e na parte oposta a legenda Gustav Klimt e a era 1862 – 1918. Esta face está muito bem conseguida, ocupando o seu campo equitativamente, com simples traços clássicos dando-nos a compreender na perfeição, aquilo que o artista nos quis transmitir.
No reverso, apresenta-nos uma estilização do célebre quadro “O Beijo”, onde de fácil leitura, se pode ver o corpo feminino da mulher enlaçado pelos braços do homem, com a cabeça debruçada sobre o ombro, onde as mãos dele afagam a face docilmente e se debruça sobre o seu corpo dando-lhe um beijo na face.
O impacto que nos transmite a imagem, é de uma qualidade enorme, realçando o fervor e a intensidade com que os amantes se beijam.
De linhas clássicas pouco vincadas no seu conjunto, surte um efeito muito equilibrado e de uma riqueza enorme, pois abarca todo o campo da moeda na sua amplitude.
Estamos perante uma moeda de exímio trabalho, realçando a sua beleza e elegância, que foi objecto de enorme procura entre os numismatas, e não só, aquando da sua emissão, e que se tem vindo a valorizar pela procura de que tem sido alvo, ao longo dos anos.
Foram cunhadas 30.000 moedas, em ouro, com a permilagem de 986/1000, de 16 grs. de peso, 30 mm de diâmetro, de autoria de H.Wähner.






















O quadro “O Beijo” Gustav Klimt

Biografia consultada: Livro de Klimt da autoria de Gottfried Fliedl,.


Fevereiro de 2009.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Moeda de Ouro Comemorativa dos “150 Anos do Nascimento de ANTÓNIO GAUDÍ”














Se há países que se orgulham das suas ilustres personagens, esse é sem dúvida alguma, a imensa Espanha, que ao longo da sua já longa existência como país, (mais de 500 anos), tão bem tem dado a justa relevância, dimensão e valor àqueles que nos mais diversos campos se têm notabilizado; e não foram tão poucos como isso; no campo das letras, Calderon de la Barca, Frederico Garcia Lorca, Camilo José Cela, Miguel Cervantes, Baltasar Gracián, Félix Lopes de Veja Carpio, Juan de Torqueda, Francisco de Quevedo, etc; no campo da pintura e artes plásticas, El Greco, Francisco Goya, Diego Velázquez, Pablo Picasso, Joan Ponç, Juan Miró, Salvador Dali, etc. No campo expedicionário e conquistador, Hernán Cortés de Monroy, Pizarro Altamirano, Pedro Mendonza y Luján, Francisco Pizarro, Juan Sebastian de Elcano, Francisco Hernandez de Córdoba, Pedro de Valdivia, etc.; no campo religioso, 44 santos, 81 religiosos de nomeada e 18 teólogos, sendo de destacar dois que pela sua projecção foram nomeados Papas; Calixto III, que * 31-12-1378 e + 08-04-1455 e Alexandre VI, que *01-01-1431 e + 18-08-1503. Nas ciências, matemáticas, medicina, desporto, artes cénicas e em muitas mais actividades, muito e muitos mais, se distinguiram, o que seria bastante fastidioso aqui enumerá-los. Mas é no campo da escultura e arquitectura que vamos encontrar aquele que no meu entender é um dos expoentes máximos, António Gaudí.
A todas estas individualidades, às efemérides mais marcantes, à realização de eventos, etc., o Estado espanhol, ao longo de muitos anos tem dado o devido destaque, perpetuando-os, tanto na vertente filatélica (com a emissão de selos), como na medalhística (criação de medalhas), como também e em especial na numismática (com a cunhagem de moedas correntes e moedas de colecção, nos mais diversos metais).
Desta feita recaiu sobre o arquitecto António Gaudí, aquando da comemoração dos 150 anos do seu nascimento.
Mas então, quem foi António Gaudí, para ser relembrado através da cunhagens de moedas de ouro e de prata de elevados valores faciais?
António Gaudí, nasceu em 25-06-1852, provavelmente na cidade de Réus, na província de Tarragona e faleceu em Barcelona em 10-06-1926, vítima de ferimentos recebidos num desastre que sofreu no dia 7 do mesmo mês. Filho de Francisco Gaudí Serra, artesão de cobres e de Antónia Cornet Bertran.
- Entre os anos de 1863 e 1868, cursou na escola dos padres escolapios. Fez as suas primeiras gravuras para uma revista.
- No ano de 1869, seu pai enviou-o para Barcelona para estudar arquitectura.
- Entre 1869 e 1873, fez os cursos preparatórios na Faculdade de Ciências, pois na altura não existia a Escola Provincial de Arquitectura, a qual somente no ano de 1871 foi estabelecida em Barcelona.
- No ano de 1878, foi aprovado nos exames finais, recebendo o diploma de arquitecto. Ao longo destes anos trabalhava e estudava com o fim de sustentar-se e pagar os seus estudos.
- Relacionou-se com gente de posses, como Eusébio Guell Bacigalupi, iniciando uma relação profissional e de amizade que durou 40 anos, até à morte deste, no ano de 1918.
O estilo inicial de António Gaudí, foi inspirado na arquitectura mourisca, indo aí buscar as formas e cores. Outra fase foi a que decorreu sob o mecenato de Guell, homem imensamente rico que recebia em sua casa diversos artistas, onde aí, entrou em contacto com a “arte nova”, a qual viria a ser adoptada por Gaudí. Uma outra fase é o período gótico, onde utiliza os princípios deste estilo com algumas inovações ousadas, como os arcos parabólicos. Com o passar dos tempos e com as experiências entretanto adquiridas, desenvolve um novo conceito de arte, que se define essencialmente por linhas curvas e figuras côncavas e convexas, o que só por si, se define como estilo único, revolucionário, arrojado, e vanguardista quanto às suas formas, conseguindo impor um estilo singular, o qual por vezes era alvo de ataques por aqueles que viam uma obra aberrante; sendo alvo desta conexão as casas “Batló” e “Milá”.
A obra prima, por conseguinte a de maior projecção e impacto é sem dúvida o templo da “Sagrada Família”, obra a que dedicou grande parte da sua vida, e onde trabalhou afincadamente nos últimos 12 anos de vida.
As obras mais emblemáticas de António Gaudí foram as seguintes:
- Casa Vicens (1878-1880); Palácio Guell (1885-1889); Colégio de Stª. Maria de Jesus (1889-1894); Stª. Coloma de Cervelló (1898-1915); Casa Calvet (1899-1904); Casa Batlló (1905-1907); Casa Milá (La Pedrera) (1905-1907); Parquel Guell (1900-1914); e Templo da Sagrada Família (1884-1926), inacabado.

No ano de 2002, a “La Real Fábrica de la Moneda” de Espanha, aquando dos 150 anos do nascimento de António Gaudí, fez a cunhagem de uma colecção de moedas em prata e ouro proof, distinguindo a obra deste génio, do seguinte modo:
- A emissão de 3 moedas no valor facial de 10 Euro cada, representando, o parque Guell, La Pedrera e El Capricho, em prata proof.;
- A emissão de 1 moeda no valor facial de 50 Euro, representando a Sagrada Família, em prata proof.;
- A emissão de 1 moeda no valor facial de 400 Euro, em ouro, proof. representando a Casa Batlló.
É a primeira moeda de ouro com o valor facial de 400 Euro, e a primeira de 50 Euro em prata proof., que são cunhadas em toda a União Europeia, o que tem provocado uma procura elevada por parte dos numismatas de toda a Europa, pelo simbolismo e pelo seu ineditismo.
Características da moeda de 400 Euro:
Anv: Ao centro do campo a figura da casa Batlló, também conhecida pela casa dos ossos, devido ao formato dos balcões exteriores que se assemelham a ossos cranianos. A sua fachada com inúmeros detalhes com as originais ondulações do telhado e dos balcões, parecem nascer da parede plana. A figura está ladeada à esquerda com o valor facial de 400 Euro e acima desta a legenda Casa Batlló; e à direita a era 2002, entre a legenda Gaudí e Barcelona.
Rev: Sobre o lado direito a figura de António Gaudí, encimada junto à orla a legenda Internacional; à esquerda uma sequência de linhas, que definem o seu estilo singular curvilíneo, onde se sobrepõe por cima a legenda Espana e junto à orla inferior a legenda Gaudí.
Valor facial de 400 Euro. Permilagem 999%0. Peso 27 grs. Diâmetro 38 mm. Bordo serrilhado. Qualidade – proof. Emissão 3.000 exemplares.
Autor: Esther Gonzalez.
Características da moeda de 50 Euro em prata proof.
Anv: Ao centro do campo da moeda a imagem da imponente Sagrada Família, ladeado à esquerda pela era 2002, e à direita em cima o valor facial de 50 Euro e por baixo “Sagrada Família”, com cercadura perolada.
Rev: Em cima o busto a três quarto de António Gaudí, encimado pela legenda “GAUDÍ – Ano Internacional – España”. Por baixo a estilização de elemento escultóricos do Parque Guell, com cercadura perolada.

Anverso


Reverso


Valor facial de 50 Euro. Permilagem 999. Peso 168,75 gr. Diâmetro 73 mm. Bordo liso. Emissão 8.000 exemplares.
Estamos perante trabalhos de notáveis cunhagens, que nos apresentam duas moeda muito ricas nos seus motivos, equilibradas na sua composição, e com os campos correctamente preenchidos, perspectivando uma leitura fácil e de belo efeito.
No meu entender estas moedas dão-nos a grandeza e dimensão deste génio, pelos valores nelas inserido, correspondendo à inserção de valores faciais mais elevados que alguma vez foram atribuídos a moedas no presente ciclo numismático, em toda a Europa da Eurolândia.

15-02-2009.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Euro de 2004

Coleccionismo
Numismática
Por: Luís Manuel Tudella



Moedas de Ouro - Colecção Comemorativa
UEFA EURO -2004

Os valores do futebol



O Espectáculo do Futebol


Quando no ano de 2000 a UEFA, atribui a Portugal a realização e organização do Campeonato da Europa de Futebol, pôs-se em marcha um elaborado programa, abrangendo um elevado número de sectores da sociedade, que vieram auxiliar a concretização, daquilo que foi um verdadeiro êxito desportivo e organizativo, que até então se tinha realizado em Portugal, sendo alvo dos mais rasgados elogios de toda a imprensa europeia, e servindo de exemplo para o Campeonato do Mundo de Futebol de 2006, que se veio a realizar na Alemanha.
É de todos conhecido que esta modalidade é a mais praticada a nível universal, tendo largos milhões de praticantes e centenas de milhões de apaixonados por todo o mundo. O futebol move sociedades inteiras, interfere no hábito dos cidadãos, rege as suas reacções e relações, está integrado em todos os extractos sociais, e não há quem não opina sobre esta actividade senão todos os dias, de certeza, aos fins de semana, logo após o fim da jornada fetubolística, estendendo-se durante a semana, a uma simples conversa de rua, de café, e em locais de trabalho, ou mesmo, gerando enormes discussões.
Como se sói dizer, que “o futebol é o ópio do povo…”.

Mas quando, onde e quem inventou o futebol?
O jogo que deu origem ao futebol dos dias de hoje, com as devidas alterações que foi sofrendo ao longo dos tempos, teve as suas origens no oriente.
- Na China, surge na dinastia Xia, pelo ano de 2 197 a.C.; era costume pontapear os crânios dos inimigos derrotados. Mais tarde vieram a ser substituídos por bolas de couro, que eram chutadas por entre duas estacas cravadas no chão. Este desporto foi criado para treino militar. Chamava-se ”Tsu-Chu”;
- No Japão, aparece uma variação do tsu-chu. As mulheres não podiam participar. Foi difundido pelos imperadores Engi e Tenrei, sendo proibido o seu contacto físico. O campo de nome kakari era quadrado, tendo em cada lado uma árvore. Os jogadores eram em número de oito; era mais um ritual do que um jogo, antes de se iniciar realizava-se uma celebração para abençoar a bola, que simbolizava o sol;
- Na Grécia antiga, a referência a “Epyskiros”, vem num livro de Hómero, só relacionado com desportos de bolas. Este desporto era disputado com os pés, num campo quadrado, por duas equipas de nove jogadores cada, mas poderia aumentar até quinze em função de maiores dimensões do campo. A bola era feita de bexiga de boi e cheia de ar e areia, que deveria ser atirada para o fundo de cada lado do campo.
- No México, a civilização maia, entre os anos de 900 e 200 a.C., praticavam um jogo com os pés e as mãos, cujo objectivo era arremessar a bola num furo circular a seis metros de altura, no meio de seis placas quadradas de pedra. O capitão da equipa derrotada era sacrificado aos deuses.
- Em Roma por volta de 200 a. C., praticava-se o “Harpastum”, que era praticado num campo rectangular, dividido por uma linha e com duas linhas como meta. A bola feita de bexiga de boi, chamavam-lhe a follis. Era um exercício militar, o qual durava duas horas, sendo difundido noutras regiões da Europa, Ásia e Norte de África.
- Em França, e durante a idade média, foi criado o “Soule”, introduzido pelos romanos nos anos de 58 a. C., cujas regras variavam de região para região. O soule era praticado pela aristocracia sendo um desporto da realeza. O rei Henrique II, decretou a sua proibição por ser um desporto muito violento e barulhento, e quem não a cumprisse pagava com prisão a sua ousadia.
- Em Inglaterra no século XVI, e segundo descrição do escritor Philip Stubbes, o futebol era um desporto imensamente popular e a sua violência era enorme ao ponto de definir este jogo do seguinte modo:”Um jogo bárbaro, que só estimula a cólera, a inimizade, o ódio, a malícia, o rancor, etc…”; de tal modo era a sua violência, que não raras vezes, partiam-se pernas, roupas rasgadas, dentes partidos e arrancados e por vezes acidentes fatais, como o de um jogador ao pular de uma ponte para pegar a bola se afogou. Estas peripécias, levaram a muitos assassinatos entre as equipas rivais. A partir do ano de 1700, foi proibida esta forma violenta de futebol, vindo a ganhar a modalidade com a adesão cada vez maior de adeptos. Foram introduzidas novas regras, no ano de 1846, uma das quais, dirigia-se a jogar a bola somente com os pés, dando origem ao actual futebol, e a outra regra, dizia respeito ao jogo da bola com os pés e as mãos dando origem ao rugby.
O futebol foi introduzido no nosso país pelos irmãos Pinto Bastos, no ano de 1884, e o primeiro jogo de que há registo foi no ano de 1888, na vila de Cascais.
Dos sectores estatais que souberam intrepertar este evento, foram sem dúvida alguma a Federação Portuguesa de Futebol que em conjunto com o Banco de Portugal, através dos seus representantes governamentais, entenderam proceder à cunhagem de moedas alusiva ao evento.
Foi posto a concurso este projecto ao qual concorrem diversos artistas plásticos, apresentando alguns inovações no conceito do futebol, fugindo ao tradicional e clássico desenho, da bola, baliza, luva, caneleira, bota, bandeirola, apito, campo de futebol, e outros elementos relevantes, substituídos por simples traços que caracterizam os elementos atrás referidos e introduzindo conceitos relacionados com a modalidade, como a “Festa”, que se pretende seja abrangente; a “Paixão”, que a todos nos toca, pela beleza da sua execução com passes, jogadas e golos magistrais que nos encantam e apaixonam; e por fim o “Desportivismo”, que é elemento essencial no comportamento das referidas hostes, e no comportamento dos intervenientes, que por vezes se excedem, vindo a desvirtuar o espectáculo. Este projecto foi concretizado através da cunhagem de duas séries, com três moedas cada., de valor facial de 8 Euro, a seguir descritas:
À 1ª.série foi dado o título de “Os valores do Futebol”, que compõe as seguintes moedas:
A FESTA – Anv: Apresenta uma bola de futebol sobre o lado esquerdo, o escudo nacional, a legenda “República Portuguesa”, a era e o valor facial da moeda.
Rev: Apresenta o logótipo oficial, propondo-nos como elementos ilustrativos do tema, a bola, as bandeiras ao vento, simbolizando os adeptos em festa.
Autor: João Duarte.
A PAIXÃO - Anv: Apresenta um olho formado pelo escudo nacional, a legenda “República Portuguesa”, a era e o valor facial da moeda, observando o movimento do público que termina num coração.
Rev: Apresenta o logótipo oficial dos jogos e uma repetição dos corações como elementos simbólicos da paixão e vibração dos espectadores.
Autor: José Teixeira.
DESPORTIVISMO – Anv: Apresenta o escudo nacional, as legendas “Desportivismo” e “República Portuguesa”, a era e o valor facial da moeda.
Rev: Apresenta a estilização de um campo de futebol em cuja superfície se repete a expressão “Faire Play” e no círculo central está colocado o logótipo oficial, com a legenda “UEFA EURO 2004”.
Autor: José Simão.
À 2ª.série foi dado o titulo “O Espectáculo do Futebol”, que compõe as seguintes moedas:
A DEFESA – Anv: Apresenta o escudo nacional, por baixo o valor facial, de “8 Euro”, e na orla inferior, sob uma bola a legenda “República Portuguesa”.
Rev: Apresenta, de uma forma concisa, os dois elementos essenciais da defesa, o “guarda - redes”, e a “bola”, em cujo centro se inscreve a legenda “logótipo oficial da UEFA EURO 2004”.
Autor: João Duarte.
O REMATE – Anv: Apresenta sobre o lado esquerdo o escudo nacional, circundado pela legenda “República Portuguesa” – 2004”; sobre o lado direito e entre duas linhas paralelas saídas do circulo o valor facial “8 Euro”.
Rev: Apresenta em primeiro plano, um jogador a rematar a bola, que tem no centro o logótipo oficial da prova, e em fundo o estádio com os espectadores em ambiente festivo.
Autor: José Simão.
O GOLO – Anv: Apresenta o escudo nacional, a legenda “República Portuguesa”, a era, o valor facial de “8 Euro”, constituindo um motivo concêntrico que representa o esférico em movimento.
Rev: No centro o logótipo oficial da prova, rodeado por um conjunto de pictogramas sugerindo a explosão emocional dos espectadores com os corações eufóricos.
Autor: José Teixeira.
Foram efectuadas cunhagens das referidas moedas em diversos metais preciosos.
Especificações técnicas das moedas:
- Moeda Corrente de prata:
Ag: 500; Dia. – 36 mm.; Peso – 21 gr.; Bordo Serrilhado; Amoedação –1 500 000 exemplares de cada.
- Moeda BNC de prata:
Ag: 925; Dia – 36 mm.; Peso – 31,10 gr.; Bordo Serrilhado; Amoedação –30 000 exemplares de cada.
- Moeda de Prata Proof:
Ag: 925; Dia. – 36 mm.; Peso – 31,10 gr.; Bordo Serrilhado; Amoedação –15 000 exemplares de cada.
- Moeda de Ouro Proof:
Au. 916,6; Dia. – 36 mm.; Peso – 31,10 gr.; Bordo Serrilhado; Amoedação –15 000 exemplares de cada.
Estas moedas, mas em especial as correntes, que têm poder liberatório em território nacional, não suscitaram o interesse do público, devendo-se no meu entender; primeiro ao facto do valor facial da moeda ser elevado e de valor nunca dantes aplicado em casos idênticos, e em segundo ao facto da banca particular se ter desassociada, mostrando total desinteresse na colocação das moedas, salvo raras excepções, ao contrário do que se passava com as moedas de escudo.
As moedas de colecção em ouro, facilmente se esgotaram na INCM.
No ano de 2004 a Unione Filatélica e Numismática Vicentina, de Itália, atribuiu no ano de 2004 o “Prémio Internazionale Vicenza Numismática”, à moeda de colecção o “Futebol é Paixão”, como a mais bela do ano de 2003 em prata proof.

Jasneiro 2009.



terça-feira, 9 de dezembro de 2008

90º. Aniversário do Armisticio



História
90º. Aniversário do Armistício
Os Portugueses na 1ª Guerra Mundial
(Homenagem aos caldenses caídos na 1ª. Guerra Mundial -França)

Por: Luís Manuel Tudella

No próximo dia 11 de Novembro, comemora-se por toda a Europa o 90º. Aniversário da assinatura do armistício, da 1ª. Guerra Mundial.
O armistício foi assinado numa carruagem pelas entidades envolvidas no conflito da 1ª. Guerra Mundial a 11-11-1918, na localidade de Compiège, a nordeste de Paris.
A 1ª.Grande Guerra, (1914-1918) foi a primeira do século XX, que teve como palco principal a Europa, e que pôs pela primeira vez em confronto o poder destrutivo das armas bélicas em escala massiva, que o homem ao longo do fim do século XIX e inicio do século XX, vinha desenvolvendo e aperfeiçoando.


Assinatura do Armistício

Foi sem dúvida o primeiro conflito bélico a nível planetário, pois por um lado lutaram incorporados na Tríplice Entente as Forças Aliadas de 24 países (Bélgica, Brasil, China, Costa Rica, Cuba, E.U.A., França, Grã-Bretanha, Grécia, Guatemala, Haiti, Honduras, Itália, Japão, Libéria, Montenegro, Nicarágua, Panamá, Portugal, Roménia, Rússia, S. Marinho, Sérvia e Sião); e por outro, as Potências Centrais, como (o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro o Império Otomano e a Bulgária).
Afirmam uns, que o início deste conflito se deve ao assassinato na Sérvia, por um estudante, a 28 de Junho de 1914, do herdeiro ao trono Austro-Húngaro, Francisco Fernando e de sua mulher; outros recuam no tempo, e debruçam-se sobre as feridas não cicatrizadas de conflitos que tiveram o seu palco na Europa do século XIX, entre diversas nações; e ainda outros debruçam-se sobre as negociações encetadas pela Grã-Bretanha, ao longo de anos com a Alemanha, para a demover do seu expansionismo e predomínio da Europa, do Mundo e dos mares, o que foi totalmente rejeitado pela Alemanha, apesar da Grã-Bretanha colocar no tabuleiro algumas cedências e compensações, de entre outras, o Congo Belga e as nossas colónias de Angola e Moçambique, que faziam fronteira com possessões alemãs, sem o nosso prévio consentimento.
Certo é, que, após o assassinato de Francisco Fernando, foi este o pretexto considerado para o início do conflito, pensando-se que seria uma questão que se resolvia em três meses, o que não veio a suceder, prolongou-se por quatro longos penosos e duros anos, vindo a provocar a morte a mais de 8 milhões de seres humanos e mais de 20 milhões de feridos; muitos deles vindo a falecer mais tarde, após o conflito, devido a ferimentos recebidos, outros ficaram incapazes, vindo a falecer gradualmente fruto da evolução do envenenamento com a inalação de gases e muitos milhões ficaram estropiados; a destruição e desagregação de milhares de famílias; a destruição de aldeias, vilas e cidades, algumas desapareceram completamente do mapa; a perda irrecuperável de patrimónios históricos; etc… Após esta catástrofe, nada ficou como dantes; o desaparecimento de 3 impérios, (Alemão, Austro-Húngaro e Otomano), a criação de novos países, novas fronteiras foram traçadas, um enfraquecimento global da Europa, e uma nova potência mundial emergiu, os Estados Unidos da América.
Concorreu também para esta catástrofe o desenvolvimento do armamento em larga escala, com o aparecimento de novas armas no palco de guerra, como; as minas, os torpedos, os submarinos, as metralhadoras, os aviões, as bombas com barbatanas e dispositivo deflagrador na extremidade, os gases (cloro e mostarda), os tanques, a bicicleta substituta em larga escala dos solípedes que serviam a arma de cavalaria, a fotografia aérea, o telégrafo, e como se não bastasse, a evolução do armamento era confrangedor, pois cada vez, apareciam armas mais eficientes, de maior alcance, maior precisão, melhor manuseamento, tendo por fim maior capacidade de destruição; são exemplo disso, os aviões, que no inicio do conflito eram construídos em lona e madeira com duas e três asas sobrepostas, acabando no ano de 1918, por serem fabricados em metal com uma só asa transversal e motor central muito mais potente, melhor manuseamento, maior autonomia e maior velocidade; os tanques que no início do conflito, mais pareciam caixotes de ferro, muito pesados e de difícil manuseamento em terreno acidentado, por conseguinte, alvos fáceis; agora (1916), surgem-nos mais eficazes na passagem das trincheiras, com o sistema de lagartas na sua locomoção; o motor de explosão interna aplicado nos submarinos foi de um êxito enorme, vindo a causar enormes baixas aos aliados; a propaganda e a espionagem, que em muito auxiliaram ambas as partes nas suas acções, etc.
Seria fastidioso se continuasse a fazer descrição do que se passou e do que se já escreveu sobre este conflito, mas não quero deixar de salientar as batalhas mais significativas, que deram a uns e a outros avanços e recuos na progressão do terreno, ou mesmo, o estacionamento durante largos meses nas trincheiras ficando estas inalteradas com posições estremadas.
O palco de guerra englobava várias frentes (F. Ocidental, F. Oriental, Extremo Oriente, Balcãs, África Oriental e Ocidental, e Pacífico).
De seguida e por ordem cronológica, faz-se a descrição das batalhas mais significativas da Frente Ocidental, aquelas que mais nos interessa.
Frente Ocidental:
1)- Batalha das Fronteiras, de 3 a 26 de Agosto de 1914; 2)- Batalha das Ardenas, de 21 a 26 de Agosto; 3)- Batalha de Charleroi de 21 a 23 de Agosto; 4)- Batalha de Mons de 23 a 24 de Agosto; 5)- Batalha de Cateau de 25 a 29 de Agosto. Total de baixas 8.000; 6)- 1ª. Batalha do Marne de 6/09 a 9 de Setembro; 7)- 1ª. Batalha de Ypres de 8/10 a 22 de Novembro – baixas, 50.000 alemães e 24.000 franceses e belgas; 8)- 1ª. Batalha, das doze de Isonzo a 23-06-1915. No fim de 1915 as baixas italianas ascendiam a 250.000 mortos feridos e prisioneiros; 9)- 2ª. Batalha de Ypres, entrada em acção da arma química “gases”; 10)- Batalhas de Champagne – Fev. e Março – Setembro a Novembro de 1915; 11)- Batalha de Verdun – Fev. a Agosto de 1916. As baixas de ambos os lados cifraram-se em mais 500.000 mortos, feridos e prisioneiros; 12)- 1ª.Batalha do Somme – Junho a Novembro de 1916, (Entrada em acção dos primeiros tanques, o flagelo das trincheiras) - baixas alemãs 600.000, entre mortos, feridos e prisioneiros, e baixas por parte dos aliados, 194.451 franceses e 419.654 britânicos; 13)- Batalha de Messines a 6 e 7 de Junho de 1917- foram capturados 7.500 militares alemães; 14)- 3ª. Batalha de Ypres (Passachendaeie) de Julho a Novembro de 1917; 15)- Batalha de Caporetto de 19-8 a 12-9, as forças dos Impérios Centrais fizeram 275.000 prisioneiros; 16)- Batalha de Cambrai, em Outubro de 1917; 17)- 2ª. Batalha do Somme entre 21-03 a 04-04-1918; 18)- 2ª. Batalha do Marne, as perdas alemãs cifraram-se em 30.000 mortos e feridos, a captura de 800 bocas de fogo de artilharia – nesta batalha está incluída a batalha de La Lys; A partir daqui os aliados tomaram a iniciativa das operações até ao fim do conflito; 18)- Batalha de Amiens a 08-08-1918, as forças americanas em acção fizeram mais de 13.000 prisioneiros alemães e 466 bocas de fogo; do lado americano as baixas foram na ordem dos 7.000 homens.
Não posso deixar de salientar a Batalha Naval mais mortífera da história da Grande Guerra, que pôs frente a frente a frota britânica e a frota alemã, no mar do norte, em Maio de 1916 que compreendeu a totalidade de 260 navios; a “Batalha da Jutlândia”, que teve como resultado por parte dos britânicos a perda de 3 cruzadores de batalha, 3 cruzadores, 8 destroyers, totalizando 14 navios afundados, dos quais resultaram 6.097 mortes e 510 feridos; e da parte alemã, a perda de 1 couraçado, 1 cruzador de batalha, 5 destroyers, totalizando 11 navios afundados, dos quais resultaram 2.551 mortes e 507 feridos; ambos reclamaram vitória…

O Motivo da entrada de Portugal no conflito.

A razão da entrada de Portugal na 1ª.Guerra Mundial, segundo os historiadores, oscila entre a “Manutenção do Império”, o “Perigo Espanhol”, e a “Consolidação da República”. Todas têm a sua razão de ser, mas no meu entender, penso que a razão primordial se encontra na “Consolidação da República”, e na “Manutenção do Império”, pois no primeiro caso, a República tinha sido implantada há cerca de 4 anos, sendo alvo de constantes ataques de todas as forças políticas, e religiosas, querendo fazer desacreditá-la não só em Portugal como na Europa; e no segundo caso, a situação geográfica das nossas colónias de Angola e Moçambique, que confinavam com possessões alemãs, respectivamente, Angola a sul com a África Alemã do Sudoeste, e Moçambique a norte com a África Oriental Alemã, sendo alvos de ataques a partir de 1914.
Portugal, sendo velha aliada da Grã-Bretanha, e estando esta em guerra, incorporada na Tríplice Entente, entende que deve fazer parte do conflito, solicitando à sua aliada permissão para a entrada em palco. A Grã-Bretanha, invoca a sua não permissão com a razão de falta de transportes e meios. A posição portuguesa é de insistência, a qual, a muito custo e com prolongadas negociações, se veio a concretizar. A nossa aliada continua a informar de que não possui meios para fazer deslocar elementos do exército português, o que deixa ao nosso critério o transporte de homens e armamento. Só existe uma maneira de obter não só meios de transporte como víveres, e esse foi encontrado em 24-02-1916, quando destacamentos da Armada Portuguesa tomaram todos os navios alemães que se encontravam fundeados no estuário do Tejo e aprisionaram todos os outros que se encontravam atracados em portos Nacionais, na totalidade de cerca de 80 navios. Perante esta situação, a Alemanha declarou-nos guerra no dia 09-03-1916.
Sendo Portugal um Império, queria garantir no fim do conflito uma posição, que lhe desse a continuidade desse estatuto, pelo que se tornou numa força beligerante.
Mas antes deste episódio já Portugal estava em guerra com a Alemanha, mais concretamente com as suas colónias africanas.
Senão, vejamos pequeno resumo cronológico das hostilidades havidas, nas colónias de Angola e Moçambique:
.- Em Moçambique, Agosto de 1914, um incidente, na fronteira do Rovuma, um ataque alemão ao posto fronteiriço de Maziúa, resultou na morte do chefe do posto.
- Em Angola, Outubro, incidente de fronteira em Naulila, sul de Angola, resultou na morte de 3 alemães.
- A 30 de Outubro, o posto português de Cuangar situado na margem esquerda do rio Cubango, no sul de Angola, é atacado por alemães, originando a morte a dois oficiais, um sargento, cinco soldados europeus e treze africanos, com alguns civis
- A 18 de Dezembro,”Combate de Naulila” as forças alemãs atacam as portuguesas, obrigando-as a retirar, no Sul de Angola, em direcção a Humbe originando a morte a três oficiais e 66 sargentos e soldados.
- Em Junho de 1915, o governador de Moçambique informa de que se procedesse à reocupação de Quionga, no norte, ocupado pelos alemães em 1894.
- Em 17 de Junho de 1915, as tropas portuguesas tomam Humbe, no sul de Angola, sem encontrarem resistência.
Antes e depois da declaração de guerra a Portugal pela Alemanha, são enviadas para o sul de Angola e norte de Moçambique várias forças expedicionárias com o intuito de restabelecer as fronteiras no sul de Angola; e a norte, tomar Quionga., em Moçambique.

O palco de guerra em África e no que a nós diz respeito, vai desenrolar-se na colónia de Moçambique, nas margens do rio Rovuma, com ataques esporádicos de ambos os lados, travessias do rio de um lado e de outro, até que na quarta expedição, fruto de maior disciplina, melhor armamento, e muito melhores chefias, os alemães, comandados por Lettow-Vorbeck, em 21-11-1917, dirigem-se para a fronteira de Moçambique, e aí somos surpreendidos, infringindo-nos uma pesada derrota, provocando um massacre, onde faleceram cinco oficiais e 14 soldados europeus, duzentos e oito soldados africanos, ficando feridos para cima de 70 homens, e terem sido aprisionados 550 soldados, entre estes trinta e um oficiais.
- Em Dezembro de 1917, a uma coluna militar alemã comandada pelo general Wahle, que se dirigia para o interior de Moçambique é-lhe barrada a passagem pelas nossas forças.
- Em Julho de 1918 as tropas alemães vão de vitória em vitória chegando a escassos 40 km de Quelimane, provocando avultados prejuízos.
- Em Setembro as tropas alemãs abandonam Moçambique, atravessando o rio Rovuma.

Na Europa, após a declaração de guerra a Portugal, iniciam-se e desenvolvem-se acções para a sua prestação. Assim;
- Em Junho de 1916, o governo inglês convida Portugal a ser activo nas operações militares dos aliados.
- Em Julho é constituído o CEP (Corpo Expedicionário Português), em Tancos, sobre o comando do general Norton de Matos e seria composto por 30 mil homens.
- Em Dezembro há quem discorde da entrada de Portugal na guerra. Machado dos Santos tenta uma revolução malograda.
- Em Janeiro de 1917, embarca a bordo de 3 navios ingleses a 1ª. Brigado do CEP, comandada pelo general Gomes da Costa (mais tarde Presidente da República). O CEP é incorporado no BEF (British Expeditionary Force).
-Em Fevereiro, chegam a Brest as primeiras tropas, sendo colocadas na flandres francesa. O segundo contingente parte para França no fim do mês.

Embarque das nossas forças para França

- Em Abril, são colocadas as primeiras forças nas trincheiras, Portugal sofre a primeira baixa com a morte do soldado António Gonçalves Curado.
- Em Maio a 1ª.brigada de infantaria da 1ª.divisão do CEP, vai para a frente de batalha
.- Em Junho dá-se o primeiro ataque alemão às linhas portuguesas.
- Em Outubro o último navio de transporte britânico, dos sete iniciais é retirado do serviço do CEP, o que vem ocasionar o não complementar dos quadros do corpo, e o seu reforço não será contemplado.
- Em Novembro a 2ª.Divisão do CEP coloca-se no Sector Português da frente.
O ano de 1917, foi caracterizado pelas diversas acções de formação das nossas forças em França e Grã-Bretanha, recebendo treino na área de manuseamento de armas, deslocação em trincheiras, cursos de baionetas, cursos de gases etc., que em Portugal pouco ou nada tinham exercitado.
Os poucos meses de 1917, fizeram com que tivéssemos tido acentuadas baixas, tanto


Portugueses em acção

em mortes como em feridos, assim como algumas dezenas largas de prisioneiros. Alguns actos de coragem e bravura foram devidamente apreciados e louvados, levando à condecoração de diversos militares, promoções ao posto imediato, com sacrifícios enormes.
Era Comandante do CEP o general Tamagnini de Abreu.
De Janeiro a 8 de Abril de 1918 a nossa infantaria interveio por seis vezes, como se segue:

- 1º. Combate deu-se a 02-03-1918; as perdas portuguesas cifraram-se em 6 militares mortos, 72 feridos, sendo 45 gaseados. Os alemães tiveram 2 centenas de baixas, e fizeram 69 prisioneiros. Este combate desenrolou-se no sector de Chapigny.
- 2º. Combate deu-se a 07-03; as perdas portuguesas foram de 2 mortos e 15 feridos. Este combate deu-se no sector de Neuve Chapelle e Ferme du Bois.
- 3º. Combate deu-se a 09-03, foi efectuado um raid por tropas portuguesas, nas linhas alemães, provocando 20 feridos entre os nossos e a morte de 40 alemães e 5 prisioneiros.
- 4º. Combate, deu-se a 12-03; as perdas portuguesas foram de 13 militares mortos e 59 feridos; os alemães tiveram 2 mortos e fizeram 7 prisioneiros. Este combate foi nos sectores de Fauquissart e Chapigny.
- 5º. Combate, deu-se a 14-03; as perdas portuguesas cifraram-se em 14 militares mortos e 55 feridos. Este combate desenrolou-se nos sectores de Ferme du Bois e Neuve Chapelle.
- 6º. Combate deu a 04-04; as baixas portuguesas cifraram-se em 12 feridos e 11 desaparecidos.

A 2ª. Divisão do CEP, encontrava-se desde Novembro de 1917, no palco de guerra, sem ter tido qualquer descanso, ou mesmo ter recebido algum reforço, pois quando alguém adoecia ou era ferido, e eram bastantes, muito dificilmente eram substituídos, o que provocava revoltas e iras incontidas nas tropas entrincheiradas, diminuindo gradualmente os efectivos.
Também contribuía para uma quebra acentuada da moral, o modo de vida nas trincheiras, que se traduzia por imensas faltas de condições, como a salubridade, (inundações das trincheiras, roupas encharcadas, botas ensopadas, etc…), um Inverno e principio de primavera muito rigorosos com temperaturas bastante baixas, queda de neves, ventanias, chuvas, e inundações, terrenos alagados, etc., as rações eram bastante condicionadas e de baixas calorias, os fardamentos eram desadequadas à realidade da guerra, enfim uma imensidão de problemas, a que se juntavam as inevitáveis doenças adquiridas, como a tuberculose, bronquites agudas, pneumonias, além do efeito provocado pela emanação de gases altamente tóxicos e mortíferos.



Era assim que se encontravam as tropas portuguesas na linha da frente, totalmente desmoralizadas, enfraquecidas, esgotadas e sem verem o dia em que seriam rendidas por outras. Entretanto nas linhas de reserva as tropas revoltavam-se, amotinavam-se, sendo que algumas foram mesmo julgadas em tribunal de guerra.
Em Portugal, não embarca, nem viaja ninguém para França, e assistiam-se as deserções tanto de oficiais como de praças; e tanto assim era, que segue um resumo de uma carta enviada pelo meu avô a um tio-avô que se encontrava na linha da frente, dando-lhe conta do que por aqui se passava.
Parte da transcrição da carta:

“ foste um valente, mas acho que agora deves vir descansar e deixar que vão para ahi os outros que por aqui passeiam e que já ahi deveriam estar há muito tempo”.



Composição do Corpo Expedicionário Português

A)- 1ª. Divisão : Oficiais 638 : Praças : 18 743 : Solípedes : 5 338 : V. Hipo 945 : V. Auto 24
B)- 2ª. Divisão : Oficiais 638 : Praças : 18 743 : Solípedes : 5 338 : V. Hipo 945 : V. Auto 24
C)- Quartel General (C. E.)
Oficiais 431 : Praças : 8 488 : Solípedes : 4 119 : V. Hipo 424 : V. Auto 676
D)-Efect.da Base:Oficiais 394 : Praças : 5 497 : Solípedes : 964 : V.Hipo 15 : V. Auto 15
T o t a i s Oficiais 2 101 Praças 51 471 Solípedes 15 759 V Hipo 2 329 V.Auto 739

A 1ª. Divisão era comandada pelo General graduado Gomes da Costa, a 2 ª. Divisão pelo General Simas Machado, sendo o Comandante do Corpo Expedicionário Português o General Fernando Tamagnini.
Perante este palco, e com o desgaste das forças em causa, o inimigo ia-se apercebendo da situação, a qual lhe permitia apontar para um futuro ataque sobre determinada zona, e essa foi sem dúvida o sector português o escolhido, para ser lançada a última ofensiva dos alemães na Flandres entre 8 e 29 de Abril.



Os alemães deram a esta operação o nome de código de “Georgette”, dia da investida a 09-04-1918, para nós conhecido como a batalha de La Lys.
Seria fastidioso estar a relatar os acontecimentos de 9 de Abril, até porque tem sido alvo de elaborados estudos e não me compete aqui aquilatar do que correu mal ou menos bem neste fatal dia para as nossas tropas. No entanto é bom relembrar de que foram praticados alguns actos de heroísmo e bravura dignos dos mais altos louvores e condecorações, que nos chegaram por relato dos seus contentores, e outros que foram para a sepultura por quem os praticou, ficando enterrados naqueles malditos lamaçais.
Mas só para termos uma pequena ideia do palco das operações e do desenrolar do ataque na madrugada de 9 de Abril, segue pequena resenha:
As tropas portuguesas encontravam-se acantonadas na vasta região do médio Lys, uma planície húmida e barrenta, cortada por canais e drenos, que após chuvadas se transformava em enormes lamaçais, a qual constituía um corredor entre as colinas de Aras, e de Armentières, numa extensão variável de 12 a 18 Km.
As forças eram em tudo desproporcionadas; para se ter uma ideia do efectivo bélico alemão, tinham na frente do sector português 1.500 bocas de fogo, para a extensão de 12 Km., o que dava uma média de uma boca de fogo de 8 em 8 metros. A esta desproporção de forças deve-se em parte à assinatura de paz entre a Alemanha e a Rússia, a qual libertou da frente oriental 156 divisões, devidamente apetrechadas e retemperadas. As 8 divisões, com mais 4 de apoio e 7 de reserva, contra a reduzida 2ª.Divisão do CEP, ao centro, ladeada a norte pela 40ª Divisão e a sul pela 55ª.Divisão britânicas, davam bem a ideia desproporcionada das forças. (Mapa anexo – as diversas linhas, marcam as datas e os avanços alemães, de 9 a 29 de Abril).
As forças alemãs apercebendo-se da insegurança no sector português, pela madrugada do dia 9 de Abril, cerca das 4 e 15 minutos e debaixo de intenso nevoeiro, lançaram um forte ataque, que não pouparam qualquer comando da lª.linha. Foram neutralizadas logo no início da batalha todas as comunicações, o que veio a facilitar mais o avanço inimigo.
Este ataque sobre o sector português, saldou-se na perda de muitas vidas humanas, bens materiais, no recuo das forças aliadas, e de uma destabilização da frente até 29 de Abril.
Não era possível exigir mais àqueles que tendo passado um inverno e princípio de primavera nas trincheiras em condições deploráveis, se bateram ferozmente; casos houve, que unidades inteiras se bateram até ao último homem tendo havido actos de abnegada bravura e coragem.
A todos que por terras de França ou de África deram o melhor da sua juventude, se deve o maior respeito e consideração, mas em especial aqueles que não puderam juntar-se às suas famílias, ficando aí sepultados para sempre naqueles dantescos palcos de morte.


Total das tropas mobilizadas de 1914-1918


Oficiais Sargentos Praças P. Indig. Total

CEP-França 3.376 3.051 48.658 --- 55.083

CAPI-França 70 120 1.138 --- 1.328

Angola 387 403 a) 11.640 6.000 18.430

Moçambique 1.128 a) 19.295 10.278 30.701

T O T A L 4.961 3.574 80.731 16.278 105.542

a)- Inclui a classe de sargentos.

Forças Empenhadas/Baixas

Forças Mortos Feridos/Incapacitados

França 57.000 2.086 12.508

Angola 32.000 T. 810 683

Moçambique Metr. 4.811 1.593

T O T A L 89.000 7.707 14.784

Baixas do C.E.P. "Mortos"

Combate Gaseados Desastre Doença O. Causas Total

Oficiais 43 2 8 21 --- 74

Praças a) 1.267 68 113 508 56 2.012

T O T A L 1.310 70 121 529 56 2.086

a)- Inclui a classe de sargentos.

Feridos do C.E.P.

Oficiais 256

Praças a) 4.968

a)-Inclui a classe de sargentos.

Além dos 2.086 mortos, que o CEP sofreu, tem que se juntar o desaparecimento de 1.991 militares, o que perfaz a totalidade de 4.077, no norte de França.

Não há terra em Portugal, que não tenha tido um filho que pagou com sangue a sua presença, que não tenha chorado os seus mortos ou feridos, assim como algumas, que os perpetuaram com a edificação de monumentos alusivo a esta efeméride, que tão justa e merecida foi; outras nem sequer uma lápide apresentam ou num cemitério ou mesmo num edifício publico, o que se lamenta.

E porque estamos sobre a data do 90º.Aniversário da assinatura do armistício, é justo, fazer uma singela homenagem, recordando o nome dos naturais do concelho de Caldas da Rainha, que serviram a Pátria bem longe, e que por ironia do destino não tiveram a sorte de regressar.





RELAÇÃO DOS MILITARES CALDENSES MORTOS EM FRANÇA


1º.
FRANCISCO HENRIQUES DE PAIVA
2º. SARGENTO
- Filho de Joaquim Henriques de Paiva e de Gertrudes Manique, nasceu 29-08-1892, na Tornada.
- Estado civil, solteiro.
- Embarcou em Lisboa para França a 22-02-1917.
- Promovido a 2º. Sargento em 13-12-1917, pelo Chefe dos S. H.B., nos termos da alínea d) do artigo 13º. Da Lei nº. 778 de 21-08-1917. (quadro permanente).
- Frequentou o Curso de aperfeiçoamento Sanitário com 14 valores em 23-01-1918.
- Baixa ao H.S. nº. 8 em 12-11-1918.
- Faleceu no mesmo Hospital, vitimado por “Bronco – pneumonia Gripal”, em 17-11-1918.
- Foi sepultado no cemitério civil de Lillers, coval nº. 9.
2º.
JOÃO JACINTO DOS SANTOS
2º. SARGENTO
- Filho de Jacinto dos Santos e de Ana do Rosário, nasceu a 23-06-1894, em Santa Catarina.
- Estado civil, solteiro.
- Embarcou em Lisboa para França a 02-06-1917
-Promovido a 2º. Sargento enfermeiro em 28-02-1918, O.S. nº. 59 do Q. G.2 do mesmo dia (C. S. nº. 759).
- Baixa ao H. S. nº. 8 em 10-03-1919.
- Faleceu às 14 horas do 12-03-1919, no mesmo hospital, com uma ferida penetrante: Cavidade abdominal, perfurações intestinais, ferida do mesentério, do lado direito, e bronco – pneumonia. Congestão pulmonar direita.
- Foi sepultado no cemitério de Linghem, coval nº. 10.
3º.
JOÃO DO COUTO
SOLDADO
- Filho de Manuel do Couto e de Maria Ascenção, nasceu a 14-09-1895 no Carvalhal Benfeito.
- Estado civil, solteiro.
- Embarcou em Lisboa para França a 02-07-1917.
- Desembarcou em Brest em 17-07-1917.
- Faleceu em Laventie, por ter sido ferido em combate, a 13-12-1917.
- Foi sepultado no cemitério de Laventie, coval nº. 28.
4º.
JOSÉ MARQUES
SOLDADO
- Filho de pai incógnito e de Maria da Conceição, nasceu a 23-05-1892, em Alvorninha.
- Estado civil, solteiro.
- Embarcou em Lisboa para França a 19-08-1917.
- Faleceu na 1ª.linha, por ter sido ferido em combate, em 16-01-1918.
- Foi sepultado no cemitério de Laventie, coval nº. 34.
5º.
JOAQUIM CARDOSO
SOLDADO
- Filho de José Cardoso e de Ana Dionísia, nasceu a 08-04-1895, em Salir do Porto.
- Estado civil, solteiro.
- Embarcou em Lisboa para França a 02-07-1917.
- Baixa à ambulância nº.9 em 23-04-1918.
- Foi evacuado em 26-04-1918 para o H. B. 2.
- Faleceu a 06-05-1918, vitimado por “congestão pulmonar”.
- Foi sepultado no cemitério de Ambleteuse, coval nº. 17, caixão nº. 33.
6º.
JOÃO EGINO
SOLDADO
- Filho de João Egino e de Júlia dos Anjos, nasceu a 17-12-1894, em Santa Catarina.
- Estado civil, solteiro.
- Embarcou em Lisboa para França a 02-07-1917.
- Punido em 03-07-1918, pelo Comandante da 1ª. Secção, com 10 dias de detenção, por ter faltado ontem ao serviço de faxina para o H. B. 1 para o qual se achava nomeado.
- Baixa ao H. S. nº. 8, em 30-09-1918.
- Faleceu a 30-09-1918, sendo a causa da morte, ferimentos sofridos num desastre em serviço.
- Foi sepultado no cemitério de Herbelles, coval nº. 7.
7º.
JOÃO VICENTE
SOLDADO
- Filho de António Vicente e de Ana Maria, nasceu a 12-09-1895, em Chão da Parada, Tornada.
- Estado civil, solteiro.
- Embarcou em Lisboa para França a 25-07-1917.
- Por comunicação do Comité Internacional da Cruz Vermelha, sabe-se ter sido feito prisioneiro.
-Faleceu a 14-04-1918, em Kriegs Lazareto Farluvi, Teurcouing, vitimado por ferimentos recebidos em combate.
- Foi sepultado no cemitério de Lazareto, coval nº. 1.
8º.
JOÃO FERREIRA
SOLDADO
- Filho de Francisco Ferreira e de Maria dos Santos, nasceu a 10-10-1892 na Fanadia.
- Estado civil, solteiro.
- Embarcou em Lisboa para França a 21-08-1917.
- Desembarcou em França em 24-08-1917.
- Embarcou para Inglaterra em 11-09-1917, desembarcando a 12 do corrente.
- Embarcou para França em 03-03-1918.
- Baixa à ambulância nº.4 em 29-12-1918.
-Evacuado para o H.S. nº.8 em 18-02-1919.
- Tem direito a usar a medalha Comemorativa de Campanha (Relação do 6ª. Batalhão de Artilharia a pé de 20-02-1919).
- Evacuado para o H. B. 1 em 25-02-1919.
- Julgado incapaz de todo o serviço não podendo angariar os meios de subsistência, em sessão de 03-03-1919. (O.S. nº. 73 do Q. G. B. de 14-03-1919).
- Faleceu no H. B. 1 em 24-04-1919, vitimado por “ Pneumonia”.
- Foi sepultado no cemitério de Ambleteuse, coval nº. 77, caixão nº. 146.
9º.
JOSÉ FARIA
SOLDADO
- Filho de pai incógnito e de Angelina Cândida, nasceu a 28-02-1895, em Chão da Parada, Tornada.
- Estado civil, solteiro.
- Embarcou em Lisboa para França a 02-07-1917.
- Desaparecido em combate no dia 09-04-1918.
- Faleceu na Alemanha em 15-04-1918.


Cemitério inglês com militares portugueses


O Tratado de Paz foi assinado a 28-06-1919 no Palácio de Versalhes, na sala dos
Espelhos.



Postal alusivo ao fim do conflito com o arauto anunciando a nova.

Julgo ser oportuno a inserção de um documento e respectiva transcrição, que foi enviado da frente de batalha na Flandres por um tio avô para uma das suas irmãs, em que dá a conhecer o seu estado de espírito, e mais relevante, o pensamento nele expresso, lamentando profundamente o que se tem passado com esta guerra., e o que o futuro nos reservará. Este postal não poderia ser tão actual e tão anunciador de uma outra futura catástrofe, que se veio a desenrolar no mesmo palco, passados que foram 22 anos da primeira, tendo como principais contendores os mesmos da anterior.
Postal que foi enviado dentro de um envelope conjuntamente com outros num total de 10, em 03-11-1917.





Transcrição
“….. a ambição sempre existiu e sempre existirá enquanto houver imperadores; nunca por nunca ser, a humanidade andará tranquila.
Actualmente está acontecendo o que se deu no tempo de Nero, imperador dos romanos; mas tenho como certo que, o que lhe aconteceu, acontecerá amanhã ao ambicioso imperador inimigo. No entanto ficará quem o substitua infelizmente….”.

E infelizmente veio a suceder, vindo a recair a responsabilidade em Adolfo Hitler, que, esteve presente no primeiro conflito, integrando as forças Austríacas, na frente ocidental, com o posto de cabo, tendo sido ferido em combate numa mão da primeira vez, e da segunda, teve mais sorte, pois serviu-lhe de escudo um amontoado de corpos que jaziam à sua frente, saindo ileso nesse ataque.

F I M

Fontes consultadas:
1-Documentação avulsa do Arquivo H. Militar:
2- Fotos do Arquivo H. Militar.
3- Livro Exército Português – Imagens da I Guerra Mundial:
4- Postais da colecção particular do autor.


Novembro de 2008